MRV&CO usa IA para gerar 50% das vendas e economizar R$70 mi
Assistentes virtuais e modelos analíticos já respondem pela origem de metade das vendas da MRV&CO e ajudam a empresa a economizar mais de R$ 70 milhões, mudando o dia a dia do mercado imobiliário.

Inteligência Artificial
Tecnologia transforma o mercado imobiliário ao impulsionar vendas e reduzir custos significativamente.
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A inteligência artificial já faz parte da rotina do mercado imobiliário brasileiro e, na MRV&CO, virou peça central do atendimento ao cliente e da gestão das obras: metade das vendas recentes da companhia nasce em interações automatizadas e o pacote de soluções digitais garante uma economia estimada superior a R$ 70 milhões, segundo o Relatório Anual de Sustentabilidade da empresa.
Atendimento 24h e metade das vendas vindo da IA
No relacionamento com o público, a MRV&CO apoia-se na MIA, assistente virtual que acompanha o cliente da primeira consulta ao pós-entrega do imóvel. A ferramenta funciona em canais digitais e oferece suporte para demandas comerciais e de serviços ligados ao apartamento.
De acordo com a empresa, a MIA permite emissão de segunda via de boletos, consulta à evolução da obra, acesso a informações financeiras e abertura de chamados de assistência técnica. “São mais de 20 autosserviços, disponíveis 24 horas por dia, sete dias por semana”, informa a MRV&CO.
O uso intensivo da IA já se reflete diretamente no caixa. Em conteúdo corporativo recente, a MRV relata que cerca de 50% das vendas tiveram origem em atendimentos mediados por inteligência artificial e que 93% dos primeiros contatos comerciais foram concluídos sem necessidade de intervenção humana.
O volume de uso também cresceu. Segundo o Relatório Anual de Sustentabilidade MRV&CO, “em 2025, a ferramenta registrou 2,01 milhões de interações e 737,3 mil encaminhamentos”, número que mostra como o canal automatizado passou a concentrar boa parte da jornada dos clientes.
Entenda o contexto
A aplicação da IA no mercado imobiliário vai além de tirar dúvidas rotineiras. As plataformas conseguem analisar grandes volumes de dados sobre vendas, preços, estoques, perfil dos compradores e indicadores econômicos, identificando padrões de procura por imóveis e sinalizando tendências.
Com isso, construtoras e incorporadoras passam a usar estimativas geradas por modelos estatísticos e técnicas de aprendizado de máquina para decidir que tipo de empreendimento lançar, qual tipologia oferecer, em que região atuar e em que ritmo ajustar preços. A intenção é reduzir riscos comerciais e alinhar os projetos ao comportamento esperado do mercado.
IA nas obras: Zé da Obra apoia engenheiros
Na ponta operacional, a MRV&CO também leva a inteligência artificial para dentro dos canteiros. O Zé da Obra, outro assistente virtual da companhia, foi criado para apoiar engenheiros e profissionais da construção civil na execução dos serviços.
O sistema reúne procedimentos operacionais e documentos normativos e responde a dúvidas sobre como realizar determinadas etapas da obra, quais padrões seguir e que materiais especificar. A empresa atribui à ferramenta a melhoria da qualidade das construções, a redução de erros e a queda no retrabalho, já que as equipes acessam rapidamente a informação técnica necessária.
O relatório de sustentabilidade descreve ainda o uso de IA no processamento de imagens e documentos, automatizando tarefas burocráticas, e na criação de bases de conhecimento voltadas a engenharia, assistência técnica e compliance. Nessas frentes, o objetivo é acelerar consultas, padronizar processos e liberar tempo dos profissionais para análises mais complexas.
Economia de mais de R$ 70 milhões e pressão sobre o setor
Somadas, as iniciativas de inteligência artificial e transformação digital já têm impacto financeiro mensurável. O Relatório Anual de Sustentabilidade MRV&CO registra que “o conjunto de iniciativas de inteligência artificial e transformação digital da MRV&CO gerou uma economia estimada superior a R$ 70 milhões em 2025”.
O resultado reforça a aposta da companhia em tecnologia e tende a pressionar concorrentes a acelerar a própria digitalização para não perder competitividade, especialmente em atendimento, análise de mercado e gestão de obras.
Para o setor, o movimento aponta para um padrão em que atividades repetitivas e de alto volume são automatizadas, enquanto equipes humanas se concentram em atendimento especializado, negociação, avaliação técnica, decisões jurídicas e análise de casos complexos.
O que muda para clientes e profissionais
Para quem compra imóvel, a IA significa atendimento mais rápido e disponível a qualquer hora, com canais digitais capazes de tirar dúvidas sobre características de imóveis, simular condições financeiras, emitir documentos e acompanhar o andamento da obra sem depender de um horário comercial.
Apesar disso, a própria MRV&CO reforça que a tecnologia não substitui avaliações individualizadas. Questões como análise de crédito, interpretação de cláusulas contratuais, negociação de condições, solução de problemas específicos na obra e verificação da viabilidade de um terreno continuam exigindo atuação de corretores, engenheiros, advogados e equipes de atendimento.
No mercado de trabalho, o avanço dos assistentes virtuais desafia especialmente funções ligadas ao atendimento tradicional e a tarefas administrativas simples. Esses profissionais tendem a migrar para atividades que demandem julgamento técnico, empatia, tomada de decisão e capacidade de lidar com situações fora do padrão que as máquinas ainda não conseguem resolver sozinhas.
A longo prazo, a expectativa é de uma mudança estrutural no mercado imobiliário brasileiro, com maior digitalização de processos, uso mais intenso de dados na tomada de decisão e integração estreita entre sistemas de IA e a expertise humana, em um modelo em que a tecnologia apoia, mas não assume, a responsabilidade pelas decisões.


