Mercados
S&P 5007.619▼ 1,31%Nasdaq25.617▼ 2,17%Dow Jones52.102▼ 0,46%Ibovespa168.157▼ 0,61%FTSE 10010.734▲ 0,11%DAX25.879▼ 0,62%Nikkei63.290▼ 2,12%DólarR$ 5,43▲ 0,82%EuroR$ 6,06▲ 0,56%BitcoinR$ 417.075▼ 0,72%Powered by WIREDESK OSS&P 5007.619▼ 1,31%Nasdaq25.617▼ 2,17%Dow Jones52.102▼ 0,46%Ibovespa168.157▼ 0,61%FTSE 10010.734▲ 0,11%DAX25.879▼ 0,62%Nikkei63.290▼ 2,12%DólarR$ 5,43▲ 0,82%EuroR$ 6,06▲ 0,56%BitcoinR$ 417.075▼ 0,72%Powered by WIREDESK OS
Powered by WIREDESK OS
Lançamentos de IA

Startup vai produzir data centers de IA em massa até 2028

Runware monta fábricas na Romênia para fabricar pods modulares de data center em linha de montagem, cortar o tempo de construção para 1 dia e instalar tudo em até 48 horas.

Startup vai produzir data centers de IA em massa até 2028

Tecnologia

Runware planeja revolucionar a produção de data centers com fábricas modulares na Romênia, acelerando a instalação para apenas 48 horas.

Leia também: Binance perde US$ 6,3 bi em ataque; saques são suspensos já

A Runware, empresa de infraestrutura para inteligência artificial, está montando na Romênia uma linha de montagem de pods modulares de data center que pretende chegar a 30 megawatts de capacidade por dia até 2028, quase 1 gigawatt por mês, com entrega dos módulos prontos para entrar em operação em até 48 horas no local do cliente.

Como essa startup pretende produzir data centers de IA em massa como carros?

A Runware vai aplicar ao data center o modelo de fábrica da indústria automobilística: produção em linha, com unidades padronizadas e configuráveis saindo quase como se fossem veículos. A empresa já tem uma planta em operação há alguns anos e ergue uma segunda fábrica na Romênia, prevista para começar a funcionar no início do próximo ano.

Essas unidades, batizadas de Sonic Inference Pods, são data centers completos montados dentro de estruturas modulares. Em vez de obras civis longas, o pod é construído na fábrica, testado e enviado por transporte rodoviário ao terreno escolhido pelo cliente — que pode ser fornecido pela própria Runware.

Segundo o cofundador e CEO, Flaviu Fadulescu, a produção em série reduz o tempo de construção de cada pod de três semanas para um dia. “Nosso tempo de entrega dos pods também é menor do que o prazo de chegada das GPUs atuais, o que nos dá tempo para adaptar a infraestrutura ao hardware encomendado”, afirma.

Os módulos saem com design padrão, mas são ajustados conforme a carga de computação e a geração de chips gráficos desejada. A Runware mantém uma equipe interna de hardware justamente para adaptar rapidamente a estrutura às novas GPUs. A meta é escalar a produção gradualmente a partir do próximo ano, até atingir os 30 megawatts diários de capacidade fabricada em 2028 — volume próximo ao total de potência de novos data centers que se projeta para todo o mercado norte-americano em um ano.

É possível montar um data center de IA online em 48 horas?

A promessa da Runware é colocar um pod de data center de IA em operação em até 48 horas depois que ele chega ao local. Esse prazo inclui montagem física, conexão de energia e internet e configuração básica dos sistemas.

O tempo de um dia citado pela empresa se refere à fabricação do módulo na linha de montagem. Depois que o pod sai da fábrica, a instalação no campo é pensada como um procedimento rápido e repetível: o terreno já chega preparado com acesso à rede elétrica e à conectividade, e o equipamento precisa apenas ser posicionado, conectado e testado.

O modelo comercial também é flexível. O cliente pode comprar o pod, alugar capacidade computacional da própria Runware ou levar suas GPUs e pagar uma mensalidade pela infraestrutura e operação, com energia e internet cobradas à parte. A empresa se compromete a fornecer peças de reposição em caso de falhas e a operar os módulos onde for necessário.

