Golpes com IA crescem 70% e burlam bancos: saiba se proteger
Uso de inteligência artificial elimina erros em golpes de phishing, deixa mensagens mais personalizadas e dificulta que usuários percebam fraudes em bancos, cartões e serviços online.

Segurança Digital
Fraudes com inteligência artificial aumentam e exigem cuidados redobrados para evitar prejuízos financeiros.
Leia também: Austrália alerta: IA eleva ataques cibernéticos a nível crítico
Golpes de phishing feitos com apoio de inteligência artificial estão ficando tão convincentes que já passam despercebidos por muitos usuários em sites de bancos, operadoras de cartão de crédito e serviços online. As mensagens fraudulentas chegam com texto impecável e personalizado, o que derruba sinais clássicos de alerta e aumenta o risco de fraudes financeiras e vazamento de dados.
Como a inteligência artificial expôs a fragilidade da internet?
A inteligência artificial evidencia a fragilidade da internet ao permitir que criminosos copiem com precisão a linguagem de bancos, empresas e até parentes, eliminando erros que antes denunciavam golpes. Em vez de e-mails mal escritos, os usuários agora recebem mensagens que parecem ter saído da própria área de atendimento dos serviços que utilizam todos os dias.
“A maneira tradicional de determinar um ataque de phishing era: ‘Ei, não soava bem. Usava linguagem inadequada. Tinha erros de ortografia e gramática’”, explica Jud Dressler, chefe do centro de operações de risco da seguradora cibernética Resilience. “Tudo isso, a IA vai cuidar”, afirma.
Ferramentas de IA generativa ajudam atacantes a produzir textos sem erros de português, com tom profissional e adaptados ao perfil da vítima. Ao mesmo tempo, a tecnologia permite pesquisas profundas sobre potenciais alvos, cruzando dados públicos e vazamentos anteriores para criar mensagens altamente personalizadas, com nome, CPF parcial, últimos dígitos de cartão ou hábitos de consumo.
Segundo Dressler, isso não muda o método central — que continua sendo enganar a vítima para que clique em um link ou forneça dados sensíveis —, mas eleva muito a taxa de sucesso. “Ainda é um método de ataque bastante conhecido. Só que agora usa inteligência artificial para torná-lo mais verossímil e mais eficaz”, diz.
Quais cuidados especialistas recomendam para se proteger de ataques cibernéticos atuais?
Os principais cuidados recomendados hoje passam por desconfiar de links recebidos, reforçar senhas e ativar camadas extras de proteção em todas as contas importantes. A primeira orientação é simples: receber um link por e-mail, SMS ou mensagem de aplicativo dizendo ser do banco, da operadora de cartão ou de uma loja não significa que ele é legítimo.
Em vez de clicar, especialistas sugerem digitar o endereço do site diretamente no navegador ou entrar no aplicativo oficial já instalado no celular. Em caso de dúvida, a saída é ligar para o canal de atendimento que o usuário já conhece, e não para o número que aparece na mensagem suspeita.
Outro ponto crítico é a senha. A recomendação é nunca reutilizar a mesma combinação em mais de um serviço. A orientação é usar um gerenciador de senhas, que cria e guarda códigos longos e exclusivos para todas as contas. Na prática, o usuário passa a lembrar apenas uma senha-mestra, enquanto o aplicativo gera combinações difíceis de serem adivinhadas por humanos ou por sistemas automáticos.
Especialistas também orientam ativar a autenticação de dois fatores em todo serviço que oferecer esse recurso. Nessa modalidade, mesmo que o criminoso descubra a senha, ainda precisa de um segundo código — enviado por SMS, e-mail, ligação telefônica ou gerado em aplicativos como o Google Authenticator. Muitos profissionais de segurança preferem esses aplicativos justamente porque mensagens de texto podem ser interceptadas em alguns tipos de golpe.
Monitorar contas e extratos com frequência virou rotina de proteção. Bancos, carteiras digitais, e-commerces e redes sociais oferecem alertas automáticos por e-mail ou SMS para movimentações fora do padrão, como novos acessos, trocas de senha e compras de valor alto.
No campo financeiro, uma medida adicional é congelar o relatório de crédito nas grandes agências do setor — como Experian, TransUnion e Equifax. O bloqueio dificulta que criminosos abram contas, façam financiamentos ou contratem serviços em nome da vítima sem autorização.
Para golpes que se passam por parentes em apuros, uma dica é combinar uma palavra-código familiar: um termo conhecido apenas por pessoas próximas, usado para confirmar que aquele pedido de ajuda de última hora veio mesmo de quem diz ter enviado a mensagem ou feito a ligação.
Entenda o contexto
O avanço da IA mudou o equilíbrio de forças na segurança digital. Se antes muitos ataques vinham de grupos altamente especializados, hoje até criminosos novatos conseguem montar campanhas complexas usando ferramentas prontas para escrever textos, imitar estilos de comunicação e adaptar mensagens para diferentes perfis de vítima.
Esse cenário aumenta a importância de empresas especializadas em segurança cibernética e de seguradoras digitais, que passam a trabalhar também com tecnologias de defesa baseadas em IA para identificar padrões de ataque em massa, bloquear campanhas antes que se espalhem e apoiar vítimas em caso de incidente.
Ao mesmo tempo, especialistas insistem que o elo humano continua sendo explorado. Mesmo com toda a sofisticação tecnológica, o ponto central do phishing permanece o mesmo: abusar da confiança, da pressa ou do medo do usuário. Por isso, além de ferramentas, a aposta está em educação digital contínua dentro de empresas e entre usuários comuns, para reduzir a vulnerabilidade diante de mensagens que hoje soam quase perfeitas.
