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Ataque em Hebron mata 2 soldados e Israel fecha Cisjordânia hoje

Dois soldados israelenses morreram e três ficaram feridos em ataque a tiros em posto de controle perto de Hebron. Suspeitos foram mortos e Netanyahu ordena lockdown total da Cisjordânia.

Ataque em Hebron mata 2 soldados e Israel fecha Cisjordânia hoje

Conflito Israelense

Soldados mortos em ataque próximo a Hebron levam Israel a impor bloqueio total na Cisjordânia.

Leia também: Flórida emite mandado contra Raúl Castro por ataque fatal em 1996

Dois soldados israelenses foram mortos e três israelenses ficaram feridos em um ataque a tiros contra um posto de controle militar na entrada de Hebron, na Cisjordânia ocupada. As forças de Israel mataram os dois supostos atiradores palestinos no local e, em resposta, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu ordenou um lockdown completo da região, com impacto direto sobre a circulação de palestinos a poucos dias das eleições gerais no país.

Ataque em posto de controle e reação imediata

O ataque aconteceu nesta sexta-feira (23/10), durante o dia, quando um carro parou diante do posto de controle na entrada de Hebron. Imagens de circuito interno, ainda não verificadas de forma independente, mostram dois homens descendo do veículo, um com uma pistola e outro com um fuzil de assalto, e abrindo fogo contra os soldados. Militares reagiram imediatamente, dando início a um intenso tiroteio.

Segundo o Exército israelense, além dos dois soldados mortos, três israelenses ficaram feridos. Os dois suspeitos foram mortos a tiros na troca de disparos. Dentro do carro usado no ataque, militares afirmam ter encontrado grande quantidade de munição, o que reforça a avaliação de que os atiradores planejavam um ataque maior na Rota 35, próxima ao local, mas ficaram presos no engarrafamento em torno do posto de controle e decidiram agir ali.

Poucas horas depois, Netanyahu determinou que o Exército prepare um bloqueio total da Cisjordânia a partir desta sexta-feira, medida que restringe a entrada e saída de pessoas e mercadorias. O premiê cancelou compromissos de campanha do Likud e foi ao local do ataque, onde declarou que “Israel está pronto para ações extensas na Cisjordânia”.

Entenda o contexto

O ataque ocorre em um momento de tensão crescente na Cisjordânia, em meio à colheita anual de oliveiras, período tradicionalmente sensível. Palestinos relatam aumento de ataques de colonos judeus extremistas contra agricultores e comunidades rurais, o que já vinha elevando o clima de confrontação na região.

De acordo com dados das Nações Unidas, pelo menos 96 palestinos foram mortos por forças militares ou colonos israelenses na Cisjordânia desde o início do ano. No mesmo período, quatro israelenses, entre civis e militares, foram mortos por palestinos. Organismos internacionais e grupos de direitos humanos alertam há meses para o risco de uma escalada mais ampla de violência no território ocupado.

Lockdown e demolições agravam tensão

O lockdown completo determinado por Netanyahu atinge cidades, vilarejos e estradas da Cisjordânia e tende a paralisar boa parte da economia local. Agricultores palestinos que dependem do acesso diário às oliveiras podem ser impedidos de chegar a áreas rurais, enquanto comerciantes e trabalhadores correm o risco de ficar isolados, sem conseguir atravessar postos de controle para trabalhar ou vender mercadorias.

Além do bloqueio, o Exército iniciou batidas nas casas dos suspeitos. O ministro das Finanças e líder da direita radical Bezalel Smotrich afirmou ter ordenado a demolição de construções palestinas ao lado do posto de controle onde o ataque ocorreu, prática recorrente nas respostas israelenses a atentados. Organizações palestinas criticam a medida como punição coletiva, o que Israel nega.

As operações tendem a aprofundar o ressentimento e o risco de novos confrontos. Em diferentes cidades da Cisjordânia, moradores relataram aumento de presença militar e fechamento de vias logo após o anúncio do bloqueio.

Ataque entra no centro da campanha eleitoral

O ataque acontece a três dias das eleições gerais em Israel, marcadas para segunda e terça-feira (26 e 27/10), e já altera o tom da campanha. Netanyahu vinha centrando sua mensagem em promessas de segurança e no endurecimento da política na Cisjordânia. Com o atentado em Hebron, a pauta da segurança ganha ainda mais peso.

Ao anunciar o cancelamento de atos públicos do Likud, o premiê buscou transmitir foco na gestão da crise, repetindo que Israel responderá com firmeza. Ao seu lado, aliados da coalizão de extrema direita pressionam por uma escalada militar mais ampla no território ocupado.

Smotrich declarou que “convoco Israel a lançar uma campanha na Cisjordânia exatamente igual à de Gaza ou do Líbano”, em referência a ofensivas de grande escala já realizadas pelo Exército nesses territórios. O ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir, foi além e afirmou: “Peço que Israel desmantele a Autoridade Palestina”. Ambos defendem ampliar operações e restringir ainda mais a autonomia limitada hoje exercida pela liderança palestina em partes da Cisjordânia.

Na véspera do ataque, o ministro das Relações Exteriores Israel Katz já havia elevado o tom contra os rivais internos. Ele acusou líderes da oposição de enfraquecer o governo ao criticar alertas de Netanyahu sobre possíveis atentados na reta final da campanha, afirmando que “os oposicionistas seriam responsáveis por eventuais ataques futuros ao país”.

Após o tiroteio em Hebron, figuras da oposição como o ex-chefe militar Gadi Eisenkot e o ex-primeiro-ministro Naftali Bennett divulgaram mensagens de condolências às famílias das vítimas e elogiaram os soldados que mataram os suspeitos. Mesmo assim, o episódio deve ser usado na disputa política, com aliados de Netanyahu reforçando o discurso de que apenas uma linha dura na Cisjordânia garantiria segurança aos israelenses.

Enquanto isso, palestinos se preparam para dias ainda mais difíceis com o lockdown total, operações militares ampliadas e novas demolições de casas e comércios em áreas próximas ao ataque, em um cenário de escalada que tende a se prolongar pelo menos até o fim do processo eleitoral israelense.

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