Canva corta 22% do time e reduz previsão de receita em 2026
Canva demite 1.271 pessoas, 22% do quadro, reestrutura áreas, adota trabalho híbrido e reduz previsão de crescimento de receita de 30% para 20%, em meio à pressão da IA.

Tech Desk
Canva ajusta sua estrutura e metas financeiras diante dos desafios impostos pela inteligência artificial.
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A Canva, empresa global de software de design, demitiu 1.271 funcionários nesta semana, o equivalente a 22% do quadro, em uma reestruturação ampla que mexe na organização interna, muda o modelo de trabalho e reduz a previsão de crescimento de receita em um cenário de desaceleração e aumento dos custos com inteligência artificial.
Reestruturação interna e mais funções por pessoa
Como parte do enxugamento, a companhia está fundindo as equipes de produto, crescimento e plataforma. A ideia é reduzir atritos de comunicação e acelerar decisões, concentrando times antes separados em uma mesma estrutura.
Ao mesmo tempo, a Canva está diminuindo o nível de subspecialização. Na prática, isso significa que quem fica na empresa deverá assumir um leque maior de tarefas, acumulando responsabilidades que antes eram divididas entre profissionais mais especializados. Áreas como desenvolvimento de produto, marketing e tecnologia estão entre as mais afetadas pela nova configuração.
O movimento altera a cultura interna construída nos últimos anos, com impacto direto na carga de trabalho e na forma como os times colaboram. A empresa admite que atravessa o período mais difícil de sua história recente.
Em comunicado aos colaboradores, a cofundadora e CEO Melanie Perkins escreveu que a companhia precisa mudar para atravessar a fase de crescimento mais lento. “Over the past thirteen years, we’ve turned a dream in a pitch deck into a platform used by hundreds of millions of people. None of it would have been possible without the talent, imagination, and care of every single person who has been part of this journey. Yet success in our first chapter doesn’t guarantee success in the next. This has been our hardest year yet, and as we shared earlier this year, our growth has slowed for the first time in a decade”, afirmou Perkins.
Modelo híbrido muda rotina de trabalho
Junto das demissões e da reorganização de times, a Canva está adotando um modelo híbrido de trabalho. Funcionários que permanecem na empresa passam a ser orientados a ir aos escritórios alguns dias por semana, depois de um período em que grande parte da operação funcionava de forma mais flexível e remota.
A mudança busca reforçar a colaboração presencial e a integração entre equipes em meio à fusão de áreas, mas também representa alteração importante na rotina de milhares de profissionais espalhados pelos diferentes escritórios da empresa.
Pressão da IA pesa nos custos e na concorrência
O ajuste duro ocorre em um momento em que a Canva enfrenta pela primeira vez uma desaceleração relevante do crescimento depois de mais de uma década de expansão acelerada. Um dos principais fatores é o aumento dos custos com inteligência artificial e a disputa com serviços que oferecem recursos avançados de criação de imagens.
Para tentar conter gastos, a empresa vem desenvolvendo modelos próprios de IA, em vez de depender apenas de tecnologias de terceiros. Ainda assim, os custos associados levaram a uma revisão da perspectiva de negócio: a previsão de crescimento de receita foi cortada de 30% para 20%.
Ao mesmo tempo, a Canva encara concorrência mais intensa de startups de IA e de chatbots de uso geral, como ChatGPT e Gemini, que já permitem gerar imagens e montar facilmente cartazes, apresentações e outros materiais gráficos, justamente o terreno em que a plataforma se popularizou.
Avaliação cai para cerca de US$ 35 bilhões
O cenário mais desafiador começou a aparecer também na forma como a empresa é vista por investidores. Investidores iniciais reduziram a avaliação da Canva para cerca de 35 bilhões de dólares, refletindo a combinação de crescimento mais lento, custos crescentes com IA e o impacto da reorganização interna.
A companhia tenta usar a reestruturação para ganhar fôlego e manter competitividade no médio prazo, concentrando recursos em inovação própria em IA e simplificando a estrutura de gestão. A curto prazo, porém, a prioridade passa por acomodar os cortes, reorganizar os times e lidar com o impacto social das demissões em massa sobre funcionários e comunidades ligadas à empresa.


