Van com IA identifica buracos e aumenta segurança em rodovias
Van equipada com inteligência artificial testa, em Victoria, sistema que localiza buracos e rachaduras no asfalto para permitir manutenção preventiva e aumentar a segurança nas estradas.
Inteligência Artificial
Tecnologia inovadora detecta falhas no asfalto para prevenir acidentes e melhorar a infraestrutura viária.
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Uma van equipada com inteligência artificial vem percorrendo rodovias do estado de Victoria, na Austrália, para identificar buracos, rachaduras e deformações no asfalto antes que eles se agravem, abrindo caminho para um modelo de manutenção preventiva que promete mais segurança e menos prejuízo para motoristas e cofres públicos.
IA vasculha o asfalto em tempo real
O sistema foi desenvolvido pela Universidade RMIT em parceria com a empresa de assistência rodoviária RACV. Instalado na van, ele combina imagens de câmeras, dados de movimentação do veículo e informações de localização para mapear defeitos no pavimento com precisão de trecho.
Em cerca de dois meses de testes, a tecnologia já identificou aproximadamente 300 problemas no asfalto, entre rachaduras, ondulações e buracos em formação. Cada registro gera um ponto no mapa, que pode ser usado pelos órgãos de manutenção para priorizar reparos e planejar intervenções antes que a situação se transforme em crateras ou falhas graves de estrutura.
Ao contrário da inspeção visual tradicional, feita por equipes em trechos específicos ou a partir de denúncias de usuários, a van roda em operação normal e captura continuamente sinais de deterioração, inclusive em locais onde ainda não há queixas formais.
Motorista destaca ganho de segurança
Responsável por conduzir o veículo de testes, o motorista da RACV Mark Orlando vê na tecnologia uma aliada para enfrentar situações em que o olho humano falha. Ele lembra que muitos defeitos passam despercebidos, especialmente à noite, em dias de chuva ou em estradas pouco conhecidas.
“Identificar essas condições com antecedência pode melhorar a segurança e reduzir os danos aos veículos”, afirma Orlando. Segundo ele, a capacidade de prever o surgimento de buracos e irregularidades ajuda tanto quem cuida da estrada quanto quem depende dela para trabalhar ou se deslocar diariamente.
Os pesquisadores envolvidos no projeto defendem que, com uma base de dados mais robusta, será possível estabelecer padrões de desgaste, relacionar defeitos a volume de tráfego ou condições climáticas e, assim, programar obras de reforço do pavimento antes que trechos inteiros entrem em colapso.
Entenda o contexto
A iniciativa surge em um momento de forte cobrança sobre o estado de Victoria. Auditoria recente do Victorian Auditor-General’s Office, órgão de fiscalização local, apontou que o pavimento das rodovias administradas pelo governo está se deteriorando e que a fila de serviços de manutenção cresce mais rápido do que os reparos executados, em um cenário de recursos limitados.
Esse quadro pressionou o governo a buscar soluções mais eficientes para gerir o orçamento de infraestrutura, e a van inteligente aparece como uma aposta para ganhar eficiência: em vez de correr atrás de buracos já abertos, a ideia é intervir antes, prolongando a vida útil das pistas e reduzindo o gasto com consertos emergenciais e indenizações por danos a veículos.
O tema ganhou espaço no debate político às vésperas das eleições estaduais, com candidatos prometendo reforçar investimentos em conservação e apostar em tecnologias que permitam monitorar as estradas em tempo real. O projeto é financiado por um programa federal de segurança rodoviária e seguirá em testes até janeiro de 2027, período em que os responsáveis esperam reunir dados suficientes para medir impacto em acidentes, custos de manutenção e tempo de resposta aos problemas detectados.
Possível modelo para outros países
Se os resultados forem positivos, a expectativa é expandir o sistema para outros veículos que já circulam regularmente pelas estradas australianas, como frotas de assistência, caminhões ou ônibus, transformando-os em plataformas móveis de inspeção do pavimento.
Essa estratégia interessa a governos de fora da Austrália, especialmente em países que convivem com redes rodoviárias extensas e orçamentos apertados. No Brasil, por exemplo, a edição mais recente da Pesquisa CNT de Rodovias aponta que 64,4% das estradas sob gestão pública apresentam problemas no pavimento, situação que pode elevar os custos operacionais do transporte em até 35,8%.
Já nas rodovias concedidas à iniciativa privada, o índice de irregularidades cai para 34,4%, o que reforça o peso da manutenção constante na qualidade da pista. Para especialistas, ferramentas de monitoramento automatizado, como a van de Victoria, podem ajudar a aproximar o padrão de conservação das rodovias públicas do observado nas concessões, com impacto direto na competitividade e na segurança viária.
Por enquanto, os testes em Victoria ainda não permitem cravar se haverá redução de acidentes ou economia efetiva no caixa do governo. O que já está demonstrado é a capacidade da inteligência artificial de enxergar o que passa batido no dia a dia do tráfego e transformar essas informações em base concreta para decisões de manutenção.


