Copom define nesta quarta fim do ciclo de cortes da Selic 13,5%
Copom decide na quarta a taxa básica, com mercado apostando no fim dos cortes em 13,5% ao ano. Semana ainda tem midterms nos EUA, indicadores econômicos e balanços de Itaú, Magalu, C&A e Sabesp.

Mercado Financeiro
Decisão do Copom marca possível encerramento da redução da taxa básica de juros em 13,5% ao ano.
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O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central entra nesta semana sob pressão para interromper o ciclo de cortes da taxa básica de juros, com decisão marcada para quarta-feira, às 18h30, enquanto investidores também monitoram as eleições legislativas nos Estados Unidos e uma bateria de indicadores econômicos e balanços corporativos.
Copom mira fim do ciclo de cortes em meio à inflação pressionada
A expectativa predominante no mercado é de que o Copom mantenha a Selic em 13,5% ao ano, colocando fim ao ciclo de redução iniciado em março. Analistas do Itaú avaliam que a decisão deve ser unânime e reflete um ambiente mais hostil. Segundo eles, “a decisão unânime deve refletir uma avaliação de que o cenário base se deteriorou, devido a um ambiente externo adverso e, internamente, a maiores pressões inflacionárias”.
Para o Bradesco, as cotações de juros já embutem essa mudança de rumo. “A precificação de mercado atual indica uma probabilidade majoritária de interrupção do ciclo de calibração, iniciado em março”, escreveram analistas do banco, citando a alta dos preços do petróleo e a desvalorização do real frente ao dólar, que tendem a elevar a projeção de inflação do Banco Central.
Na prática, o fim dos cortes sinaliza um custo de crédito mais estável — ou até ligeiramente mais alto — para consumidores e empresas. Segmentos dependentes de financiamento, como construção civil, mercado imobiliário, automóveis e varejo, tendem a sentir a freada no estímulo monetário. Por outro lado, aplicações em renda fixa podem seguir oferecendo juro real elevado, o que preserva o apelo de títulos públicos e CDBs em um cenário de inflação resistente.
A decisão de quarta-feira será a primeira definição de política monetária após as eleições presidenciais brasileiras e vem em um momento de incerteza externa, com commodities em alta e dólar forte globalmente. O comunicado do Copom e a ata, a serem divulgados em seguida, devem ser lidos em detalhe pelo mercado em busca de sinais sobre o rumo dos juros nos próximos meses.
Agenda econômica no Brasil concentra emprego, indústria e comércio exterior
No Brasil, a semana começou encurtada pelo feriado desta segunda-feira e ganha força a partir de terça. A Fundação Getulio Vargas (FGV) divulga o Índice de Confiança Empresarial e o IPC-S de outubro, importantes para medir o humor de empresários e a trajetória recente dos preços ao consumidor. Também sai o Relatório Focus, com as novas projeções de inflação, crescimento e juros do mercado financeiro.
Na quarta-feira, além do anúncio do Copom, o Ministério do Trabalho publica os dados do Caged de setembro, com projeção de criação de 150 mil vagas formais. O número é observado de perto por mostrar a tração do mercado de trabalho em meio aos juros altos. No mesmo dia, serão conhecidos o IPC da Fipe e o fluxo cambial semanal do Banco Central.
Quinta-feira traz a Pesquisa Industrial Mensal do IBGE referente a setembro, para a qual economistas projetam queda de 0,1% na produção na comparação com o mês anterior. O dado indica fôlego mais fraco da indústria, um dos setores mais sensíveis ao encarecimento do crédito e à demanda externa mais fraca.
Na sexta-feira, a Secretaria de Comércio Exterior (Secex) divulga o resultado da balança comercial de outubro, com superávit estimado em US$ 9,4 bilhões. O desempenho das exportações e importações ajuda a calibrar projeções para o crescimento e para o fluxo de dólares no país, peça-chave em um momento de volatilidade cambial.
Balanços de Itaú, Magalu, C&A e Sabesp movimentam a Bolsa
A temporada de resultados do terceiro trimestre ganha ritmo nesta semana na B3. Na terça-feira, após o fechamento dos mercados, saem balanços de nomes de peso como Itaú, Magazine Luiza, C&A e Sabesp, que devem dar um retrato importante de como setores financeiro, varejista e de saneamento atravessam o ambiente de juros ainda elevados.
No caso dos bancos, investidores acompanham de perto a evolução da inadimplência e da demanda por crédito, diretamente impactadas pela taxa básica. Já no varejo, atenção especial recai sobre margens e vendas em um momento de renda pressionada e crédito mais caro. No saneamento, os holofotes ficam sobre investimentos, regulação e eventuais discussões de privatização.
O que está em jogo com as eleições legislativas nos EUA?
As eleições legislativas nos Estados Unidos, marcadas para esta terça-feira, podem redefinir o equilíbrio de forças no Congresso e criar novos desafios para o governo, caso o Partido Republicano perca a maioria. O pleito renova cadeiras na Câmara e no Senado e, tradicionalmente, funciona como um termômetro do apoio ao presidente em exercício.
A apuração costuma se estender por alguns dias, o que tende a manter os mercados em compasso de espera. Mudanças no controle do Congresso podem afetar a capacidade de o governo aprovar políticas fiscais, regulatórias e comerciais, com reflexos em temas como gastos públicos, tributação e negociações com outros países, inclusive o Brasil.
Para investidores brasileiros, o resultado das midterms importa porque ajuda a definir o rumo da economia americana, principal destino das exportações nacionais e referência para o fluxo global de capitais. Um Congresso mais dividido pode aumentar o impasse político e a volatilidade nos ativos de risco, com impactos sobre dólar, juros e Bolsa por aqui.
Entenda o contexto
Além do ambiente político, a semana nos EUA é marcada por uma série de indicadores que ajudam a calibrar as expectativas sobre a maior economia do mundo e, por tabela, sobre o aperto ou alívio nas condições financeiras globais.
Nesta segunda-feira, saem os índices PMI da indústria de transformação de outubro, calculados pela S&P Global e pelo ISM, que sinalizam o ritmo da atividade manufatureira. Na terça, o Bureau of Labor Statistics (BLS) divulga o relatório JOLTS, com o número de vagas em aberto em setembro, importante para medir o aperto do mercado de trabalho.
Quarta-feira concentra o relatório de emprego da ADP para o setor privado, a balança comercial de setembro e o PMI composto de outubro. Na quinta, vêm os pedidos semanais de auxílio-desemprego, termômetro em tempo quase real das demissões.
Na sexta, o foco recai sobre o payroll, dado mais abrangente de criação de vagas nos EUA, e sobre o índice de confiança do consumidor da Universidade de Michigan para novembro. Esses números alimentam as apostas sobre o rumo dos juros americanos e, consequentemente, influenciam a cotação do dólar, os preços de commodities e o apetite por ativos de países emergentes, como o Brasil.
Com a combinação de decisão do Copom, midterms nos EUA, indicadores econômicos relevantes e balanços de grandes empresas, a primeira semana de novembro tende a ser decisiva para os próximos passos da política monetária e para o humor dos mercados financeiros.


