Câmera com IA na Dom Pedro I aumenta multas 28x e reduz acidentes
Câmeras com inteligência artificial em rodovias paulistas fazem multas saltarem até 28 vezes e são associadas à queda de acidentes graves, sobretudo por falta de cinto e uso de celular.
Inteligência Artificial
Tecnologia nas rodovias paulistas eleva a fiscalização e contribui para a segurança no trânsito.
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Uma única câmera com inteligência artificial instalada na rodovia Dom Pedro I, no trecho urbano de Campinas, fez a média de multas disparar de 23 para 631 por mês e escancarou o volume de infrações como falta de cinto de segurança e caminhões na faixa da esquerda, ao mesmo tempo em que o sistema começa a ser associado à queda de acidentes em outros trechos do estado.
Multas disparam na Dom Pedro I com câmera inteligente
Na Dom Pedro I, a câmera entrou em operação em abril, em um ponto de grande fluxo urbano. Em cinco meses, foram 3.157 multas, contra 281 em todo o ano anterior no mesmo local — um aumento de 28 vezes na média mensal de autuações, de 23 para 631 registros.
Segundo a concessionária Rota das Bandeiras, quase metade das multas foi aplicada a caminhoneiros que trafegavam irregularmente na faixa da esquerda. Outros 40% envolveram motoristas ou passageiros sem o cinto de segurança, infração que antes quase não aparecia na estatística pela dificuldade de flagrar o comportamento a olho nu, com veículos em alta velocidade.
“Surpreende o fato de muitos insistirem em trafegar sem o cinto de segurança. Afivelar o cinto é algo simples, habitual, que todos que entram no veículo devem fazer antes da partida. O cinto salva vidas e evita lesões graves”, afirma Murilo Perez, gerente de Atendimento de Operações da Rota das Bandeiras.
A empresa informa que investiu cerca de R$ 50 mil no equipamento e planeja expandir o sistema, com mais três câmeras até o início de 2027 ao longo do corredor administrado pela concessionária.
Raposo Tavares tem menos acidentes após início da fiscalização
Na Região Metropolitana de São Paulo, duas câmeras com IA passaram a auxiliar a fiscalização da rodovia Raposo Tavares em agosto, nos quilômetros 17 (sentido interior) e 18 (sentido capital). Em um mês de operação, entre início de agosto e início de setembro, os equipamentos registraram 2.316 possíveis infrações.
Desse total, 1.386 registros estão ligados à falta de cinto de segurança e 930 ao uso de celular ou fones de ouvido ao volante. Os alertas são enviados à Polícia Militar Rodoviária, que analisa as imagens e decide se há ou não motivo para autuar o motorista.
No mesmo trecho ampliado, entre os quilômetros 15 e 20, houve queda de acidentes. Os registros recuaram de 86 para 67 na comparação entre julho e agosto do ano passado e deste ano, uma redução de 22%. As ocorrências com vítimas graves ou fatais caíram de cinco para uma, baixa de 80%, segundo dados da Artesp e da Ecovias Raposo Castello.
Os órgãos ressaltam que não é possível atribuir toda a redução apenas às câmeras, já que elas fazem parte de um pacote de ações de segurança viária e as autuações começaram no meio do período analisado. Ainda assim, a avaliação é de que a tecnologia ajuda a inibir comportamentos de risco que estão entre as principais causas de acidentes.
Uso de celular e falta de cinto avançam na mira em Ribeirão Preto
A inteligência artificial também está em uso na região de Ribeirão Preto, em trechos sob concessão estadual. Ali, as autuações por uso de celular ao volante e por falta do cinto de segurança cresceram cerca de 60% em outubro, na comparação com o mesmo mês do ano anterior, de acordo com a Polícia Militar Rodoviária.
O aumento é interpretado pelos órgãos como resultado direto da maior capacidade de fiscalização. Infrações que passavam despercebidas em abordagens pontuais ou apenas por patrulhamento visual agora são identificadas continuamente, câmera a câmera.
Entenda o contexto
De acordo com a Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp), quase 100 câmeras com inteligência artificial estão em operação nas rodovias concedidas do estado. Elas se somam a mais de 4 mil câmeras de monitoramento em tempo real e cerca de 350 equipamentos de leitura automática de placas, usados para gestão do tráfego e identificação de veículos.
As câmeras com IA são capazes de reconhecer padrões nas imagens e gerar alertas para situações que podem configurar infração, como motorista sem cinto, uso de celular ou circulação de caminhões em faixas proibidas. Diferentemente de um radar de velocidade tradicional, que mede apenas o excesso de velocidade, esses sistemas analisam o comportamento dentro do veículo e a posição dos veículos na pista.
O fluxo funciona em duas etapas: a inteligência artificial faz uma triagem automática e identifica possíveis irregularidades; em seguida, as imagens são encaminhadas aos centros de controle das concessionárias, onde policiais rodoviários avaliam caso a caso. Só após a confirmação humana é que a multa é aplicada.
A Polícia Militar Rodoviária afirma que a prioridade da tecnologia não é apenas multar, mas também apoiar o combate à criminalidade. As câmeras ajudam a localizar veículos roubados, clonados ou suspeitos de envolvimento em atividades ilícitas, cruzando as imagens com bancos de dados e sistemas de leitura de placas.
Com a expansão gradual do sistema e novos projetos em estudo para outras rodovias, a expectativa da Artesp e das concessionárias é que a combinação de fiscalização mais rigorosa, mudanças no comportamento dos motoristas e identificação rápida de veículos suspeitos contribua para reduzir acidentes e reforçar a segurança nas estradas paulistas. Ao mesmo tempo, os gestores admitem que o avanço da tecnologia deve estimular debates sobre transparência na aplicação de multas e a necessidade de campanhas educativas para incentivar o respeito às regras antes da punição.


