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Zelensky acusa EUA de bloquear mísseis e limitar satélites

Zelensky diz que o Pentágono atrasa mísseis interceptadores já pagos por europeus e acusa os EUA de reduzir a velocidade de satélites militares usados pela Ucrânia contra a Rússia.

Zelensky acusa EUA de bloquear mísseis e limitar satélites

Conflito Internacional

Presidente ucraniano critica atrasos e restrições americanas em apoio militar crucial contra a Rússia.

Leia também: EUA enviam 600 soldados e drones para ofensiva na América Latina

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, acusou os Estados Unidos de atrasarem a entrega de mísseis interceptadores pagos por países europeus e de reduzirem a velocidade de satélites militares Starshield, da SpaceX, o que, segundo ele, está prejudicando diretamente as tropas ucranianas no campo de batalha contra a Rússia.

Zelensky fala em mísseis bloqueados e satélites mais lentos

Em discurso a parlamentares americanos, Zelensky afirmou que “o Pentágono está atrasando a entrega de mísseis já pagos” por aliados europeus, e disse que o lote aguarda apenas a assinatura do secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, para ser enviado à Ucrânia. Esses mísseis são usados para interceptar ataques russos com drones e foguetes, especialmente contra cidades e infraestrutura crítica.

Ao mesmo tempo, o presidente ucraniano voltou a acusar Washington de interferir no uso dos satélites Starshield, sistema militar da empresa SpaceX, de Elon Musk, empregado por Kiev para comunicações táticas e coordenação de ataques com drones. Segundo Zelensky, “as unidades na linha de frente afirmaram que os equipamentos […] pararam de operar a 130-160 milhas por hora em vários setores do front”, o que teria reduzido a capacidade de resposta rápida das forças ucranianas.

Autoridades de Kiev já vinham relatando, desde a semana passada, que a limitação no desempenho dos satélites ocorreu após críticas públicas do ex-presidente Donald Trump a ataques ucranianos contra refinarias em território russo. A suspeita, não confirmada por Washington, é de que pressões políticas internas nos EUA estejam interferindo na forma como os sistemas são disponibilizados à Ucrânia.

Entenda o contexto

A Ucrânia usa o Starshield para fins militares, como ligações seguras entre unidades de combate, direção de ataques de médio alcance em áreas ocupadas pela Rússia e controle de drones interceptadores. Já o Starlink, também da SpaceX, é voltado principalmente para comunicações civis e conectividade básica em áreas destruídas pela guerra.

Com a redução de desempenho descrita por Zelensky, o país diz ter enfrentado falhas em alertas de defesa aérea. Autoridades ucranianas relatam que em alguns ataques recentes de mísseis e drones russos não foi possível avisar a população civil com antecedência suficiente, e os alertas só chegaram depois dos impactos. Isso aumenta o número de vítimas e eleva a pressão sobre o governo em Kiev para garantir sistemas próprios e independentes de alerta e comunicação.

No caso dos mísseis interceptadores, a queixa ucraniana é de que se trata de armamento já financiado por países europeus, mas parado em trâmites burocráticos no Pentágono. Sem esses sistemas, as defesas antiaéreas ucranianas ficam mais expostas a ondas intensas de ataques russos, obrigando o país a racionar o uso de mísseis e priorizar apenas alvos considerados mais críticos.

Tensão com Washington e dependência tecnológica

As declarações de Zelensky expõem a delicada dependência de Kiev em relação à tecnologia e ao armamento fornecidos pelos Estados Unidos. No campo de batalha, a combinação entre mísseis interceptadores e conexão via satélite é central para que radares, baterias antiaéreas e operadores de drones consigam reagir em segundos a lançamentos russos.

Quando um desses elementos falha ou é limitado, o efeito em cascata atinge tanto os militares quanto os civis. Setores da linha de frente que se apoiam em drones para vigiar posições russas relatam dificuldade maior para coordenar ataques precisos, enquanto cidades em todo o país podem ficar sem sirenes e alertas em tempo hábil. Na prática, cada atraso de míssil ou segundo perdido em comunicação significa risco maior de mortes e destruição.

As críticas de Zelensky chegam num momento em que o debate interno nos EUA sobre o tamanho e o formato do apoio à Ucrânia volta a ganhar força. A acusação de que decisões técnicas sobre sistemas militares estejam sendo influenciadas por disputas políticas americanas amplia a sensação de incerteza em Kiev, que tenta planejar operações de médio prazo em meio a um cenário volátil.

Trump aceita reunião com Putin e Xi em novembro

Em paralelo às queixas ucranianas, Donald Trump declarou nesta semana que “aceitaria uma proposta do presidente russo Vladimir Putin de se reunir com ele e com o líder chinês Xi Jinping para discutir a guerra na Ucrânia”. A reunião é cogitada para os dias 18 e 19 de novembro, durante a cúpula do fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec), na cidade de Shenzhen, na China.

A sinalização de Trump reforça a movimentação de Moscou e Pequim para se posicionarem como atores centrais em qualquer eventual negociação sobre o conflito. Para Kiev, a possibilidade de conversas envolvendo Trump, Putin e Xi, sem a presença direta da liderança ucraniana, gera apreensão sobre eventuais pressões por concessões territoriais ou por um cessar-fogo em termos desfavoráveis.

Zelensky já havia acusado Trump de tentar “forçar a Ucrânia a se render” em declarações anteriores, e vê com desconfiança qualquer arranjo que não inclua garantias claras de soberania e integridade territorial ucranianas. O governo ucraniano insiste que qualquer negociação de paz deve partir do princípio da retirada das tropas russas e do restabelecimento das fronteiras reconhecidas internacionalmente.

Enquanto isso, em meio à expectativa pela assinatura de Pete Hegseth para liberar o novo lote de mísseis e à incerteza sobre o futuro do apoio tecnológico americano, as forças ucranianas seguem no esforço de adaptar táticas no front e buscar alternativas para manter comunicação e defesa aérea em níveis mínimos de segurança.

Fonte: matéria original

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