Consultor nos EUA corta 50% do trabalho braçal usando IA hoje
Rick Nott, da Angeles Investments, usa o modelo Claude para conectar sistemas financeiros, automatizar relatórios e liberar tempo para focar no atendimento a clientes de alto patrimônio.

Inteligência Artificial
Consultor americano reduz pela metade tarefas manuais ao integrar IA em processos financeiros e atendimento personalizado.
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O consultor Rick Nott, diretor-gerente sênior da Angeles Investments, em Santa Monica, vem usando inteligência artificial para automatizar o trabalho braçal da consultoria financeira, conectando sistemas dispersos e reduzindo horas de planilhas para poder dedicar mais tempo a conversar com clientes e tomar decisões estratégicas.
Como a tecnologia mudou a rotina do consultor?
Nott atende famílias de alto patrimônio e descreve a consultoria como uma cadeia que começa nos dados brutos e termina nas decisões de investimento. No meio do caminho, havia uma etapa pesada de reunir informações em diferentes plataformas, reconciliar números e transformar tudo em relatórios compreensíveis.
Antes da adoção da IA, esse esforço manual era tão grande que os balanços patrimoniais mais detalhados ficavam restritos a clientes com mais de US$ 100 milhões em ativos. Ele calcula que uma operação típica com 30 famílias, cada uma com cerca de 10 investimentos privados, gera por volta de 3 mil documentos por ano, entre relatórios trimestrais, chamadas de capital, distribuições e avisos fiscais.
Com o apoio da IA, colegas de Nott estimam que sua produtividade hoje equivale à de mais um funcionário em tempo integral, sem que ele deixasse de ser o responsável final pelas recomendações e pelo contato direto com os clientes.
Como o consultor utilizou a IA para reduzir o trabalho braçal na consultoria?
Para comprimir essa camada intermediária de tarefas repetitivas, Nott recorre a modelos de linguagem, como o Claude, da Anthropic, treinados para entender e gerar texto. A ferramenta se conecta a sistemas de grandes instituições financeiras, como Charles Schwab, BlackRock e Vanguard, e automatiza etapas antes manuais.
Na prática, o Claude coleta dados em diferentes plataformas, organiza e reconcilia as informações das carteiras e gera rascunhos de relatórios customizados para cada família. Também ajuda em rotinas como revisar rebalanceamentos de carteira e montar explicações em linguagem acessível para os clientes, sempre com supervisão humana e aprovação final de Nott.
O consultor continua responsável por conferir os números, validar as análises e decidir o que será de fato apresentado. A IA faz o trabalho de bastidor: vasculha documentos, consolida posições, resume contratos e prepara a primeira versão de materiais que antes exigiam horas de digitação e revisão.
Quais tipos de tarefas foram automatizadas com o uso da IA na consultoria?
Entre as atividades que passaram a ser automatizadas estão a coleta de dados de múltiplos sistemas, a reconciliação de posições em investimentos privados, a leitura de relatórios trimestrais, o tratamento de chamadas de capital e distribuições e a organização de avisos fiscais em um fluxo único.
O modelo também gera minutas de relatórios patrimoniais, fichas de reunião, comparações entre cenários de alocação e rascunhos de e-mails explicando mudanças nas carteiras. Em vez de construir tudo do zero, Nott parte desses rascunhos para refinar a mensagem e ajustar recomendações ao perfil de cada família.
Como a inteligência artificial pode ajudar consultores a economizar tempo no atendimento a clientes?
No caso de Nott, a IA funciona como um assistente que assume o volume de tarefas de bastidor e devolve ao consultor tempo de agenda para o que não é automatizável: entender o momento de vida de cada cliente, ouvir preocupações e negociar caminhos em decisões que envolvem patrimônio familiar.
Ao eliminar grande parte do esforço de copiar dados entre sistemas, reconciliar divergências em planilhas e formatar documentos, a tecnologia libera horas semanais que podem ser redirecionadas a reuniões, planejamento sucessório e ajustes finos nas estratégias de investimento. Em vez de gastar energia para produzir um relatório, o consultor passa a usar o relatório como ponto de partida para o diálogo.
Quais benefícios o uso de IA trouxe para a consultoria mencionada na matéria?
Os efeitos aparecem em pelo menos três frentes: escala, qualidade do serviço e reposicionamento do papel do consultor. Com a automação, Nott consegue manter o atendimento a 30 famílias com estruturas de investimento complexas, lidando com cerca de 3 mil documentos anuais, sem perder o controle das informações.
Ao mesmo tempo, ele consegue oferecer relatórios mais frequentes e detalhados para clientes que antes não teriam acesso a esse nível de acompanhamento, por falta de tempo da equipe. A automação comprime custos operacionais e melhora a velocidade de resposta a mudanças de mercado.
O principal ganho, porém, é intangível: “Decisões sobre dinheiro são, direta ou indiretamente, emocionais e que cálculos melhores nunca foram o principal gargalo dos resultados”, afirma Nott. Segundo ele, “o ganho da automação é liberar tempo para o relacionamento com clientes”, justamente a parte do trabalho que depende de confiança, leitura de contexto e experiência acumulada.
Entenda o contexto
O caso de Rick Nott reúne pontos que começam a se repetir no mercado financeiro e em outras áreas: tarefas repetitivas são automatizadas por IA, a supervisão humana continua obrigatória e o tempo liberado é redirecionado para decisões e relacionamento.
A Anthropic, responsável pelo Claude, lançou recentemente conectores específicos para consultores, que se integram a sistemas usados por grandes gestoras internacionais. A tendência é que ferramentas semelhantes se espalhem por departamentos de finanças, operações, recursos humanos e vendas, em funções como consolidar dados, resumir contratos e montar apresentações.
Ao mesmo tempo, quem trabalha apenas com atividades manuais corre o risco de ver o cargo mudar de forma acelerada. Cresce a demanda por profissionais que entendam processos de negócio, saibam usar ferramentas digitais e consigam guiar o uso da IA de maneira responsável. Já surgem formações específicas, como MBAs em inteligência artificial aplicada a negócios, focadas em preparar essa nova geração de especialistas.

