Alphabet cai 12,6% e perde US$ 500 bi em um dia com IA alta
Ações da controladora do Google desabam 12,6% em Wall Street após balanço com receita abaixo do esperado e explosão dos gastos em inteligência artificial, que somaram US$ 51,4 bi no trimestre.

Inteligência Artificial
Controladora do Google sofre queda significativa após balanço financeiro impactado por altos investimentos em IA.
Leia também: China mira 90% de IA no comércio digital até 2030: veja impacto
As ações da Alphabet, controladora do Google, desabam 12,6% nesta quinta-feira (29) em Wall Street, na maior queda em um único dia da história da empresa, e apagam cerca de meio trilhão de dólares em valor de mercado em meio à preocupação com a desaceleração da publicidade e com a disparada dos gastos em inteligência artificial.
Investimento recorde em IA acende alerta
O tombo vem após a divulgação, na noite de quarta-feira (28), do relatório trimestral da companhia, que mostrou receita abaixo das expectativas e um salto nas despesas de capital. A Alphabet registrou US$ 51,4 bilhões em investimentos desse tipo apenas no terceiro trimestre, concentrados principalmente na construção de centros de dados voltados a aplicações de IA.
Para efeito de comparação, o montante do trimestre se aproxima dos US$ 91,4 bilhões previstos para todo o ano de 2025, o que reforça a percepção de aceleração agressiva nos gastos. Esse movimento reduz o caixa disponível para retornos imediatos aos acionistas, como recompras de ações e pagamento de dividendos, o que ajuda a explicar a reação negativa do mercado.
No pregão desta quinta, operadores em Wall Street relatam aumento da aversão ao risco em relação às chamadas Big Techs, num momento em que investidores tentam separar quais empresas estão gastando de forma estratégica em IA e quais correm o risco de superinvestir sem retorno claro no curto prazo.
Negócio de publicidade perde fôlego
Além do choque com o tamanho dos investimentos, pesa sobre a Alphabet a percepção de que o seu motor de crescimento tradicional, a publicidade nas buscas do Google, começa a perder fôlego. A desaceleração dessa receita, principal fonte de faturamento da companhia, torna o avanço simultâneo dos gastos em IA ainda mais sensível para o mercado.
O medo de parte dos acionistas é ver a empresa atravessar um período de forte consumo de caixa justamente quando o crescimento orgânico está menos robusto. Analistas avaliam que isso aumenta a pressão para que a direção da Alphabet detalhe melhor como e quando os projetos de IA devem começar a compensar o aperto de curto prazo.
Big Techs entram em ciclo de gastos pesados
A turbulência em torno da Alphabet expõe uma tendência mais ampla no setor de tecnologia. As maiores empresas do segmento investem somas de centenas de bilhões de dólares em centros de dados e infraestrutura digital para disputar posições de liderança no boom da inteligência artificial.
Esse ciclo de gastos pesados, puxado por necessidades de computação cada vez maiores, tende a manter a pressão sobre margens de lucro e fluxos de caixa de todo o setor. Investidores, por sua vez, lidam com maior volatilidade e incerteza sobre quando esses aportes massivos se traduzirão em aumento consistente de receita e lucro.
No curto prazo, a queda histórica das ações da Alphabet deve alimentar o debate em conselhos de administração e comitês de investimento sobre o equilíbrio entre inovação tecnológica e retorno financeiro imediato, tanto na própria companhia quanto em suas concorrentes diretas.


