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Lançamentos de IA

Crosby oferece US$ 200 mi por ativos e advogados do Weil Gotshal

Escritório de advocacia de IA Crosby fez oferta para comprar marca, nome e dados internos do tradicional Weil Gotshal, em dissolução, e mira contratação de parte dos 1.200 advogados.

Crosby oferece US$ 200 mi por ativos e advogados do Weil Gotshal

Aquisições

Crosby busca expandir presença no mercado jurídico adquirindo ativos valiosos do Weil Gotshal em processo de dissolução.

Leia também: Startup brasileira testa software que vira data center em órbita

O escritório de advocacia de inteligência artificial Crosby apresentou uma oferta para comprar ativos do tradicional Weil, Gotshal & Manges, em Wall Street, incluindo a marca, o nome e dados internos, e ainda tenta contratar parte dos 1.200 advogados do escritório que caminha para a dissolução.

Crosby quer herdar marca e talentos do Weil

A proposta da Crosby chega no momento em que o Weil Gotshal prepara a votação final para se dissolver, após semanas de crise, recusas na sucessão de liderança, saída de sócios importantes e o fracasso de uma fusão com o rival Willkie Farr & Gallagher. Em comunicado interno, o escritório afirmou que “Weil Gotshal está preparando uma votação para dissolução nos próximos dias”.

Do outro lado dos Estados Unidos, no Vale do Silício, a Crosby tenta transformar esse fim de ciclo em ponto de virada para um novo modelo de advocacia. A oferta envolve a aquisição da marca e de dados internos do Weil Gotshal, além de um esforço paralelo para absorver advogados da banca em liquidação. Os termos financeiros da proposta não foram divulgados, e não há garantia de que a transação será concluída.

Fundada há dois anos, a Crosby já levantou cerca de US$ 85 milhões, incluindo uma rodada Série B de US$ 60 milhões liderada por fundos como Lux e Index, além de aportes de Sequoia, Elad Gil, 01 Advisors e Bain Capital Ventures. A empresa saiu do modo discreto apoiada em US$ 5,8 milhões de seed money e hoje se apresenta como um novo tipo de player jurídico.

Entenda o contexto

O colapso do Weil Gotshal, um dos símbolos dos chamados escritórios “white-shoe” de Wall Street, expõe tensões internas de uma estrutura tradicional em um momento de forte pressão competitiva. A ruptura foi acelerada pela recusa do herdeiro natural à liderança em assumir o comando, pela debandada de advogados de alto faturamento e pelo arquivamento de uma fusão que poderia ter dado fôlego novo ao negócio.

Enquanto isso, a Crosby nasce com uma proposta quase oposta: menos hierarquia clássica e mais apoio tecnológico pesado ao trabalho jurídico. “Crosby é um escritório de advocacia real que usa IA para fornecer serviços jurídicos em uma velocidade nunca antes possível”, afirmam os fundadores da banca de tecnologia.

Ao optar por operar como escritório e não apenas vender software jurídico para terceiros, a Crosby tenta demonstrar na prática o potencial da inteligência artificial na rotina forense, em contraste com firmas como Harvey ou Legora, focadas em prover ferramentas para outros escritórios. A aposta é que clientes corporativos passem a exigir respostas cada vez mais rápidas e previsibilidade de custo — duas frentes em que a automação tem vantagem.

IA pressiona modelo tradicional de grandes bancas

A movimentação em torno do Weil Gotshal é vista por analistas do setor como um símbolo da virada tecnológica em curso na advocacia, historicamente um dos segmentos mais resistentes à automação. “A ascensão da IA pode ser a chave para o futuro da indústria jurídica”, avaliam especialistas ouvidos pelo mercado.

Na prática, um eventual acordo daria à Crosby um atalho raro: o acesso à marca consolidada de um gigante de Wall Street, a relacionamento com grandes clientes e a um contingente expressivo de talentos, agora em busca de reposicionamento. Advogados que migrarem para o escritório de IA devem encontrar um ambiente em que tarefas repetitivas — como pesquisa de jurisprudência e revisão de contratos padronizados — são em grande parte automatizadas, liberando tempo para estratégia e negociação.

Para escritórios tradicionais, o recado é claro. Modelos pesados, com estruturas inchadas e pouca integração tecnológica, tendem a perder espaço para bancas mais enxutas e data-driven. A pressão não vem apenas da eficiência, mas também do apetite de investidores: ao atrair nomes como Lux, Index e Sequoia, a Crosby mostra que o capital de risco está disposto a financiar a ruptura do modelo clássico de grandes firmas.

Por ora, o cenário segue em aberto. O Weil Gotshal ainda precisa concluir a votação de dissolução e negociar os termos da venda de seus ativos, enquanto a Crosby disputa advogados e informações valiosas com outros concorrentes interessados. Independentemente do desfecho, o episódio já alimenta debates em Wall Street, no Vale do Silício e em faculdades de direito sobre até que ponto a inteligência artificial vai redesenhar a profissão e quais limites regulatórios precisarão ser discutidos a partir de agora.