IA cria campanhas de moda em 8 dias e corta custos em 80%
Empresas de publicidade de moda no Brasil usam inteligência artificial para gerar campanhas com modelos e cenários virtuais, entregues em até oito dias e com custos até 80% menores.

Inteligência Artificial
Publicidade de moda no Brasil adota IA para acelerar produção e reduzir gastos significativamente.
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A inteligência artificial já permite que campanhas de moda brasileiras sejam feitas em até oito dias, com modelos virtuais em cenários que vão de Nova York à Cidade do México, e a menos de 10% do custo de uma produção tradicional. A TEOS, liderada pelo CEO Eduardo Schuller, está à frente desse movimento e já criou campanhas com essa tecnologia para marcas como Cantão, Melissa e Ipanema.
Como a inteligência artificial está sendo usada em campanhas de moda?
Hoje, uma foto simples de uma peça de roupa em um manequim, feita até com celular, é suficiente para dar início a uma campanha inteira baseada em IA. A partir dessa imagem, a equipe da TEOS se reúne com a marca para entender identidade, conceito e a história que a coleção precisa contar. É nessa etapa que se define o tipo de modelo virtual, os cenários — que podem simular São Paulo, Rio de Janeiro ou grandes capitais internacionais —, as cores e a composição visual de cada peça.
Só depois dessa construção conceitual começam as gerações de imagem com inteligência artificial. Segundo Schuller, o trabalho combina mais de 15 ferramentas diferentes, entre soluções próprias e de terceiros, sempre acompanhadas por profissionais humanos. “Hoje cada campanha que passa por aqui para entregar, desde a foto que a gente recebe, até entregar para o cliente, passa por pelo menos cinco profissionais diferentes, né, que vão acompanhando analisando, criando, aperfeiçoando”, afirma.
Esses especialistas ajustam poses, luz, textura dos tecidos e expressão dos modelos virtuais, além de adequar cenários e enquadramentos ao estilo de cada marca. O resultado final são fotos editoriais, vídeos curtos e lookbooks inteiros produzidos sem estúdio físico, viagens, equipe de logística ou locações presenciais.
Redução de custos e prazos muda rotina das marcas
Com o novo modelo, a TEOS afirma conseguir reduzir em até 80% os custos das campanhas. Em casos já produzidos para grandes marcas, o valor final ficou abaixo de 10% do que seria gasto em um ensaio tradicional, que envolveria cachês, deslocamentos, hospedagens e aluguel de espaços.
O prazo também encolheu. Campanhas completas podem ser entregues em até oito dias, dependendo da complexidade do projeto. Na prática, isso permite que marcas de moda lancem coleções cápsula, testem linhas novas e ajustem narrativas visuais quase em tempo real, acompanhando tendências e datas comerciais com muito mais agilidade.
Para Schuller, a principal virada está na distribuição do tempo das equipes. “Antes, a gente gastava 20% do tempo na parte criativa e os outros 80% produzindo. Agora, a gente consegue fazer o contrário, consegue gastar 80% do tempo criando, pensando, analisando, gerando novas possibilidades”, diz.
Quais são os benefícios de usar IA no lugar de modelos tradicionais em campanhas de moda?
O principal benefício é financeiro: campanhas com IA podem ter custo até 80% menor e, em alguns casos, ficar abaixo de 10% do orçamento de uma produção tradicional. A redução drástica de deslocamentos, diárias de equipe, locação de estúdios e viagens internacionais pesa diretamente na conta das marcas.
Outro ganho está na escala e na velocidade. Com modelos e cenários virtuais, é possível criar dezenas de variações de imagem para uma mesma peça, testar composições diferentes, adaptar a campanha para públicos e países distintos e, se necessário, refazer tudo em poucos dias. Isso amplia a capacidade de experimentação das equipes de marketing.
Do ponto de vista criativo, a IA libera tempo. “Eu vejo que a IA vem para nos facilitar agilidade, eficiência, produzir mais em escala o que a gente precisa e com isso a gente tem mais tempo para poder fazer o nosso trabalho humano mesmo, de ser criativo, de ter um senso crítico”, afirma Schuller. A proporção se inverte: menos esforço em logística e execução, mais foco em conceito, storytelling e análise de resultados.
Há ainda um benefício jurídico: ao trabalhar com modelos virtuais fictícios, criados do zero, as empresas evitam conflitos de direitos de imagem. Quando a campanha envolve modelos conhecidos, a regra continua a mesma: é preciso autorização e contrato específicos para o uso da imagem.
Entenda o contexto
A digitalização da moda já vinha avançando com e-commerce, provadores virtuais e influenciadores digitais. A diferença agora é que a própria base da campanha — o ensaio fotográfico — passa a ser, em muitos casos, totalmente virtual. Em vez de montar uma grande estrutura física, as agências operam em estúdios pequenos, com equipes enxutas e forte dependência de softwares de IA.
Segundo a TEOS, cada projeto hoje envolve ao menos cinco profissionais humanos, que assumem funções como direção de arte, operação das ferramentas de IA, edição, revisão técnica e aprovação final. O foco deixa de ser o esforço físico no set e se desloca para o domínio tecnológico e a curadoria estética das imagens criadas pelas máquinas.
Impacto sobre empregos e sustentabilidade
A mudança abre espaço para novos perfis profissionais, como especialistas em IA, artistas digitais e diretores de criação com fluência em ferramentas generativas. Ao mesmo tempo, pressiona segmentos tradicionais da cadeia de produção, como equipes grandes de fotografia, logística, maquiagem e figurino para grandes produções presenciais.
No campo ambiental, a tendência favorece a sustentabilidade. Menos deslocamento de equipes, viagens aéreas e uso de grandes estruturas físicas significam menor gasto de energia e redução na emissão associada à logística de campanhas. Em vez de levar uma equipe a outro país para um dia de fotos, marcas passam a simular esses cenários em ambiente digital.
A expectativa de Schuller é que o futuro combine, e não substitua completamente, os formatos tradicionais. Produções presenciais devem continuar a existir, especialmente em ações de relacionamento e desfiles, mas integradas a campanhas digitais geradas por IA. “A tecnologia nos ajuda a escalar esse processo, a dar mais velocidade. Mas o valor está no olhar das pessoas que estão construindo essas histórias”, afirma.


