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Economia

FBI aponta Coreia do Norte no roubo de US$ 6,3 bi na Binance

FBI responsabiliza grupo ligado à Coreia do Norte por ataque de 20 minutos que tirou US$ 6,3 bilhões da Binance. Corretora cobre 90% das perdas e promete ressarcir 100%.

FBI aponta Coreia do Norte no roubo de US$ 6,3 bi na Binance

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Grupo norte-coreano é acusado de ataque relâmpago que resultou em bilionária perda na corretora de criptomoedas.

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O FBI acusou neste fim de semana a Coreia do Norte de comandar o ataque hacker que drenou US$ 6,3 bilhões (cerca de R$ 34 bilhões) em criptomoedas da Binance, maior corretora do mundo, em uma ação de 20 minutos que já é tratada como o maior roubo da história do setor e leva a suspensões temporárias de saques na plataforma.

Como foi o ataque e quem está por trás

De acordo com o órgão americano, o ataque partiu do TraderTraitor, grupo de cibercriminosos patrocinado pela Coreia do Norte. Em menos de meia hora, os invasores conseguiram acessar sistemas da Binance e esvaziar carteiras digitais, em uma operação coordenada que mirou múltiplos ativos.

O FBI afirma ter identificado que os hackers estão convertendo parte relevante dos valores roubados para ether, a criptomoeda da rede Ethereum, e usando serviços descentralizados e trocas instantâneas para tentar despistar autoridades e completar a lavagem do dinheiro.

Em comunicado, o órgão pediu a outras empresas do setor que bloqueiem transações envolvendo os endereços de carteira ligados ao TraderTraitor, na tentativa de congelar a circulação dos ativos e dificultar que sejam trocados por moedas tradicionais.

Trump critica falta de rastros no dinheiro digital

Na sexta-feira, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, já havia dito que o governo investigava a participação de hackers ligados à Coreia do Norte no ataque. Ele voltou a criticar a dificuldade de rastrear transações digitais.

“Você sabe como era antigamente, quando você assinava um cheque e o sacava? Essas pessoas são diferentes. Nunca mais vemos o dinheiro. Então, sempre achei isso um pouco perigoso”, afirmou Trump, ao comentar o caso.

Binance roubo: o que acontece com os clientes

A Binance informou que já cobriu 90% do valor das perdas e que dez criptomoedas, incluindo bitcoin (BTC) e ether (ETH), tiveram os saldos totalmente recompostos. A corretora diz que está usando recursos próprios e promete ressarcir 100% do valor roubado.

A empresa confirmou a suspensão temporária de saques de criptomoedas como medida de contenção e segurança, mas afirma que as operações serão normalizadas gradualmente, à medida que os sistemas forem verificados e reforçados.

Para investidores brasileiros, a Binance reforçou a mensagem de que os recursos locais não foram afetados. “No Brasil, investimentos de clientes permaneceram seguros porque são mantidos em cold wallets”, informou a empresa em comunicado.

As chamadas carteiras frias guardam as chaves de acesso às criptomoedas desconectadas da internet, o que reduz a superfície de ataque para hackers. Especialistas, no entanto, lembram que a proteção não é absoluta e que falhas em outros pontos da operação ainda podem gerar perdas.

Impacto no Bitcoin hoje e no mercado cripto

O roubo bilionário na Binance tende a aumentar a volatilidade do mercado de criptomoedas, com movimentos defensivos de investidores e maior cautela em negociações de ativos como o bitcoin hoje, mesmo com a sinalização de ressarcimento integral pela corretora.

Analistas avaliam que o episódio expõe, mais uma vez, a vulnerabilidade de grandes plataformas diante de ataques sofisticados e pode acelerar mudanças internas em políticas de custódia, gestão de risco e monitoramento de transações suspeitas.

Ao mesmo tempo, o caso deve alimentar debates entre reguladores sobre regras específicas para o setor, como exigências mínimas de segurança cibernética, reservas para cobrir incidentes e protocolos de cooperação em investigações internacionais.

Entenda o contexto

A Binance é hoje a maior corretora de criptomoedas do planeta em volume negociado e tem forte presença no Brasil. Aqui, a empresa diz seguir as normas do Banco Central, que exigem a separação entre recursos dos clientes e patrimônio próprio da corretora, o que ajuda a isolar eventuais problemas financeiros da empresa do dinheiro dos usuários.

Essa separação, porém, não elimina o risco de ataques hackers nem garante por si só o ressarcimento de perdas. No caso atual, a própria Binance decidiu assumir o prejuízo para evitar dano direto aos clientes e tenta, em paralelo, colaborar com autoridades na tentativa de rastrear os valores desviados.

A acusação formal do FBI contra a Coreia do Norte amplia a dimensão geopolítica do episódio e deve aumentar a pressão internacional para conter o uso de ataques cibernéticos como fonte de financiamento de regimes sob sanções, abrindo espaço para novos mecanismos de cooperação e monitoramento no mercado global de criptoativos.