Trump diz que Flávio Bolsonaro pode ficar nos EUA “o tempo que quiser”
Em Mar-a-Lago, Trump afirmou que Flávio Bolsonaro foi tratado “muito mal” no Brasil, criticou a eleição vencida por Lula e abriu as portas dos EUA ao senador, que fugiu após ações do STF.

Política Internacional
Em Mar-a-Lago, Trump critica tratamento dado a Flávio Bolsonaro no Brasil e comenta eleição de Lula.
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pode permanecer em território norte-americano pelo tempo que desejar, disse que o brasileiro foi tratado “muito mal” no Brasil e voltou a atacar a eleição presidencial vencida por Luiz Inácio Lula da Silva (PT). As declarações foram dadas em Mar-a-Lago, clube de Trump em Palm Beach, na Flórida, enquanto o parlamentar se mantém nos EUA após deixar o país sob pressão de decisões do Supremo Tribunal Federal (STF).
Trump abre portas a Flávio e ataca eleição brasileira
Questionado por jornalistas sobre Flávio Bolsonaro, Trump afirmou não ter intenção de se encontrar com o senador na Flórida, mas fez questão de sinalizar acolhimento político e pessoal. “Não tenho planos de encontrá-lo, mas acho que ele foi tratado muito mal, muito mal mesmo. Então, ele pode ficar aqui pelo tempo que quiser. Ele é bem-vindo”, disse o presidente norte-americano.
Na mesma conversa, Trump atacou o processo eleitoral que levou Lula à Presidência no segundo turno realizado em 25 de outubro de 2026. “Na minha opinião, a eleição foi uma vergonha. Ele foi tratado muito mal. E pode ficar aqui pelo tempo que quiser”, declarou, sem apresentar qualquer prova de irregularidade e evitando responder de forma direta se reconhece o resultado.
Na prática, o aceno de Trump amplia a margem de segurança política para Flávio nos EUA, num momento em que o senador é alvo de investigações no Brasil e deixou o país alegando risco de sofrer medidas mais duras determinadas pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF.
Como foi a saída de Flávio do Brasil
Flávio Bolsonaro deixou o Brasil na terça-feira, 27 de outubro de 2026, acompanhado da mulher e das duas filhas adolescentes. A família afirma ter saído às pressas diante da expectativa de novas decisões judiciais de Moraes após o fim da eleição presidencial.
No domingo da votação, o Tribunal Superior Eleitoral oficializou a vitória de Lula com 64.256.232 votos, o equivalente a 51,79% dos votos válidos, contra 59.826.041 votos (48,21%) dados a Flávio. Sete minutos depois do anúncio do resultado, a Polícia Federal enviou ao STF um pedido de apreensão do passaporte do senador e de proibição de sua saída do país.
Alexandre de Moraes, que preside o TSE e conduz investigações envolvendo o entorno bolsonarista no STF, autorizou a apreensão. Quando a decisão foi chancelada, porém, Flávio e a família já haviam embarcado, o que impediu a execução imediata da medida.
Marco Rubio nega participação dos EUA na fuga
As declarações de Trump ocorreram no mesmo dia em que o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, tentou afastar o governo dos EUA de qualquer suspeita de colaboração direta na saída de Flávio do Brasil. Em coletiva de imprensa em Atlanta, durante reunião de chanceleres do G20, Rubio foi questionado sobre o caso.
“Não participamos de nenhum dos preparativos que ele fez para sair. Pelo menos o governo dos Estados Unidos não esteve diretamente envolvido em nenhuma das movimentações realizadas”, afirmou o secretário de Estado.
Ao mesmo tempo em que Trump oferece abrigo político e discursivo a Flávio, a posição formal do Departamento de Estado busca preservar a imagem institucional de Washington, em meio ao aumento da tensão com Brasília.
Entenda o contexto
A fuga de Flávio Bolsonaro e o acolhimento verbal de Trump ocorrem num cenário de forte polarização após a eleição brasileira. Lula venceu a disputa presidencial em segundo turno apertado, em meio a uma campanha marcada por ataques ao sistema de apuração eletrônica e embates diretos com o Judiciário.
Alexandre de Moraes tornou-se alvo preferencial de aliados de Flávio ao comandar investigações sobre desinformação, ataques às instituições e tentativa de deslegitimação do processo eleitoral. A equipe do senador sustenta que a família corre risco de sofrer perseguição política e judicial; o STF, por sua vez, afirma atuar dentro das atribuições constitucionais e reitera a legalidade do pleito.
A permanência de Flávio nos EUA, respaldada pelo discurso do presidente norte-americano, tende a travar o cumprimento de decisões da Justiça brasileira em relação ao senador e abre caminho para um impasse prolongado, com possíveis pedidos de cooperação internacional e extradição. Na arena política, a fala de Trump alimenta narrativas de questionamento ao resultado da eleição no Brasil e adiciona mais um ponto de atrito às relações entre os dois países.


