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Esporte

Corinthians x Fever: clube negocia R$ 50 mi para pagar salários

Corinthians encaminha pré-contrato com a Fever para gestão de bilheteria e Fiel Torcedor, com adiantamento de R$ 50 milhões, e abre crise com a atual parceira OneFan.

Corinthians x Fever: clube negocia R$ 50 mi para pagar salários

Esportes

Clube paulista negocia com empresa para antecipar receita e quitar salários, gerando atrito com atual parceira.

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Pressionado por atrasos salariais e dívidas fiscais na reta final do Campeonato Brasileiro, o Corinthians encaminha um pré-contrato com a Fever para assumir a bilheteria da Neo Química Arena e o Fiel Torcedor, em substituição à OneFan, e projeta usar um adiantamento de R$ 50 milhões para colocar as contas em dia com o elenco e órgãos oficiais.

O que está em jogo na troca de parceira

O acordo costurado pela diretoria de Osmar Stábile prevê que a Fever, plataforma global de entretenimento e tecnologia, passe a operar a venda de ingressos e o programa de fidelidade do clube. O pacote inclui adiantamento imediato de R$ 50 milhões, possibilidade de patrocínio na camisa e linhas de antecipação de recebíveis com juros de CDI mais 4% ao ano.

Com esse fôlego de caixa, o Corinthians planeja quitar três meses de direitos de imagem atrasados do elenco profissional, além de pendências de férias e premiações. A diretoria também mira o pagamento de cerca de R$ 19 milhões em dívidas junto à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional e das parcelas em atraso na Câmara Nacional de Resolução de Disputas da CBF.

Nos bastidores, pessoas ligadas ao presidente afirmam que, com a mudança de operação, a margem de ganho do Corinthians sobre a bilheteria tende a ser maior do que no modelo atual com a OneFan, o que, na avaliação da cúpula alvinegra, ajudaria a estabilizar o ambiente interno na sequência decisiva do Brasileirão.

Notificação da OneFan e ameaça de batalha judicial

A ofensiva para fechar com a Fever fez a OneFan reagir. A atual gestora da bilheteria, responsável também pelo Fiel Torcedor e pelo aplicativo Universo SCCP, enviou notificação extrajudicial ao clube, endereçada a Osmar Stábile e ao presidente do Conselho Deliberativo, Romeu Tuma Júnior.

No documento, a empresa sustenta que tem contrato de exclusividade com o Corinthians até 2032 e que qualquer rompimento agora seria irregular, com necessidade de aviso prévio de um ano se não houver motivo específico para a rescisão. A OneFan fala em “valores substanciais” em aberto por serviços prestados recentemente, como reembolsos de servidores e custos de operação de jogos.

A multa de ruptura é calculada com base em dez vezes a média mensal do faturamento bruto da empresa nos últimos 12 meses, além de luvas proporcionais, e é estimada em R$ 30 milhões. A tendência no Parque São Jorge é de contestar os valores na Justiça caso o rompimento seja confirmado.

Na notificação, a OneFan adverte a diretoria alvinegra: “A OneFan notifica vossas senhorias e as adverte para que se abstenham de promover a rescisão irregular do contrato, que causaria sérios prejuízos aos milhares de torcedores-consumidores do Corinthians, sob pena de adoção de todas as medidas cabíveis, incluindo o ajuizamento de ação judicial, a fim de manter o contrato em vigor pelo prazo nele estabelecido e as suas disposições, bem como medidas na esfera criminal; a apresentação de reclamação fundamentada perante a Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade ao Futebol, e a reparação integral de prejuízos porventura causados”.

A empresa ainda ressalta, no mesmo documento, que ajudou o clube a buscar parceiros em meio à crise de caixa: “Ainda, a OneFan, como é de conhecimento de V.Sas., auxiliado o SCCP na busca de parceiros para aliviar os problemas de caixa do clube, os quais, no entanto, não autorizam e nem justificam a ruptura unilateral, repentina e abusiva de uma parceria de sucesso”.

Entenda o contexto

O Corinthians convive com três meses de atrasos em direitos de imagem, férias e premiações do elenco profissional masculino, além de dívidas com a Receita e com a CBF. O cenário de aperto financeiro se mistura com a pressão esportiva nesta reta final do Campeonato Brasileiro, aumentando o peso de cada decisão de caixa tomada pelo clube.

Dentro do Parque São Jorge, a troca da gestora de ingressos é vista como uma demanda antiga. Antes da Fever, a diretoria conversou com outras empresas de bilheteria, mas não avançou para um acordo. A indicação da plataforma espanhola ao Corinthians partiu do ex-executivo de futebol Marcelo Paz, que atua hoje no mercado.

A Fever, de origem europeia, atua globalmente na venda de ingressos e na promoção de experiências culturais e de lazer, e nos últimos anos ampliou sua presença no esporte, firmando acordos com grandes clubes e competições internacionais. O movimento do Corinthians é observado por outras equipes brasileiras, que acompanham com atenção os desdobramentos da disputa contratual com a OneFan.

Decisão final ficará com a próxima gestão

A estratégia da atual diretoria é deixar um pré-contrato pronto com a Fever antes da eleição presidencial marcada para novembro, de forma que o próximo presidente decida se leva o negócio adiante. Pelo desenho em discussão, o Corinthians receberia agora os R$ 50 milhões em luvas e adiantamentos vinculados à parceria, mas teria de devolver o valor e pagar multa caso a nova gestão opte por não seguir com o acordo.

A possibilidade de uma batalha jurídica com a OneFan, que ameaça acionar também a Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade ao Futebol e a esfera criminal, adiciona risco financeiro e reputacional à operação. O clube calcula que, mesmo com uma disputa na Justiça para reduzir a multa estimada em R$ 30 milhões, o ganho imediato de caixa e a perspectiva de receitas maiores com a Fever compensariam o desgaste.

Enquanto o impasse corre nos bastidores, o Corinthians tenta blindar o elenco, quitar as pendências e concentrar forças em campo. A forma como o caso será conduzido pode influenciar não só a próxima gestão alvinegra, mas também o padrão de contratos de bilheteria e programas de sócio-torcedor no futebol brasileiro.