Hackers infectam 953 lojas Magento com código malicioso hoje
Hackers infectaram 953 lojas virtuais baseadas em Magento com código JavaScript oculto em blocos CMS, filtrando bots para atacar apenas visitantes reais e driblar scanners de segurança.

Segurança Digital
Mais de 900 lojas Magento foram comprometidas por código malicioso que evita detecção e ataca usuários reais.
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Uma campanha de hackers em andamento já infecta 953 lojas virtuais que usam a plataforma Magento, inserindo código JavaScript malicioso em blocos CMS das páginas e ativando o ataque apenas para visitantes reais, o que dificulta a detecção por scanners de segurança automáticos.
JavaScript oculto em blocos CMS e ataque só para visitantes reais
A empresa holandesa de segurança Sansec, especializada em comércio eletrônico, identificou que os criminosos embutem pequenos trechos de código em blocos CMS do Magento. Quando o cliente acessa a loja comprometida, esse código carrega um “loader” JavaScript a partir de domínios controlados pelo grupo.
“Quando você visita, esse código faz seu navegador perguntar ao servidor do grupo o que fazer a seguir”, explicou a Sansec. O servidor verifica primeiro se o acesso parece ser de um comprador humano ou de um robô de segurança; se identificar um scanner, não entrega nada, o que mantém as páginas aparentemente limpas em verificações automáticas.
Ao menos cinco domínios diferentes já foram usados na campanha. Um deles é o deepveindrilling[.]com, registrado em 6 de outubro de 2026 e encontrado em blocos CMS de 83 lojas desde então. Em fases anteriores, outro domínio, additionalver[.]com, servia scripts que podiam inclusive apenas marcar o visitante com um cookie por 24 horas. “Solicitar o script additionalver[.]com como visitante Windows desktop retorna ‘QWE=123;’, que apenas define um cookie por 24 horas”, relatou a Sansec.
Como funciona o loader e por que ele é difícil de remover
Os pesquisadores observaram duas versões principais do loader JavaScript. Na primeira, o código malicioso baixado do domínio dos atacantes armazena o payload no localStorage do navegador, uma área de armazenamento persistente. Assim, o código injetado pode ser executado novamente em visitas futuras, mesmo que o domínio malicioso fique fora do ar.
A segunda versão repete esse comportamento e vai além, adicionando técnicas de fingerprinting — uma espécie de “impressão digital” do navegador — para identificar padrões típicos de bots e scanners de segurança. Só depois de concluir que se trata de um comprador real o loader libera o payload, cujo objetivo final ainda não é conhecido. A suspeita é de que possa envolver roubo de dados de clientes, fraudes financeiras ou outros ataques em segundo estágio.
Versões mais antigas da campanha também exploraram a plataforma de rastreamento de anúncios Keitaro como sistema de distribuição de tráfego, variando a resposta para cada visitante: em alguns casos entregavam um payload, em outros redirecionavam ou simplesmente não faziam nada, sempre com o foco em escapar de ferramentas automatizadas.
Como os atacantes entram nas lojas Magento
O levantamento da Sansec indica que 471 das 953 lojas foram comprometidas por meio da falha conhecida como PolyShell (CVE-2026-48356), que permite a injeção de webshells — portas de administração remota — em servidores Magento vulneráveis. Outras 102 lojas tiveram arquivos enviados explorando PolyShell ou outra falha crítica, a SessionReaper (CVE-2025-54236).
Em um dos casos analisados, uma loja rodando Magento 2.4.7-p1 tinha webshells PolyShell disfarçados como imagens PNG no diretório pub/media/custom_options/quote/, ao lado do loader additionalver[.]com em um bloco CMS. “O bloco mudou para deepveindrilling[.]com em 7 de outubro. A loja ainda não aplicou a correção APSB26-73 da Adobe para PolyShell”, apontou a Sansec.
Nem todos os ataques, porém, dependem de falhas não corrigidas. Em outra loja, com a versão 2.4.7-p10 do Magento e sem patches em falta no núcleo, os invasores criaram uma conta de administrador falsa e usaram esse acesso legítimo para injetar o código malicioso nos blocos CMS.
Risco para lojistas e consumidores
A campanha atinge principalmente lojas de comércio eletrônico baseadas em Magento, mas o impacto vai além da plataforma. Para lojistas, a presença de JavaScript malicioso nas páginas pode comprometer a integridade das transações, abrir espaço para fraudes, derrubar a confiança de clientes e gerar prejuízos financeiros e de reputação.
Consumidores que acessam essas lojas correm o risco de ter dados pessoais e financeiros capturados, serem redirecionados para páginas fraudulentas ou virar alvo de ataques mais sofisticados, já que o código só é entregue quando o sistema acredita estar diante de um usuário real. Como parte do payload fica armazenada no navegador, a ameaça pode persistir mesmo após o lojista derrubar o domínio malicioso principal.
Entenda o contexto
A descoberta dessa campanha ocorre em meio a um cenário mais amplo de exploração de falhas graves em tecnologias ligadas ao comércio eletrônico, em especial no ecossistema PHP. Um conjunto recente de duas vulnerabilidades críticas em PHP (CVE-2026-109618 e CVE-2026-109619), apelidadas de PHP2Shell, está sendo alvo de varreduras e tentativas de exploração em massa.
O pesquisador Adel Karimi registrou, em servidores de honeypot, o que descreve como a primeira exploração bem-sucedida dessas falhas em ambiente real. “Pesquisador Adel Karimi registrou a primeira exploração em ambiente real das vulnerabilidades PHP para execução de comandos shell”, disse ele. Os comandos observados usam ferramentas como wget, curl ou o próprio PHP para buscar payloads adicionais em um servidor remoto. Até agora, porém, não foram identificados artefatos de segunda fase baixados com sucesso.
O paralelo entre a campanha contra lojas Magento e as novas explorações em PHP reforça a avaliação de que grupos maliciosos estão investindo em cadeias de ataque mais complexas, com múltiplos estágios e forte ênfase em evasão de detecção.
O que lojas virtuais devem fazer agora
Especialistas recomendam que administradores de lojas online façam auditorias imediatas em seus ambientes. A orientação é revisar as tabelas cms_block e cms_page do Magento em busca de blocos inesperados ou alterados, checar a existência de contas administrativas suspeitas e inspecionar diretórios como pub/media à procura de arquivos que possam esconder webshells.
Também é considerado crítico aplicar as correções de segurança mais recentes, incluindo o boletim APSB26-73 da Adobe para a falha PolyShell, manter o Magento e extensões atualizados e reforçar políticas de senhas fortes e autenticação de administradores. A Sansec segue monitorando a campanha e novos domínios usados pelos atacantes, enquanto equipes de segurança trabalham em ferramentas de detecção mais eficazes para loaders que filtram bots e dependem do comportamento do navegador.


