Mercados
S&P 5007.580▼ 1,82%Nasdaq25.437▼ 2,86%Dow Jones51.770▼ 1,09%Ibovespa167.922▼ 0,75%FTSE 10010.730▲ 0,07%DAX25.818▼ 0,85%Nikkei63.290▼ 2,12%DólarR$ 5,44▲ 0,03%EuroR$ 6,07▼ 0,46%BitcoinR$ 421.148▲ 0,87%Powered by WIREDESK OSS&P 5007.580▼ 1,82%Nasdaq25.437▼ 2,86%Dow Jones51.770▼ 1,09%Ibovespa167.922▼ 0,75%FTSE 10010.730▲ 0,07%DAX25.818▼ 0,85%Nikkei63.290▼ 2,12%DólarR$ 5,44▲ 0,03%EuroR$ 6,07▼ 0,46%BitcoinR$ 421.148▲ 0,87%Powered by WIREDESK OS
Powered by WIREDESK OS
Economia

Leilão de transmissão da Aneel garante R$ 8,87 bi em obras

Último leilão de transmissão de 2026 contratou R$ 8,87 bilhões em investimentos em sete estados, com deságio médio de 50,1% e economia de R$ 20,77 bilhões nas contas de luz.

Leilão de transmissão da Aneel garante R$ 8,87 bi em obras

Energia

Leilão de transmissão de 2026 atrai investimentos bilionários e reduz custos para consumidores em sete estados.

Leia também: Ataque hacker na Binance derruba Bitcoin e liquida US$ 1,5 bi

O último leilão de transmissão de energia de 2026, realizado pela Aneel na B3 em São Paulo, contratou R$ 8,87 bilhões em investimentos e fechou com deságio médio de 50,10% na Receita Anual Permitida (RAP), o que deve garantir economia estimada de R$ 20,77 bilhões aos consumidores ao longo dos 30 anos de concessão.

Os oito lotes ofertados, distribuídos por Bahia, Goiás, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Paraná, Rondônia e São Paulo, foram todos arrematados. As vencedoras principais foram Celeo Redes Brasil, Cymi Construções e Participações e Neoenergia, que levaram seis dos oito lotes e consolidaram posição de peso na expansão da rede que leva a energia elétrica, de onde vem a eletricidade que abastece casas, comércios e indústrias, até os centros de consumo.

Quem foram os maiores vencedores no último leilão de transmissão de energia da Aneel?

As maiores vencedoras do leilão foram Celeo Redes Brasil, Cymi e Neoenergia, que ficaram com seis dos oito lotes e a maior parte dos R$ 8,87 bilhões em obras.

A Celeo saiu do certame como principal investidora, responsável por R$ 4,86 bilhões em projetos, o equivalente a 54,83% do total contratado. A empresa arrematou, entre outros, o Lote 4, que concentra o maior volume individual de investimentos e é considerado estratégico para o escoamento de energia renovável e para a integração elétrica entre Brasil e Bolívia.

A Cymi Construções e Participações levou os Lotes 3 e 5, com cerca de R$ 2,5 bilhões em empreendimentos, aproximadamente 23% do volume total. A Neoenergia ficou com os Lotes 1 e 7, somando R$ 1,2 bilhão em investimentos em novas linhas e reforços de subestações.

No conjunto, os projetos preveem 1.866 quilômetros de novas linhas de transmissão, ampliação de 12.694 MVA em capacidade de transformação de subestações e a continuidade da operação e manutenção de 483 quilômetros de linhas já existentes, reforçando a malha que interliga a geração às cidades brasileiras.

Quanto o Mato Grosso do Sul recebeu no leilão de transmissão de energia da Aneel?

Mato Grosso do Sul recebeu R$ 4,11 bilhões em investimentos no Lote 4, o maior do leilão de transmissão de 2026.

Vencido pela Celeo Redes Brasil com deságio de 50,55% na RAP, o Lote 4 prevê 1.167 quilômetros de novas linhas de transmissão e a construção de subestações em Mato Grosso do Sul, Paraná e Goiás. A estimativa é de geração de 8.225 empregos durante a implantação, com prazo de até 60 meses a partir da assinatura dos contratos para entrada em operação comercial.

No território sul-mato-grossense, o projeto eleva a tensão da Rede Básica para 500 kV, hoje limitada a 230 kV nesse nível. Isso aumenta a capacidade de transporte da energia produzida no estado, especialmente de fontes renováveis como biomassa e solar, e abre espaço para a conexão de novos empreendimentos de geração.

Entre as obras, está a linha de 500 kV entre Rio Brilhante (MS) e Sarandi (PR), com 620 quilômetros, além de uma nova subestação em Rio Brilhante com níveis de 500/230/138 kV e capacidade de transformação de 2.400 MVA. Outro trecho liga Rio Verde Norte (GO) a Chapadão (MS) e Chapadão a Rio Brilhante, totalizando 547 quilômetros, com a construção da Subestação Chapadão, de 500/230 kV e 1.200 MVA.

