Startup israelense Mave capta US$ 34 mi para IA em cibersegurança
Mave, de Tel Aviv, levanta US$ 34 milhões para acelerar pesquisa em IA agentiva, reforçar produtos de segurança empresarial e iniciar expansão global diante de ataques cada vez mais automatizados.

Tecnologia
Mave obtém investimento significativo para impulsionar soluções avançadas em segurança digital com inteligência artificial.
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A Mave, startup de segurança cibernética de Tel Aviv fundada por Guy Eshel e Raziel Oren, anunciou uma rodada Série A de US$ 28 milhões que, somada a um seed de US$ 6 milhões, leva a US$ 34 milhões o total captado para acelerar pesquisa em inteligência artificial, fortalecer produtos empresariais e impulsionar a expansão global.
Startup quer usar IA para acompanhar velocidade dos ataques
Com cerca de 30 funcionários, a Mave foi criada em 2025 pelos ex-oficiais da Unidade 8200 Guy Eshel (CTO) e Raziel Oren (CEO). A nova rodada é liderada pela Red Dot Capital Partners e conta com participação de Lumir Growth Partners, Dell Technologies Capital e Emerge Ventures, sinalizando uma aposta pesada no uso de IA agentiva para automatizar operações de segurança.
A empresa parte do diagnóstico de que o próprio uso malicioso de IA acelerou a velocidade e a complexidade dos ataques, enquanto as equipes corporativas seguem presas a ferramentas fragmentadas e processos manuais. “Enterprise security teams are overwhelmed by huge amounts of data and dozens of security tools, and still cannot respond fast enough when a real incident occurs”, afirma a Mave.
Na prática, a plataforma da startup se conecta à pilha de segurança já existente das empresas, puxa dados em tempo real e usa agentes de IA baseados em modelos de linguagem avançados para produzir raciocínio contextual quase instantâneo. A promessa é transformar o excesso de alertas e logs em decisões acionáveis, com priorização automática do que realmente importa.
Como funciona o sistema agentivo da Mave
O foco inicial está em SecOps, o conjunto de operações diárias de segurança. Em vez de analistas circulando manualmente por diversas ferramentas — SIEM, EDR, firewall, soluções de identidade e afins — a Mave propõe um “único sistema de defesa agentivo” que centraliza o contexto e conduz as investigações.
“Security teams still investigate threats one tool at a time, manually piecing together evidence before they can reach a verdict. Attackers do not wait. Every pivot adds delay, and every delay creates risk”, diz Raziel Oren, CEO da Mave. Segundo ele, os agentes de IA da empresa são desenhados para acompanhar esse ritmo acelerado, correlacionando sinais dispersos e apresentando hipóteses já fundamentadas para o time humano.
A arquitetura combina modelos proprietários mais compactos com grandes modelos de linguagem de fronteira, ajustados para tarefas de segurança. Eles analisam eventos, relacionam dados históricos e em tempo real e sugerem ações, como isolar uma máquina, bloquear um usuário suspeito ou aprofundar uma investigação em determinado vetor.
“Mave is built to reduce risk, by giving security teams AI that can keep pace with attackers, show its work, and know when human judgment is required”, afirma Oren. A ideia é que o sistema não seja uma “caixa-preta”, mas apresente o passo a passo do raciocínio para que os analistas possam validar ou corrigir as conclusões.
Entenda o contexto
A rodada de US$ 34 milhões chega em um momento em que o mercado de cibersegurança vive um paradoxo: ataques mais rápidos e automatizados, impulsionados por IA adversarial, contra empresas sufocadas por dados e escassez de profissionais especializados. Modelos tradicionais de monitoramento, como plataformas de SIEM, tendem a registrar os eventos, mas não conseguem organizar e priorizar a informação na mesma velocidade com que a cadeia de ataque evolui.
Esse descompasso alimenta dois problemas centrais: a fadiga de alertas, que leva analistas a ignorar notificações ou a demorar para reagir, e o aumento de custos, já que muitas organizações tentam responder ampliando o quadro de pessoal em vez de automatizar tarefas repetitivas. A proposta da Mave ataca justamente esses pontos ao substituir parte do trabalho manual por agentes de IA supervisionados.
Ao mesmo tempo, setores que ainda dependem de processos fortemente manuais tendem a enfrentar uma fase de adaptação. A automação crescente deve exigir requalificação de profissionais e mudanças no desenho das equipes, com mais foco em decisão estratégica e menos em atividades mecânicas de triagem e correlação de eventos.
Automação com freios e contrapesos
Apesar de apostar em IA agentiva, a Mave evita, por ora, a automação total de ponta a ponta. Tecnicamente, os agentes já poderiam executar sozinhos muitas das ações sugeridas, mas a startup opta por um modelo de “autonomia governada”, com camadas de controle e validação.
“Autonomy without control is a risk. The right model is governed: least-privileged integrations, approval gates when needed, and a full audit trail of every action and decision”, explica Oren. Em termos práticos, isso significa integrações com privilégios mínimos aos sistemas críticos, exigência de aprovação humana para medidas mais sensíveis — como bloquear contas ou desligar serviços — e registro detalhado de tudo o que a IA faz ou recomenda.
Esse desenho busca reduzir o risco de decisões erradas tomadas por agentes autônomos, ao mesmo tempo em que mantém os ganhos de velocidade e escala prometidos pela automação. Também responde a preocupações crescentes de empresas e reguladores sobre responsabilidade e rastreabilidade em sistemas de IA que atuam em áreas críticas, como segurança.
Expansão global e impacto no mercado
O novo aporte será direcionado a três frentes principais: pesquisa em IA de ponta, consolidação de produtos para grandes empresas e expansão internacional. A Mave planeja reforçar times de pesquisa e desenvolvimento e áreas de go-to-market, com a missão de levar a plataforma a mais clientes corporativos ao redor do mundo.
A expectativa de investidores e da própria startup é que a tecnologia ajude a estabelecer novos padrões para operações de segurança automatizadas e supervisionadas, pressionando concorrentes a adotar abordagens semelhantes de IA agentiva. “Security operations is where we start, but the goal is more ambitious – to make AI a responsible and accountable part of how the modern enterprise protects itself”, resume Oren.
Se entregar o que promete, a Mave pode se tornar um dos casos de referência da onda de soluções que usam IA não só como alvo de proteção, mas como peça central da defesa empresarial moderna — acelerando respostas a incidentes, reduzindo custos operacionais e reacendendo o debate sobre o papel dos humanos na linha de frente da cibersegurança.


