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Inteligência Artificial

IA impulsiona 46,8 mi acessos mensais em lojas online no Brasil

Visitas a sites de varejo originadas por inteligência artificial saltaram 203% em um ano e já somam 46,8 milhões de acessos mensais em marketplaces, mudando a disputa no e-commerce.

IA impulsiona 46,8 mi acessos mensais em lojas online no Brasil

Inteligência Artificial

O uso de IA no varejo digital cresce rapidamente, transformando o cenário do comércio eletrônico no Brasil.

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A inteligência artificial começa a virar um novo portão de entrada para o comércio eletrônico brasileiro: relatórios recentes mostram que o tráfego de consumidores que chegam a sites de varejo por recomendações de IA cresceu 203% entre junho de 2025 e maio de 2026, impulsionando especialmente os grandes marketplaces e forçando pequenas empresas a correr atrás da tecnologia.

Como a inteligência artificial está mudando o jeito de comprar pela internet?

Hoje, 0,4% das visitas a sites de varejo já vêm de interações com sistemas de IA, e, nos marketplaces, a média chega a 46,8 milhões de acessos mensais originados por essas ferramentas, um avanço de 237% no período analisado. Na prática, isso significa que uma parte dos consumidores deixa de ir direto ao site da loja ou ao buscador tradicional e começa a perguntar a um assistente digital o que comprar, qual marca escolher e onde está o melhor custo-benefício.

Uma pesquisa da Worldpanel by Numerator ajuda a detalhar esse comportamento. Segundo o levantamento, “entre os consumidores entrevistados que recorrem à IA para apoiar compras, 20,9% procuram informações sobre produtos e 17,8% querem descobrir quais são as melhores marcas”. Outros 17,2% usam a tecnologia para entender critérios de escolha, enquanto 14,7% pedem ajuda para encontrar melhor preço ou custo-benefício.

Esse movimento dá força ao chamado comércio agêntico, em que sistemas de IA pesquisam, comparam ofertas e até executam etapas da compra em nome do usuário. Por enquanto, os números indicam uma tendência em crescimento, não uma substituição dos canais tradicionais. Mas já mudam a dinâmica da disputa: parte da briga pelo cliente acontece antes mesmo de ele digitar o endereço da loja.

Entenda o contexto

O avanço da IA no e-commerce cria uma espécie de funil invisível entre consumidores e lojas. De um lado, estão pessoas que conversam com chatbots e assistentes generativos para descobrir o que faz sentido comprar. Do outro, empresas que adaptam suas operações para aparecer nessas recomendações e automatizar tarefas, da vitrine digital às finanças.

Setores diretamente ligados ao comércio eletrônico — como marketplaces, plataformas de pagamento e empresas de marketing digital — já percebem ganho em volume e qualidade do tráfego. Em paralelo, cresce a pressão sobre pequenos vendedores que ainda não adotaram essas soluções: a concorrência deixa de ser só por preço e passa a incluir a capacidade de ser indicado por sistemas inteligentes.

Varejistas correm para usar IA em vitrines e atendimento

Entre os vendedores, o uso da inteligência artificial se espalha rapidamente. O Relatório de Impacto do Mercado Livre aponta que “metade das pequenas e médias empresas que vendem na plataforma utilizou ferramentas de IA pela primeira vez em 2025”. A principal frente é visual: 90% dessas PMEs recorreram à tecnologia para melhorar imagens de produtos, enquanto 30% passaram a produzir vídeos com apoio de IA e 20% usam recursos do tipo em atendimento, gestão de avaliações e devoluções.

O objetivo é tornar as vitrines mais atrativas e profissionais, mesmo para negócios pequenos, e automatizar interações que antes exigiam equipes maiores. Em paralelo, plataformas especializadas em marketing para e-commerce também aceleram a adoção. Um levantamento da edrone com 993 lojas online mostra que “89,4% das lojas online utilizavam ao menos uma funcionalidade de IA”. Entre aquelas que adotaram geradores de e-mails com inteligência artificial, “a receita média era 9,9% maior”. O estudo não comprova que a tecnologia seja a causa direta dessa diferença, mas indica correlação entre digitalização mais avançada e desempenho melhor.

Finanças automatizadas: IA entra no caixa das PMEs

A revolução não se limita à vitrine. Nas finanças, assistentes inteligentes começam a assumir parte do trabalho dos empreendedores. O Mercado Pago informa que “o MAGO, assistente de IA do Mercado Pago, alcançou mais de 5 milhões de empreendedores brasileiros em 2026”. Pelo sistema, donos de pequenos negócios conseguem analisar vendas, organizar pagamentos e realizar Pix e transferências em conversas guiadas, sempre com confirmação do usuário.

Ferramentas desse tipo reduzem o tempo gasto em tarefas administrativas e prometem diminuir erros operacionais. Para muitos micro e pequenos empreendedores, é também a primeira experiência com um “assistente financeiro” automatizado, que traduz dados em recomendações mais simples de entender.

Quais são os benefícios da IA para quem compra pela internet?

Para o consumidor, o principal ganho é ter uma jornada de compra mais orientada por dados e menos por tentativa e erro. Em vez de abrir dezenas de abas, quem usa IA concentra as dúvidas em um único assistente, que organiza informações sobre produtos, marcas, critérios técnicos e preços.

A pesquisa da Worldpanel by Numerator mostra que 20,9% dos usuários de IA em compras pedem justamente esse tipo de informação detalhada, enquanto 17,8% querem entender quais marcas valem mais a pena. Outros 17,2% usam a tecnologia para definir critérios de escolha — por exemplo, o que considerar na hora de comprar uma geladeira ou um celular — e 14,7% focam em preço e custo-benefício.

Além de poupar tempo, esse tipo de apoio tende a reduzir compras por impulso e arrependimentos, já que o consumidor consegue simular cenários, comparar modelos e ajustar o orçamento antes de fechar o pedido. Em compras recorrentes, a automação também facilita: o próprio sistema pode sugerir reposição de itens de uso frequente, com base em histórico e preferência.

Risco de desigualdade entre grandes e pequenos

O avanço rápido da inteligência artificial no e-commerce também traz desafios. Negócios que não dominam essas ferramentas podem perder relevância em um ambiente em que a vitrine deixa de ser apenas o site próprio e passa a incluir a posição que a loja ocupa nas respostas de um chatbot ou nas recomendações de um sistema automatizado.

Na prática, cresce o risco de uma segmentação no mercado digital: de um lado, empresas — inclusive PMEs — que conseguem usar IA para aparecer mais, operar melhor e atender com mais agilidade; de outro, comerciantes menos preparados tecnologicamente, que veem a distância aumentar. Especialistas apontam que esse cenário deve alimentar discussões regulatórias sobre transparência de algoritmos e ética nas recomendações de compra, além de pressionar plataformas e desenvolvedores a oferecer soluções mais acessíveis para pequenos vendedores.

À medida que consumidores se acostumam a conversar com máquinas antes de decidir o que comprar, inteligência artificial deixa de ser diferencial e passa a ser requisito básico de competitividade no comércio eletrônico brasileiro.