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Lançamentos de IA

Yvonne Bajela lança Evertrue, fundo de US$ 17 mi para IA e fintech

Investidora britânica Yvonne Bajela fecha o Evertrue, fundo próprio de US$ 17 milhões para startups em estágio inicial no Reino Unido e Europa, com foco em IA e fintech.

Yvonne Bajela lança Evertrue, fundo de US$ 17 mi para IA e fintech

Investimentos

Yvonne Bajela cria fundo de US$ 17 milhões para impulsionar startups de IA e fintech no Reino Unido e Europa.

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A investidora britânica Yvonne Bajela anunciou nesta terça-feira (3) o fechamento do Evertrue, seu primeiro fundo próprio de capital de risco, com US$ 17 milhões para apostar em startups em estágio inicial no Reino Unido e na Europa, sobretudo em inteligência artificial e fintech, com cheques médios de £350 mil e plano de apoiar cerca de 20 empresas nos próximos três anos.

Fundo supera meta e mira 20 startups até 2029

Com passagens por casas como LocalGlobe e Impact X Capital Partners, Bajela decidiu sair da posição de sócia de fundos para liderar sua própria gestora. O Evertrue nasceu como um fundo oversubscribed: a gestora pretendia levantar cerca de US$ 13 milhões, mas encerrou a captação ao alcançar US$ 17 milhões, recusando novos compromissos para não aumentar o tamanho do veículo.

“Depois de mais de uma década apoiando fundadores que apostaram tudo em suas ideias, senti que era hora de fazer uma aposta minha”, afirmou Bajela, fundadora do Evertrue. “O tamanho do fundo é uma decisão estratégica, não uma medida de sucesso em si”, completou.

O plano é concentrar o capital em apostas de alta convicção. O tíquete médio será de aproximadamente £350 mil por startup, com expectativa de investir em pelo menos 20 companhias ao longo dos próximos três anos. A gestora já tem sete empresas no portfólio.

Foco em IA, fintech e fundadores com ambição global

O Evertrue nasce com uma tese clara: dar preferencia a startups de inteligência artificial e serviços financeiros digitais, lideradas por fundadores com visão diferenciada e ambição internacional desde o início.

“A capacidade de construir foi democratizada. Mas a capacidade de construir algo duradouro continua rara”, disse Bajela. Ela afirma buscar empreendedores com “insight único sobre um problema, uma capacidade incomum de execução e a ambição de construir algo muito maior do que o produto inicial”.

A trajetória pessoal dos fundadores também pesa. Bajela conta que observa a “distância que o empreendedor percorreu, o que precisou superar e como isso moldou sua perspectiva” como sinal de resiliência e capacidade de navegar ciclos longos de crescimento.

Mais da metade das empresas já investidas pelo Evertrue atua no mercado americano, sinal de que o fundo quer ajudar startups europeias a se posicionarem cedo nos Estados Unidos. Essa ambição se reflete na base de investidores: cerca de 80% dos cotistas estão no Reino Unido, com o restante distribuído entre Europa, Ásia e EUA.

Quem está por trás do capital do Evertrue

O fundo reúne cinco investidores institucionais, entre eles o British Business Bank e a Basecamp, fundo de fundos ligado à gestora Phoenix Court. O Evertrue integra a iniciativa Investor Pathways, programa do British Business Bank que direciona £90 milhões para dez gestores de fundos iniciantes, dentro de um pacote maior de capital voltado a fomentar novos gestores.

Ao manter o número de investidores limitado, Bajela diz ganhar agilidade na tomada de decisão e espaço para se concentrar na seleção dos negócios. “Queria capital suficiente para construir posições significativas nas minhas teses de maior convicção, sem criar pressão para investir simplesmente porque o dinheiro está disponível”, explicou.

Entenda o contexto

O lançamento do Evertrue acontece em um momento de forte aquecimento do ecossistema de inovação do Reino Unido. Hubs de IA como a região de King’s Cross, em Londres, ganharam destaque global, enquanto empresas como Revolut, Synthesia, ElevenLabs e CuspAI projetaram a cena tecnológica britânica e atraíram grandes rodadas de investimento.

Esse ambiente mais maduro se reflete também no mercado de fundos emergentes. Gestores iniciantes no Reino Unido já captaram US$ 7,4 bilhões até setembro, superando os US$ 6,2 bilhões levantados ao longo de todo o ano passado. O contraste é com os Estados Unidos, onde a maior parte do capital novo se concentra em casas com histórico consolidado, o que torna a vida de novos gestores mais difícil.

Mesmo em cenário favorável, Bajela afirma que a captação não foi simples. “O processo de captação foi uma luta. As rejeições mais difíceis não eram os nãos diretos, mas aquelas que vinham após meses de conversas e tempo investido”, relatou. Para ela, o tempo é o principal custo tanto para fundadores quanto para gestores em início de trajetória.

Impacto para startups europeias

Com US$ 17 milhões sob gestão e foco declarado em qualidade da tese, o Evertrue adiciona um novo ator ao ecossistema europeu de capital semente, em especial para startups de IA e fintech em busca de um primeiro cheque relevante. O desenho do fundo deve permitir que as empresas investidas recebam capital suficiente para acelerar desenvolvimento de produto e expansão comercial, sem sofrer pressão imediata por novas rodadas.

Startups baseadas no Reino Unido e na Europa, mas com planos desde cedo de alcançar o mercado americano, devem ser as principais beneficiadas. Em paralelo, a chegada de mais um fundo especializado aumenta a competição por bons ativos e pode pressionar gestoras menores ou generalistas que atuam no mesmo estágio.

Bajela, que já trabalhou no Japão como gestora na Mistusi e iniciou a carreira como analista no Goldman Sachs, afirma ver talento e ambição distribuídos globalmente e quer que o Evertrue seja um selo de qualidade para fundadores em estágio inicial. “Quero que o Evertrue seja conhecido pela qualidade dos fundadores que apoio e pelos negócios que eles constroem”, disse.