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Inteligência Artificial

Apps falsos de IA infectam PCs e mineram criptomoedas sem aviso

Golpistas criam falsos apps de IA, enganam buscas no Google e instalam o malware Yoba em PCs para minerar criptomoedas em segredo, alerta a Check Point Research.

Segurança Digital

Golpistas utilizam apps falsos de IA para infectar computadores e minerar criptomoedas sem consentimento.

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Criminosos digitais estão usando aplicativos falsos de inteligência artificial para infectar computadores e transformar as máquinas das vítimas em mineradoras clandestinas de criptomoedas, em uma campanha recente detalhada pela Check Point Research. Os falsos apps se passam por versões avançadas de assistentes como ChatGPT e Claude e podem deixar PCs lentos, elevar a conta de luz e até abrir caminho para ataques mais graves.

Apps falsos de IA enganam buscas e escondem malware

De acordo com a análise técnica divulgada no dia 27, os golpistas criam projetos falsos em plataformas de desenvolvimento que prometem ferramentas de IA inexistentes ou turbinadas, associadas a nomes populares do setor. Para chegar até as vítimas, eles manipulam resultados em mecanismos de busca como o Google, usando envenenamento de SEO para empurrar os links maliciosos para o topo.

Quando o usuário acessa essas páginas e baixa o arquivo compactado, acredita estar instalando um assistente moderno de IA no computador. O pacote, porém, traz executáveis legítimos, assinados por empresas reais, acompanhados de bibliotecas contaminadas. Essas bibliotecas usam a técnica de sideloading de DLL para que o código malicioso seja carregado junto com o programa confiável.

No relatório técnico, os especialistas afirmam que “essa estratégia serve para burlar defesas de segurança tradicionais”, já que vários antivírus tendem a confiar mais em arquivos assinados e em programas conhecidos.

Yoba transforma PC em mineradora escondida

O malware identificado na campanha foi batizado de Yoba. Assim que o pacote é executado, a ameaça é instalada de forma silenciosa em segundo plano, conecta-se a servidores controlados pelos criminosos e configura mecanismos de persistência para continuar ativa mesmo após o computador ser reiniciado.

O foco atual é usar toda a capacidade de processamento dos equipamentos infectados para minerar criptomoedas sem o consentimento do dono do PC. “O objetivo final dos invasores nesta onda de ataques é instalar um programa focado em gerar criptomoedas de forma secreta, usando toda a capacidade de processamento e a energia elétrica da vítima para enriquecer os golpistas”, descreve a Check Point Research.

Na prática, isso pode causar lentidão geral do sistema, travamentos, superaquecimento, desgaste acelerado do hardware e aumento na conta de energia, afetando tanto usuários domésticos quanto empresas com parques de computadores mais robustos.

Entenda o contexto

A campanha explora o interesse crescente por ferramentas de IA, especialmente versões supostamente antecipadas, desbloqueadas ou mais poderosas de produtos conhecidos. Usuários que buscam “builds” alternativas em plataformas de desenvolvimento ou que clicam em resultados patrocinados e links suspeitos nas buscas se tornam alvos preferenciais.

O uso do sideloading de DLL torna a ameaça mais difícil de detectar e remover, porque o componente malicioso se esconde ao lado de arquivos legítimos. A Check Point Research alerta que, embora hoje o foco esteja na mineração de criptomoedas, a mesma infraestrutura pode ser reconfigurada para roubo de dados, espionagem ou instalação de outros tipos de malware, o que eleva o risco para setores como finanças, saúde e governo.

Como se proteger de aplicativos falsos de IA

Os especialistas recomendam cautela redobrada ao baixar qualquer software relacionado a inteligência artificial. A orientação é evitar versões “milagrosas” ou não oficiais de ferramentas populares e sempre priorizar sites oficiais das empresas desenvolvedoras e lojas confiáveis de aplicativos.

Para empresas, a sugestão é reforçar políticas de download controlado, manter soluções de segurança atualizadas e monitorar uso anormal de CPU e energia nos servidores e estações de trabalho, o que pode indicar mineração clandestina. Usuários comuns devem desconfiar de arquivos compactados enviados por e-mail, links em redes sociais e resultados de busca que prometem funções muito além do que as versões oficiais divulgam.

A Check Point Research aponta ainda que vale a pena revisar máquinas que apresentem queda súbita de desempenho, uso constante de ventiladores e aquecimento fora do normal, buscando possíveis sinais do Yoba ou de outros mineradores ocultos que surfam a onda da inteligência artificial.