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Inteligência Artificial

Ceia-UFG lança Lumi, IA grátis em português para empresas

Ceia-UFG apresenta o Lumi, modelo de linguagem em português gratuito para empresas, e detalha R$ 91 milhões em investimentos de Goiás e bilhões previstos em novos aportes.

Ceia-UFG lança Lumi, IA grátis em português para empresas

Inteligência Artificial

Ceia-UFG apresenta modelo de linguagem gratuito em português para impulsionar negócios com tecnologia avançada.

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O Centro de Excelência em Inteligência Artificial da Universidade Federal de Goiás (Ceia-UFG) apresentou o Lumi, modelo de linguagem de inteligência artificial em português, adaptado ao contexto brasileiro e disponível de forma gratuita para empresas, durante o AI Brasil Experience 2026, em São Paulo. A iniciativa se apoia em um pacote de R$ 91 milhões em investimentos do Governo de Goiás no centro e mira ampliar a autonomia tecnológica do país, com impacto direto na atração de novos negócios e na competitividade de empreendedores que não conseguem pagar por soluções internacionais em moeda estrangeira.

IA em português para reduzir dependência externa

Desenvolvido pelo Ceia-UFG, o Lumi é um modelo de linguagem treinado em português e calibrado para a realidade local, permitindo que empresas criem suas próprias aplicações de inteligência artificial sem custo de licença. A proposta é oferecer uma alternativa nacional às plataformas estrangeiras, normalmente cobradas em dólar e operadas em infraestrutura de fora do país.

Segundo o diretor de Inovação do Ceia-UFG, Arlindo Galvão, o foco é destravar projetos de quem já tem conhecimento e dados, mas esbarra no custo das tecnologias globais. “É uma ferramenta para cobrir aquela etapa em que o empreendedor ainda não consegue fluir. Muitas vezes ele tem o know-how, os dados, mas não consegue bancar em dólar as soluções”, afirma.

Com o Lumi, empresas de setores como tecnologia, finanças, varejo, indústria e serviços públicos podem rodar modelos em português em servidores próprios ou provedores locais, com maior controle sobre dados sensíveis e menos exposição a variações cambiais e barreiras contratuais impostas por grandes fornecedores internacionais.

Investimentos públicos e efeito em cadeia

O Governo de Goiás já destinou cerca de R$ 91 milhões ao Ceia-UFG, por meio de dois convênios: um de R$ 13 milhões e outro de R$ 78 milhões. Os recursos permitiram estruturar o centro, hoje com mais de mil pesquisadores em atividade e uma carteira de mais de 100 clientes atendidos em projetos de inteligência artificial.

Os resultados já aparecem na ponta. As soluções desenvolvidas pelo Ceia-UFG contribuíram para atrair mais de R$ 500 milhões em investimentos privados, com grandes empresas como Google, iFood, Itaú, Natura, Vivo, WEG, Cemig e Volkswagen Caminhões utilizando tecnologias criadas no centro em seus negócios.

Ao participar do evento em São Paulo, o governador eleito de Goiás, Daniel Vilela, destacou que a aposta é de longo prazo e pode multiplicar os recursos movimentados pelo ecossistema de inovação do estado. “A gente tem uma expectativa, se seguir a proporção do primeiro convênio, de chegar em R$ 3 bilhões de atração em investimentos, mas somos comedidos. O fato é que estamos apostando e acreditando muito que esse distrito vai consolidar Goiás e a pesquisa de inteligência artificial”, disse.

Entenda o contexto

O Ceia-UFG vem se firmando como um dos polos de desenvolvimento de inteligência artificial no país, combinando pesquisa acadêmica e aplicações práticas para o setor público e privado. Entre os projetos em andamento estão o programa IA Contra o Crime, voltado ao apoio às forças de segurança, e o Pequi Bank, apresentado como o primeiro banco digital público do Brasil, além de ferramentas aplicadas à gestão do serviço público e ao campo.

Com o lançamento do Lumi, o centro amplia o alcance dessas iniciativas, oferecendo ao mercado uma base tecnológica aberta para que empresas de diferentes portes criem suas próprias soluções em cima do modelo. A expectativa do governo goiano e da UFG é que a ferramenta se torne alavanca para novos negócios, ajude a formar quadros especializados em IA e fortaleça o distrito tecnológico que está sendo estruturado no estado.

Na prática, o sucesso do Lumi vai depender da adesão das empresas, da capacidade de atualização constante do modelo para acompanhar a fronteira global da IA e da manutenção dos investimentos públicos e privados. Para o Ceia-UFG e o Governo de Goiás, porém, o recado dado em São Paulo é claro: a aposta é que uma IA feita em português, com infraestrutura e governança locais, possa reposicionar o Brasil no mapa da inteligência artificial e reduzir a dependência de soluções importadas.