Sony vê lucro do PS5 saltar 83% mesmo com queda nas vendas
Sony vende menos consoles PS5, mas dispara em jogos e serviços digitais no 2º trimestre de 2026, às vésperas do lançamento de GTA VI, e se aproxima de 100 milhões de unidades.

Tech Desk
Apesar da redução nas vendas de consoles, a receita com jogos e serviços digitais impulsiona o lucro da Sony no segundo trimestre.
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A Sony encerra o segundo trimestre de 2026 com menos consoles PS5 nas prateleiras, mas com caixa mais cheio: mesmo com a queda nas vendas de hardware, a divisão de jogos registrou alta de 9% na receita e salto de 83% no lucro, impulsionada por games digitais e serviços da PlayStation Network.
Vendas de PS5 caem, mas divisão de jogos dispara
Entre julho e setembro, a empresa vendeu 2,6 milhões de unidades do PS5, bem abaixo dos 4 milhões do mesmo período do ano passado, em um recuo atribuído a problemas de fornecimento e tarifas que deixaram o console mais caro e difícil de encontrar. A demanda, porém, continua forte, e o buraco foi tapado com mais jogos vendidos — principalmente em formato digital — e assinaturas.
As vendas de games cresceram 9,8 milhões de unidades na comparação anual, somando títulos próprios e de estúdios terceiros. As cópias digitais responderam por 78% das vendas de jogos completos, avanço em relação aos 72% de um ano antes, consolidando a virada do público para o download em vez da mídia física.
Com isso, a receita com software atingiu 708,5 bilhões de ienes (cerca de US$ 4,48 bilhões) no trimestre, acima dos 629,3 bilhões de ienes (US$ 3,98 bilhões) de igual período do ano passado. Já os serviços da PlayStation Network, que incluem assinaturas, compras in-game e outras funcionalidades online, cresceram 19,5%, para 218,3 bilhões de ienes (aproximadamente US$ 1,38 bilhão).
Entenda o contexto
Os resultados vêm em meio a uma crise na cadeia de suprimentos de componentes de memória e ao impacto de tarifas, que encarecem a produção e reduzem a margem de manobra da Sony para aumentar a oferta de consoles. A companhia já está com 97,9 milhões de PS5 vendidos desde o lançamento do aparelho, o que a coloca perto da marca de 100 milhões de unidades em circulação no mundo.
Ao mesmo tempo, o portfólio de jogos exclusivos segue puxando o ecossistema. Marvel’s Wolverine, um dos principais lançamentos recentes para o console, já vendeu 2,4 milhões de cópias até 4 de novembro, cerca de 50 dias após a estreia. Ghost of Yotei, outro destaque do catálogo, acumula 3,3 milhões de unidades vendidas desde o lançamento no ano passado.
Por que a Sony está vendendo mais jogos de PS5, mas ainda enfrenta dificuldade para atender à demanda do console?
A Sony vendeu 2,6 milhões de consoles PS5 no trimestre, mas aumentou as vendas de jogos e serviços porque o gargalo está na oferta de hardware, não no interesse do público. A escassez de componentes e tarifas mais altas limitam a quantidade de aparelhos que chegam ao varejo, enquanto a base instalada de quase 100 milhões de consoles já no mercado continua comprando muitos jogos e assinando serviços.
Com menos consoles novos disponíveis, a empresa extrai mais receita de quem já está dentro do ecossistema PlayStation. O avanço das vendas digitais, que têm custo de distribuição menor que o das mídias físicas, ajuda a engordar as margens de lucro. Assim, mesmo com a queda nas unidades de PS5 vendidas, a divisão de jogos conseguiu crescer em receita e, principalmente, em rentabilidade.
Como as vendas de jogos de PS5 impactam os resultados financeiros da Sony?
As vendas de jogos de PS5 e os serviços associados foram o principal motor do aumento de 9% na receita e de 83% no lucro da divisão de jogos no segundo trimestre. Só o segmento de software movimentou 708,5 bilhões de ienes (cerca de US$ 4,48 bilhões), contra 629,3 bilhões de ienes (US$ 3,98 bilhões) um ano antes, impulsionado pelo crescimento de 9,8 milhões de unidades em games vendidos.
Além do volume maior, o peso das vendas digitais — 78% dos jogos completos vendidos — reduz custos logísticos e melhora a margem por título. Os 218,3 bilhões de ienes (US$ 1,38 bilhão) obtidos com PlayStation Network, um avanço de 19,5%, reforçam uma receita mais previsível, vinda de assinaturas e gastos recorrentes em serviços online. Na prática, o centro de gravidade do negócio se desloca do hardware para o software e os serviços, área em que a Sony hoje é mais resiliente e lucrativa.
Pressão extra com GTA VI e PS5 Pro escasso
O desempenho financeiro positivo vem às vésperas de um dos maiores testes de capacidade da Sony neste ciclo de consoles. Grand Theft Auto VI tem lançamento marcado para 19 de novembro e já soma US$ 750 milhões em pré-vendas, o que deve disparar ainda mais a procura por PS5, especialmente pelo modelo PS5 Pro.
A demanda pelo console turbinado é tão alta que parte dos varejistas adotou sistemas de sorteio para tentar driblar os scalpers, que compram grandes lotes para revender a preços inflados no mercado paralelo. A estratégia busca uma distribuição considerada mais justa ao consumidor comum, mas também evidencia a dificuldade de manter estoques regulares.
Em comunicação recente a parceiros de distribuição, a Sony afirmou que “temporary market supply constraints and high demand” continuarão limitando o estoque de consoles até o próximo ano. A mensagem é de que o cenário apertado não se resolve no curtíssimo prazo, mesmo com o peso comercial de GTA VI no fim do ano.
Com a perspectiva de oferta restrita e demanda aquecida, a companhia deve concentrar esforços em ampliar ainda mais a monetização da base instalada por meio de jogos e serviços digitais, enquanto ajusta sua cadeia de suprimentos para tentar acelerar a recuperação das vendas físicas de PS5 ao longo do próximo ano.

