Prêmio História do Futuro 2026 seleciona 120 obras internacionais
O II Prêmio Internacional de Ficção Científica História do Futuro divulgou a lista preliminar com 120 obras de 27 países, em quatro categorias, e mais de 6 milhões de rublos em prêmios.

Ficção Científica
O prêmio destaca obras de 27 países, premiando a inovação em narrativa futurista com prêmios em rublos.
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O II Prêmio Literário Internacional de Ficção Científica “História do Futuro” divulgou nesta semana a lista preliminar da edição de 2026, com 120 obras selecionadas entre 1.060 contos inscritos, em quatro categorias que vão de narrativas para crianças a roteiros para audiovisual.
Autores de 27 países, incluindo Brasil, Índia, China, Argentina, Itália, México, África do Sul e Rússia, disputam o prêmio promovido pela Fundação “ATOM”, sob a égide da Corporação Estatal “Rosatom”. O júri é presidido pelo escritor de ficção científica Sergei Lukyanenko. Os finalistas serão anunciados em novembro e os vencedores, em cerimônia marcada para 4 de dezembro de 2026. O fundo total de premiação supera 6 milhões de rublos.
120 selecionados em quatro categorias
A lista preliminar reúne 30 trabalhos em cada uma das quatro categorias: Melhor conto, Melhor conto para crianças e adolescentes, Melhor conto em língua estrangeira e Melhor roteiro. Esta última é a grande novidade da segunda edição, criada para aproximar ainda mais a ficção científica da indústria audiovisual.
O concurso reúne histórias que exploram o impacto das descobertas científicas e do avanço tecnológico na vida cotidiana, nas relações humanas e na organização da sociedade. Entre os temas recorrentes estão exploração espacial, inteligência artificial, tecnologias autônomas, imortalidade digital e vida pós-morte em ambientes virtuais.
Apesar do foco em inovações tecnológicas, as narrativas mantêm o ser humano no centro, enfatizando valores pessoais, laços afetivos, liberdade de escolha e responsabilidade diante das transformações científicas.
Diversidade de futuros e de culturas
Para o secretário-executivo do comitê organizador, o crítico literário e pesquisador de ficção científica Sergei Shikarev, a nova temporada do prêmio evidencia o quanto a imaginação sobre o amanhã se ampliou.
“A segunda temporada mostra o quanto a visão contemporânea do futuro se tornou diversificada e multifacetada. Os autores russos abordam ativamente temas como inteligência artificial, exploração espacial e imortalidade digital. Ao mesmo tempo, as tecnologias em suas obras não são apenas um cenário fantástico, mas uma oportunidade de explorar como o próprio ser humano muda, bem como suas concepções sobre a vida, a memória e o futuro”, afirma.
Ele destaca ainda o contraste entre visões de diferentes países: “É interessante também observar o quanto diferem os cenários do amanhã propostos por escritores de diferentes países. Na essência, temos diante de nós toda uma paleta de possíveis caminhos para o desenvolvimento da humanidade, que desperta interesse não apenas do ponto de vista literário, mas também do ponto de vista futurológico”.
A categoria Melhor conto em língua estrangeira reúne textos de autores do Brasil e de outros países com forte tradição em ficção científica ou com cenas literárias em expansão. As diferenças culturais, as experiências sociais e as leituras locais sobre ciência e tecnologia se refletem nos enredos e nas formas de imaginar o futuro.
Categoria de roteiro mira cinema e streaming
A criação da categoria Melhor roteiro, em parceria com a OSFL “Avtor”, abre uma porta direta para adaptações no cinema e em outras telas. A ideia é estimular histórias originais de ficção científica pensadas desde o início com potencial audiovisual, aproximando escritores de produtoras e plataformas.
Elena Mironenko, diretora-geral do museu “ATOM”, vê o prêmio como um laboratório de ideias para além da literatura. “Para nós, é de fundamental importância que o prêmio ‘História do Futuro’ não seja apenas um concurso literário, mas um espaço onde nasçam ideias capazes de inspirar pessoas, cientistas, engenheiros e as indústrias criativas”, diz.
“A ficção científica sempre foi uma forma de olhar além do horizonte do cotidiano e imaginar um mundo que hoje parece impossível, mas que amanhã pode se tornar realidade. Percebemos que essa conversa sobre o futuro une autores dos mais diversos países. E o surgimento da categoria de roteiro permite dar o próximo passo — oferecer a ideias promissoras a oportunidade de sair dos limites do livro e ganhar nova vida na tela. Afinal, o futuro começa com a imaginação e, em seguida, torna-se o resultado do trabalho humano e das descobertas científicas”, completa Mironenko.
Entenda o contexto
Instituído pela Fundação “ATOM”, o “História do Futuro” busca apoiar autores contemporâneos de ficção científica, popularizar o conhecimento científico e tecnológico e incentivar visões inovadoras sobre o amanhã. A primeira edição reuniu mais de 2.500 autores de 30 países, o que ajudou a consolidar o prêmio no circuito internacional do gênero.
Com a expansão da vertente internacional e a entrada dos roteiros na disputa, a segunda edição amplia o diálogo entre literatura, ciência, tecnologia e indústria criativa. As histórias selecionadas abordam desde dilemas éticos da inteligência artificial até a imortalidade digital, o que tende a alimentar debates acadêmicos e públicos sobre os rumos da inovação.
As listas completas e informações sobre o regulamento estão disponíveis no site oficial do prêmio, em www.fhistory.ru. A próxima etapa será a definição dos finalistas, prevista para novembro, antes da cerimônia de premiação em dezembro.


