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Meta fecha acordo em ação por vício em redes sociais nos EUA

Meta faz acordo em processo que a acusava de causar vício em redes sociais e evita julgamento em Los Angeles. Snap segue como única ré, com CEO previsto para depor.

Meta fecha acordo em ação por vício em redes sociais nos EUA

Tech Desk

Meta resolve processo nos EUA que questionava impactos do uso excessivo de suas plataformas digitais.

Leia também: GitHub sofre falhas em Actions, Pages e Webhooks e atrasa deploys

A Meta fechou um acordo em um processo por vício em redes sociais movido por uma jovem de 18 anos do Mississippi e, com isso, saiu de um julgamento que começaria em breve em Los Angeles; a Snap permanece como única ré e terá o CEO Evan Spiegel no centro das atenções.

Meta evita julgamento em caso de vício digital

O processo, visto como um dos principais casos-teste ("bellwether social media addiction trial") sobre vício em plataformas digitais nos Estados Unidos, acusa as empresas de contribuírem para danos à saúde mental de usuários jovens. A autora, identificada pelas iniciais K.D.B, relata ficar horas acordada rolando redes sociais, perda de foco nas aulas e episódios de automutilação inspirados em vídeos vistos nos aplicativos.

O acordo com a Meta foi anunciado depois do início da seleção do júri e pouco antes da abertura dos trabalhos no tribunal. Os termos não foram divulgados. Segundo a defesa da jovem, a empresa já havia acertado entendimentos em disputas semelhantes envolvendo outros serviços de vídeo e redes sociais.

A advogada de K.D.B, Emily Jeffcott, celebrou a decisão. "Estamos comprometidos em melhorar a segurança para crianças nas redes sociais e responsabilizar as empresas de tecnologia, e estamos satisfeitos por ter resolvido essa questão de forma justa em nome de nossa cliente", afirmou.

Em um julgamento anterior, que tratou de alegações parecidas, Meta e YouTube foram condenados a pagar US$ 6 milhões em indenização, o que aumentou a pressão sobre as plataformas em torno de falhas de segurança e do desenho de produtos que incentivam engajamento excessivo.

Snap vira foco do caso e terá CEO no banco de testemunhas

Com a saída da Meta, a Snap Inc. é agora a única ré da ação. O julgamento, previsto para se estender por várias semanas em Los Angeles, deve contar com o depoimento do CEO Evan Spiegel, marcando a primeira vez em que o fundador da empresa aparece em um processo sobre vício em redes sociais.

A empresa enfrenta acusações de que o Snapchat contribuiu para o comportamento compulsivo da jovem e para danos de saúde mental. A defesa nega que o aplicativo funcione como as redes sociais tradicionais que priorizam feeds de conteúdo e mecanismos de comparação social.

Em comunicado, um porta-voz da Snap disse que a ação "deturpa fundamentalmente" o funcionamento da plataforma. "Desde o início, o Snapchat foi construído de forma diferente das redes sociais tradicionais: ele abre na câmera, não em um feed, nem em um ranking do que outras pessoas postam ou outras métricas de comparação social", afirmou.

O representante destacou ainda que a empresa "construiu proteções na plataforma, introduziu ferramentas de segurança e recursos educacionais" e que acredita que as provas vão mostrar que a Snap prioriza a comunidade e que as alegações distorcem tanto a experiência dos usuários quanto o desenho do serviço.

Entenda o contexto

O caso integra uma onda de ações contra grandes plataformas de tecnologia nos Estados Unidos, que acusam empresas como Meta e Snap de falhas de segurança e de criar produtos que favorecem a dependência digital, especialmente entre adolescentes. As chamadas "social media addiction lawsuit" buscam responsabilizar as companhias por supostos efeitos nocivos, como ansiedade, depressão, perda de desempenho escolar e automutilação.

Além da disputa atual, empresas de redes sociais já enfrentaram outros processos de alto perfil. Em uma dessas ações, Meta e YouTube receberam condenação conjunta de US$ 6 milhões. A Snap, por sua vez, recentemente encerrou um litígio sobre o recurso "speed filter", acusado de ter incentivado comportamentos de direção em alta velocidade ligados a acidentes com adolescentes.

Para especialistas do setor jurídico e de tecnologia, o acordo fechado pela Meta neste processo específico reduz o risco de uma nova derrota pública e a exposição de documentos e executivos em um julgamento longo, mas mantém acesa a discussão sobre a responsabilidade das plataformas na saúde mental de jovens usuários. Já o desfecho do caso contra a Snap pode influenciar futuras ações, fortalecer pedidos de regulação mais rígida e mexer no modelo de engajamento que sustenta as grandes redes sociais.