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Esporte

Carlos Vinícius afasta saída e expõe tensão no Grêmio

Artilheiro nega pré-contrato com outros clubes e promete foco total na luta contra o rebaixamento, enquanto discurso de Marlon revela fissuras no vestiário gremista.

Carlos Vinícius afasta saída e expõe tensão no Grêmio

Esportes

Atacante garante permanência e destaca compromisso com o clube em meio a conflitos internos evidenciados por companheiros.

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Carlos Vinícius reafirmou nesta sexta-feira, na Arena do Grêmio, que segue totalmente focado no clube na luta contra o rebaixamento no Brasileirão, apesar de sondagens do Atlético-MG e de outros times, e negou ter assinado qualquer pré-contrato. As falas dele e do lateral Marlon, porém, escancararam o clima de tensão e incômodo no vestiário em meio à tentativa oficial da diretoria de vender uma imagem de união.

O que aconteceu com Carlos Vinícius no Grêmio?

O artilheiro gremista virou centro das atenções ao ser colocado pela direção como um dos porta-vozes da “união” do elenco, num pronunciamento armado na Arena em meio à crise esportiva. Com contrato só até o fim do ano e alvo de especulações, Carlos Vinícius foi direto ao rechaçar a ideia de que já teria um destino definido.

“Falar já andam falando há mais de seis meses que tinha pré-contrato com o Atlético, com o Vasco, com clube do México. Eu não assinei pré-contrato com ninguém. Volto a repetir, a preocupação minha e da diretoria é somente deixar o Grêmio na primeira divisão. Eu até me arrisco a dizer, é a última vez que toco no assunto, o meu foco total é na permanência do Grêmio e ponto”, afirmou o centroavante.

Na prática, o recado busca frear o ruído sobre a saída do jogador justamente às vésperas de decisões. O Grêmio é hoje o 18º colocado do Brasileirão, com 31 pontos, e encara o Coritiba em jogo tratado internamente como “final” pela sobrevivência na Série A. Carlos Vinícius soma 21 gols na temporada, 11 deles no campeonato nacional, e tem 33 gols em 65 partidas pelo clube, o que o torna peça central na reação esperada pela torcida.

Carlos Vinícius confirmou sondagem do Atlético-MG?

Carlos Vinícius admitiu que o Atlético-MG, adversário do Grêmio na semifinal da Copa do Brasil, sondou a sua situação, mas deixou claro que não há acordo firmado nem prioridade a outro clube neste momento. A consulta do time mineiro ocorreu nos bastidores, dentro de um cenário em que outros interessados também buscaram informações.

Sem entrar em detalhes de proposta ou valores, o atacante concentrou o discurso em negar qualquer pré-contrato e em reforçar que o futuro, para ele, está condicionado primeiro ao desfecho da campanha gremista. A indefinição sobre a renovação segue, e a crise técnica e financeira do clube pesa nas conversas.

Vestiário em chamas apesar do discurso de união

A ação de comunicação desta sexta-feira foi planejada pela direção e pelo departamento de comunicação para tentar controlar a narrativa em torno da crise. A ideia era clara: reunir o técnico Renato e lideranças do elenco num horário estratégico, na Arena, para mostrar sintonia às vésperas de partidas decisivas pelo Brasileirão e pela Copa do Brasil, em que o Grêmio enfrenta o Atlético-MG nos dias 1º e 7 de novembro.

Na prática, porém, o plano expôs mais problemas do que soluções. Renato apareceu com discurso considerado cansado, sem a energia habitual que o consagrou como líder de vestiário. E, logo depois da fala mais defensiva de Carlos Vinícius, coube a Marlon abrir uma janela para dentro do grupo, deixando transparecer incômodos acumulados ao longo da temporada.

Por diversas vezes, o lateral insistiu na necessidade de uma “depuração” no elenco após o fim da luta contra o rebaixamento. “O momento era de fazer todos os esforços para escapar e, depois, seria a hora de fazer a depuração no grupo”, repetiu Marlon, sugerindo que nem todos têm demonstrado o mesmo nível de entrega.

Em outro momento, o jogador criticou a forma como a crise foi administrada. Disse que o clube “se ter tapado o sol com a peneira quando algumas coisas não aconteciam” e que houve “procrastinação” na tentativa de recuperação, sempre com o argumento de que o Brasileirão era longo e ainda havia tempo para reagir.

Sem citar nomes, ele cobrou responsabilidade e comprometimento interno, apontando episódios nos bastidores que, em sua avaliação, atrapalharam dentro de campo. “A hora agora era de suportar as cobranças, escolher bem quem vai jogar e tomar as decisões certas em campo”, afirmou, reforçando que é preciso selecionar quem realmente está engajado na missão de tirar o clube da zona de rebaixamento.

Ao mesmo tempo em que mandou recados claros, Marlon tentou isentar a direção e a comissão técnica do papel de vilões. Segundo ele, “o que acontece neste enredo não repercutiu no campo, onde são os jogadores contra os adversários”, transferindo a responsabilidade direta pelo desempenho à própria atuação do grupo.

Entenda o contexto

O Grêmio chega a este ponto sob forte pressão. Afundado no Z-4, o time convive com vaias constantes da torcida e questionamentos à diretoria e a Renato. Ao mesmo tempo, mantém viva a ambição de conquistar a Copa do Brasil, o que criaria uma temporada com roteiro esquizofrênico: luta contra o descenso no campeonato de pontos corridos e possibilidade de título em mata-mata, justamente contra um rival que corteja seu principal centroavante.

Nesse cenário, cada palavra pública de figuras como Carlos Vinícius e Marlon ganha peso extra. O primeiro é fundamental para a recuperação ofensiva de um time que sofreu com jejum de gols e vem de derrota em casa para o Cruzeiro. O segundo, um dos líderes mais ouvidos do elenco, verbaliza o sentimento de parte do vestiário de que erros de condução interna e falta de critério nas escolhas em campo ajudaram a empurrar o clube para a situação atual.

Com negociações de renovação travadas e futuro em aberto, o centroavante vê sua situação contratual virar peça de um tabuleiro mais amplo: a montagem do elenco para 2027, que depende diretamente de o Grêmio permanecer na Série A. Até lá, a promessa pública é de foco total: “É final de campeonato. Temos esse jogo como final, não tem volta a dar. É vitória. Se temos um jogo que não importa o Athletico, é o jogo do Coritiba, precisamos dos três pontos”, resumiu Carlos Vinícius.