O reforço também é considerado estratégico para a integração elétrica internacional entre Brasil e Bolívia e para a conexão entre Mato Grosso do Sul, Goiás e Paraná, fortalecendo o fluxo de energia entre regiões e a segurança do sistema.

O que significa o deságio médio de 50,1% no leilão de transmissão de energia?

O deságio médio de 50,10% significa que as empresas aceitaram receber, em média, metade da Receita Anual Permitida máxima definida pela Aneel para construir, operar e manter as linhas de transmissão.

Na prática, a RAP máxima somava R$ 1,625 bilhão por ano, mas as propostas vencedoras totalizaram R$ 811,09 milhões anuais. Essa diferença se traduz em economia estimada de R$ 20,77 bilhões para os consumidores ao longo dos 30 anos de concessão.

Segundo o secretário de Leilões da Aneel, Ivo Sechi Nazareno, o resultado mostra que a volatilidade recente do mercado financeiro não afastou o capital de longo prazo do setor elétrico. “Se a gente olhar o resultado de hoje, sob o ponto de vista da alegada turbulência, ele parece até contraintuitivo, porque o deságio permaneceu em torno de 50%, apesar da subida do dólar, apesar da eventualidade da manutenção ou de discussões a respeito da expectativa futura da taxa de juros. O que demonstra que esses negócios são, de certa forma, blindados em relação a essas oscilações de curto prazo”, afirmou.

Para Nazareno, o comportamento dos investidores indica confiança na estabilidade regulatória e na previsibilidade dos contratos de transmissão: “Os investidores continuam acreditando no setor elétrico e as questões de curto prazo não afetam essa infraestrutura de longo prazo, uma vez que os contratos são longos e vão acomodar, durante sua vida, essas oscilações momentâneas que acontecem”.

Entenda o contexto

O leilão encerra o ciclo de expansão da transmissão previsto até 2026, que mobiliza dezenas de bilhões de reais em obras para conectar novos parques de geração, em especial de fontes renováveis, e reforçar a rede existente. Coordenadas pelo Ministério de Minas e Energia e operacionalizadas pela Aneel, as licitações integram programas federais de infraestrutura e são um dos principais canais de atração de capital privado para o setor elétrico.

Ao ampliar a capacidade de escoar energia limpa de regiões produtoras para os grandes centros e reforçar a interligação entre estados, esses projetos reduzem o risco de sobrecarga, quedas de tensão e apagões localizados, além de criar condições para que indústrias, comércio e residências tenham acesso a energia mais estável e, potencialmente, com tarifas mais competitivas.

Quais são os detalhes dos leilões de transmissão de energia previstos pela Aneel para 2027?

Para 2027, a Aneel prevê três leilões de transmissão de energia, com potencial de superar R$ 50 bilhões em investimentos, o que pode tornar alguns desses certames os maiores já realizados no país nessa área.

De acordo com o secretário de Leilões da Aneel, o primeiro leilão do ano está previsto para abril. No segundo semestre, a agência planeja dois certames, um em outubro e outro em dezembro, que devem ser instruídos de forma conjunta, mas com divisão de escopo.

Um dos leilões do segundo semestre, programado para outubro, deve inaugurar no Brasil o uso de uma tecnologia de corrente contínua baseada em conversores VSC (Voltage Source Converter), considerada mais moderna e complexa do que as soluções adotadas nos projetos atuais, em corrente alternada. “Para o segundo semestre, há uma expectativa de duas licitações de transmissão, uma envolvendo o sistema de corrente contínua e tecnologia inédita, VSC. Em detrimento das tecnologias das contratações anteriores que são diferentes, ela é mais complexa, elaborada e mais moderna. Provavelmente esses contratos que se originarem desse leilão serão os maiores que o Brasil já contratou em transmissão”, disse Nazareno.

A licitação de dezembro deve ficar concentrada em projetos em corrente alternada, padrão predominante da rede hoje. A separação por tecnologia permite planejar melhor os riscos e a operação dos futuros empreendimentos, além de estimular a adoção de soluções mais eficientes e seguras em trechos de alta complexidade do sistema.

Os contratos do leilão concluído agora têm assinatura prevista para fevereiro de 2027, com prazos de 42 a 60 meses para que as novas linhas e subestações entrem em operação comercial. A partir daí, o sistema elétrico brasileiro deve ganhar fôlego adicional para escoar a energia de novos projetos de geração renovável e atender ao crescimento da demanda em setores como indústria, serviços e data centers, que dependem diretamente da qualidade e do custo da energia elétrica.