Trump promete acordo com Cuba após resolver crise com Irã hoje
Em comício na Flórida, Trump afirmou que tratará da questão de Cuba depois do Irã e que enviará Marco Rubio para concluir um acordo com Havana, em meio a embargo e bloqueio de petróleo.

Política Externa
Após resolver impasse com o Irã, Trump planeja focar em acordo com Cuba, enviando Marco Rubio para negociações com Havana.
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Em comício na Flórida nesta sexta-feira, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o governo americano vai “cuidar de Cuba” depois de lidar com o Irã e anunciou que pretende enviar o secretário de Estado, Marco Rubio, para tentar concluir um acordo com Havana, em meio ao embargo econômico e ao bloqueio de petróleo que pressionam a ilha.
Trump promete acordo e descarta ação militar
Do palanque, diante de apoiadores no estado que concentra grande comunidade cubano-americana, Trump disse ver espaço para um entendimento político com o governo comunista de Cuba. “Cuidaremos de Cuba na volta do Irã… e depois enviaremos Marco Rubio para finalizar o acordo”, declarou o presidente.
Segundo Trump, Washington e Havana podem chegar a um acordo sem necessidade de ação militar, reforçando a estratégia de pressionar economicamente o regime cubano enquanto mantém aberta a possibilidade de negociação. A escolha de Rubio, senador de origem cubana que hoje ocupa o posto de chefe da diplomacia americana, sinaliza o peso político do tema entre eleitores da Flórida.
Pressão econômica com embargo e bloqueio de petróleo
A declaração ocorre em um momento de endurecimento da política dos EUA em relação a Cuba. Além do embargo econômico, em vigor há mais de 60 anos, a Casa Branca impôs, no início deste ano, um bloqueio de petróleo que restringe severamente o acesso da ilha a combustíveis.
Desde então, Cuba enfrenta escassez de combustível e apagões frequentes, que afetam serviços básicos e a já frágil infraestrutura de energia. Hospitais, transporte público e cadeias de produção são diretamente impactados, agravando a crise econômica e social vivida pela população.
A pressão aumentou após uma operação militar americana em janeiro, que resultou na captura do então presidente venezuelano Nicolás Maduro, aliado estratégico de Havana. A Venezuela era uma das principais fornecedoras de petróleo subsidiado para Cuba, e a mudança no cenário regional reduziu ainda mais as margens de manobra do governo cubano.
Entenda o contexto
A administração Trump declara que seu objetivo é promover uma mudança política em Cuba, usando sanções e isolamento como instrumentos centrais. O bloqueio de petróleo se soma a restrições financeiras, limitações a viagens e barreiras a investimentos, numa tentativa de enfraquecer economicamente o regime e fortalecer grupos opositores.
Do outro lado, Havana tenta mostrar disposição para conversar. Em discurso na Assembleia Geral da ONU, no mês passado, o ministro das Relações Exteriores de Cuba afirmou que o país “estaria sempre aberto ao diálogo com Washington”, apesar das sanções de longa data e do novo bloqueio energético.
Diplomatas veem na fala de Trump uma mistura de ameaça e abertura: o anúncio de que Cuba será “prioridade” após o Irã reforça a escalada de pressão, mas a menção a um acordo mediado por Rubio indica espaço para negociação. Uma eventual flexibilização de sanções, porém, tende a vir condicionada a concessões políticas de Havana, o que pode travar as conversas.
Impacto para a população cubana e próximos passos
Na prática, a combinação de embargo prolongado e bloqueio de petróleo já atinge diretamente a vida cotidiana em Cuba. Faltam combustível e peças para manutenção, o que limita o transporte, provoca filas, dificulta o funcionamento de usinas e amplia o risco de blecautes prolongados.
Organismos internacionais e analistas alertam para o risco de agravamento da crise humanitária se as restrições forem mantidas por mais tempo, especialmente sem compensações externas. Ao mesmo tempo, a perspectiva de um canal de negociação direto com os EUA cria expectativa de que um acordo possa, ao menos em parte, aliviar o bloqueio energético.
O envio de Marco Rubio para conversas com Havana ainda não tem data anunciada. Até lá, a tensão segue alta: Washington insiste na linha dura para tentar redesenhar o mapa político da região, enquanto o governo cubano tenta segurar a economia sob sanções e se mostrar disposto a negociar sem abrir mão de seus pilares internos.