Entenda o contexto

A demanda por infraestrutura de IA cresce num ritmo que os modelos tradicionais de construção de data center têm dificuldade de acompanhar. Projetos gigantes, que levam anos entre planejamento, obra e comissionamento, colidem com a urgência de empresas de tecnologia, finanças, pesquisa e serviços digitais em escalar rapidamente sua capacidade de computação.

Nesse cenário, a aposta em data centers modulares de montagem rápida ganha tração. Outras companhias de tecnologia já anunciaram soluções para acelerar a construção de centros de processamento de IA, mas a Runware se destaca por já operar uma fábrica e estar concluindo uma segunda, dedicada à produção em massa desses pods.

Impacto no mercado de data centers de IA

Se entregar o que promete, a Runware pode pressionar o setor tradicional de construção de data centers, baseado em obras sob medida e cronogramas mais longos. Com quase 1 gigawatt de capacidade por mês prevista até 2028, a empresa se posiciona como fornecedora de grande escala para clientes globais de IA.

A companhia afirma ter recebido mais de US$ 1 bilhão em intenções de compra desde que passou a oferecer os pods a clientes externos, o que representa mais de 20 megawatts em pedidos que já estão em implementação. Para sustentar a expansão industrial, a Runware captou US$ 50 milhões em uma rodada Série A e soma mais de US$ 60 milhões levantados, com planos de abrir uma Série B.

Essa velocidade interessa principalmente a empresas que precisam ligar grandes clusters de GPU em meses, não em anos. É o caso de provedores de nuvem, plataformas de IA generativa, bancos que rodam modelos sofisticados de risco e fraude, e startups que nascem dependentes de alta capacidade computacional, mas não querem imobilizar capital em obras de infraestrutura.

Custos, riscos e gargalos da produção em massa

Escalar uma fábrica de data centers modulares, porém, exige logística fina, estoque de componentes e muito capital. O exemplo de startups de veículos elétricos que fracassaram ao tentar reinventar a manufatura serve de alerta para a Runware, que admite o desafio de contratar e treinar equipe, garantir inventário e alinhar toda a cadeia de suprimentos.

Fadulescu diz que a companhia desenhou um modelo de custos centrado em equipe enxuta de fábrica e uso de peças amplamente disponíveis. “Nossa estrutura de custos é muito diferente. Temos custo de pessoal e materiais, mas nossa equipe de fábrica é eficiente em relação ao valor do deploy de computação para IA”, afirma. A empresa trouxe um gestor de planta com experiência na indústria automotiva para ajudar a ajustar a operação.

Alguns componentes, como bombas e ventiladores, são importados, e a Runware ainda depende de grandes fabricantes de chips para partes da rede. A pressão por volumes elevados de GPUs e equipamentos de rede permanece um ponto sensível em um mercado global já aquecido.

Benefícios ambientais e uso de energia

Os pods da Runware usam um sistema de resfriamento líquido em circuito fechado, com radiadores a ar para dissipação de calor. Na prática, isso reduz ou elimina a necessidade de conexão a uma rede de água, problema frequente em grandes data centers que competem com cidades e agricultura por recursos hídricos.

A empresa afirma que os módulos só precisam de energia e internet para operar e que busca instalar seus data centers em terrenos menores do que os dos grandes operadores globais, aproveitando locais que já contam com infraestrutura elétrica, o que tende a diminuir o impacto na rede local.

“Estamos trabalhando com fornecedores de energia em um pipeline de sites cobrindo 397 megawatts, com potencial para expandir para 1,2 gigawatts”, diz Fadulescu. Segundo ele, a prioridade é fechar acordos com fontes renováveis sempre que possível, ampliando a rede de parceiros para tornar energia limpa a principal matriz dos projetos.

Com a segunda fábrica entrando em operação no início do próximo ano e planos de expansão para outros continentes, a Runware aposta que sistemas modulares se tornem o padrão para grandes implantações de IA, encurtando o prazo típico de um data center de anos para poucos meses.