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Cibersegurança

Ucraniano é condenado nos EUA por ataques de ransomware

Artem Stryzhak, de 36 anos, foi sentenciado a 70 meses de prisão nos EUA por atuar com os grupos de ransomware Nefilim e Hive, que causaram prejuízos acima de US$ 100 milhões.

Ucraniano é condenado nos EUA por ataques de ransomware

Cibercrime

Artem Stryzhak recebeu sentença de quase seis anos por envolvimento em ataques que geraram perdas milionárias.

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O ucraniano Artem Aleksandrovych Stryzhak, de 36 anos, foi condenado nos Estados Unidos a 70 meses de prisão por atuar como afiliado dos grupos de ransomware Nefilim e Hive em ataques a empresas e instituições de saúde nos EUA e em outros países, que resultaram em prejuízos superiores a US$ 100 milhões e chegaram a interromper atendimentos em hospitais.

Como funcionava o esquema de Stryzhak com Nefilim e Hive

De acordo com documentos judiciais, Stryzhak se juntou à operação do ransomware Nefilim como afiliado, usando o malware para invadir redes corporativas, criptografar dados e exigir pagamento para liberar o acesso às informações. Pelo acordo, ele se comprometia a repassar 20% de tudo o que fosse extorquido às pessoas que administravam o Nefilim.

Entre as vítimas ligadas a essa fase da atuação do ucraniano está uma empresa do setor de transporte de petróleo e gás. Após a invasão, os sistemas tinham arquivos bloqueados e as companhias eram chantageadas: se não pagassem, os dados permaneceriam inacessíveis ou seriam vazados na internet.

Os registros do processo também apontam que Stryzhak foi um dos primeiros afiliados do grupo de ransomware Hive, responsável por mais de 1.500 ataques a vítimas no mundo todo em um período de menos de dois anos. Nesse contexto, ele usou o Hive contra pelo menos sete organizações, incluindo consultórios odontológicos, um prestador de serviços de saúde e escritórios de advocacia.

Em alguns desses casos, as vítimas concordaram em pagar o resgate exigido. Em troca, os criminosos forneceram uma chave de descriptografia que permitiu recuperar os arquivos bloqueados. Mesmo quando o acesso era restabelecido, as empresas arcavam com custos elevados de investigação, restauração de sistemas e paralisação de operações.

Hospitais afetados e prejuízo de mais de US$ 100 milhões

As autoridades dos EUA atribuem aos grupos com os quais Stryzhak colaborou um impacto direto em serviços essenciais, em especial na área de saúde. Hospitais e clínicas tiveram sistemas suspensos ou reduzidos, o que atrasou exames, consultas e procedimentos.

O diretor de operações do FBI, Brett Leatherman, afirmou que a atuação de Stryzhak e de seus parceiros teve alcance amplo. “Artem Stryzhak é um cibercriminoso prolífico que trabalhou com múltiplos grupos de ransomware para atacar empresas e hospitais dos EUA. Esses grupos interromperam o atendimento a pacientes e causaram mais de 100 milhões de dólares em perdas”, disse Leatherman.

O valor consolidado considera tanto os resgates pagos por vítimas quanto prejuízos indiretos, como paralisação de serviços, perda de dados, custos de resposta a incidentes e investimentos emergenciais em segurança.

Prisão na Espanha, extradição e cooperação internacional

Stryzhak vivia em Barcelona quando foi localizado e preso por autoridades espanholas, após cooperação internacional com a polícia e o Ministério da Justiça dos EUA. Depois da prisão, ele foi extraditado para território norte-americano, onde passou a responder formalmente pelos crimes de conspiração para cometer fraude eletrônica.

Durante o processo, Stryzhak se declarou culpado. A sentença de 70 meses de prisão leva em conta sua participação direta nos ataques e o papel como afiliado de grupos considerados prioritários na mira de forças-tarefa de combate a ransomware.

O caso é mais um exemplo de como investigações de cibercrime hoje dependem de articulação entre autoridades de diferentes países, já que operadores, vítimas, servidores e fluxos de dinheiro costumam estar distribuídos em múltiplas jurisdições.

Caçada ao administrador do Nefilim segue em curso

Mesmo com a condenação de Stryzhak, os EUA tentam avançar sobre os responsáveis por comandar as operações de ransomware. Segundo a acusação, o ucraniano respondia ao administrador do Nefilim, identificado como Volodymyr Tymoshchuk, que continua foragido.

Para tentar chegar ao paradeiro dele, o Departamento de Estado norte-americano está oferecendo recompensa de até US$ 10 milhões a quem fornecer informações que levem à prisão ou condenação de Tymoshchuk. Há ainda a oferta de até US$ 1 milhão por dados que ajudem a identificar e responsabilizar outros líderes envolvidos nos grupos de ransomware ligados ao Nefilim e ao Hive.

As recompensas se somam a sanções financeiras e bloqueios de ativos que vêm sendo adotados para pressionar operadores de ransomware, ao mesmo tempo em que autoridades reforçam o recado de que afiliados, como Stryzhak, também serão alvo de processos criminais, mesmo quando atuam a partir de outros países.