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Inteligência Artificial

IFSP investiga uso de IA em imagem racista contra aluna hoje

IFSP de Presidente Epitácio investiga criação de imagem racista com inteligência artificial contra aluna. Suspeitos foram advertidos e afastados da vítima.

IFSP investiga uso de IA em imagem racista contra aluna hoje

Inteligência Artificial

Instituto apura criação de conteúdo ofensivo gerado por IA contra estudante, com medidas disciplinares aplicadas.

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O Instituto Federal de São Paulo (IFSP), campus Presidente Epitácio, apura uma denúncia de racismo contra uma aluna após a criação de uma imagem com conteúdo racista e pejorativo produzida por meio de uma ferramenta de inteligência artificial. A direção confirmou que o caso está sob investigação e que os estudantes suspeitos já foram advertidos e orientados a não manter contato com a vítima.

IFSP investiga caso e acolhe estudante

De acordo com a Direção-Geral do campus, a aluna procurou a instituição para relatar que colegas teriam usado inteligência artificial para gerar uma imagem ofensiva direcionada a ela. Em nota, a direção informou ter recebido o relato sobre “a criação, por meio de uma ferramenta de inteligência artificial, de uma imagem dirigida a ela, que continha conteúdo racista e pejorativo”.

A estudante também relatou ter passado por situações semelhantes anteriormente dentro do ambiente escolar. Com base nas normas internas, o IFSP abriu procedimento de apuração conforme o Regime Disciplinar Discente (RDD), que prevê etapas formais de investigação e possível aplicação de sanções administrativas.

A direção afirma que os suspeitos foram imediatamente notificados. “Os alunos suspeitos foram advertidos e orientados a não terem contato com a denunciante para que não haja outras situações de constrangimento”, informou a Direção-Geral. A instituição diz ainda que a aluna está sendo acompanhada e acolhida por seus serviços internos.

Os nomes da vítima e dos estudantes investigados não foram divulgados, sob justificativa de preservação da privacidade de todos os envolvidos durante a apuração.

Instituição repudia racismo e fala em compromisso permanente

Nas redes sociais, o IFSP de Presidente Epitácio publicou uma nota pública de repúdio ao racismo. O texto reforça o compromisso do campus com o combate a qualquer forma de discriminação racial, inclusive no ambiente digital, e destaca que manifestações desse tipo são incompatíveis com a missão da instituição de ensino.

O caso, tratado internamente como grave, mobiliza diferentes setores do campus, que trabalham tanto no acolhimento da estudante quanto na responsabilização dos envolvidos, caso a denúncia seja confirmada. A direção também sinaliza a necessidade de ações educativas para discutir racismo, uso ético de tecnologias e convivência respeitosa entre os alunos.

Entenda o contexto

O episódio lança luz sobre um uso considerado inédito e preocupante da inteligência artificial no ambiente escolar: a produção de conteúdo racista direcionado a uma colega de classe. A facilidade de criação e circulação de imagens sintéticas amplia o alcance de ataques discriminatórios, exigindo das instituições de ensino protocolos específicos para lidar com esse tipo de violência digital.

Para especialistas, situações como essa pressionam escolas e universidades a atualizar regras disciplinares, treinar equipes e incorporar a discussão sobre tecnologia e direitos humanos na rotina acadêmica. Além da esfera administrativa, condutas dessa natureza podem ser enquadradas na legislação penal.

Desde a Constituição de 1988, o racismo é crime inafiançável e imprescritível no Brasil. A chamada Lei do Racismo, de 1997, ampliou o arcabouço jurídico ao prever também o crime de injúria racial, ligado ao uso de expressões depreciativas para atingir a honra da vítima em razão de raça ou cor.

Uma alteração legal em vigor desde 11 de janeiro de 2023 equiparou as penas de racismo e injúria racial, que hoje variam de 2 a 5 anos de prisão, e passou a abranger também manifestações de racismo religioso, recreativo e praticado por funcionário público. Na prática, episódios de violência racial, inclusive no ambiente digital e escolar, estão sujeitos a responsabilização criminal e administrativa.

No IFSP de Presidente Epitácio, a investigação segue em curso. Ao fim do processo interno, o relatório poderá resultar em punições que vão de advertência mais severa a medidas disciplinares previstas no Regime Disciplinar Discente, sem prejuízo de eventual encaminhamento às autoridades competentes, caso haja entendimento de que houve crime.