Anthropic lança painel para destrinchar gasto de empresas com IA
Anthropic apresenta nova suíte de relatórios do Claude Code para mostrar uso, custo e eficiência da IA nas empresas, com recomendações para otimizar o investimento e conter a alta de gastos.

Inteligência Artificial
Nova ferramenta da Anthropic ajuda empresas a analisar e otimizar custos relacionados ao uso de IA.
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A Anthropic lançou nesta quarta-feira uma nova suíte de relatórios para o Claude Code que promete dar aos clientes empresariais uma visão minuciosa de como cada centavo gasto em inteligência artificial é usado, o que as equipes estão produzindo com a ferramenta e onde há desperdício ou falhas nos fluxos de trabalho.
O movimento vem na esteira de um avanço forte nos números da empresa: a Anthropic registrou lucro operacional no segundo trimestre e alcançou retenção líquida de receita de 900%, o que significa que os mesmos clientes multiplicaram por nove o gasto entre um terceiro trimestre e o mesmo período do ano seguinte.
Como as novas ferramentas da Anthropic ajudam empresas a entender seus gastos com IA?
Os novos relatórios permitem que gestores acompanhem, em um intervalo de datas definido, o volume de trabalho feito pelas equipes com o Claude Code, quais entregas foram geradas, quanto isso custou em uso de tokens e em que pontos os fluxos de trabalho se romperam ou ficaram ineficientes.
Com base em análises internas e em pesquisas com funcionários, a plataforma exibe painéis que conectam uso da IA, custo e resultado produzido, e ainda traz recomendações práticas para melhorar a eficiência — como ajustar prompts, reorganizar tarefas ou redistribuir orçamentos entre times. A Anthropic afirma que os dados usados nesses relatórios não são aproveitados para treinar modelos por padrão.
Além dos painéis, a empresa criou orçamentos agrupados por grupos de times, facilitando o controle centralizado do gasto com IA. A ideia é que líderes de engenharia e finanças consigam ver, num único lugar, quanto cada área está consumindo e qual retorno esse uso está trazendo.
Entenda o contexto
Um relatório recente da Jellyfish, empresa que desenvolve ferramentas para times de software, analisou o uso de ferramentas de codificação baseadas em agentes de IA por 276 mil clientes. As soluções construídas sobre modelos da Anthropic, incluindo o Claude Code, aparecem como as mais usadas, respondendo por quase um terço de todas as mudanças de código propostas para revisão.
Segundo o levantamento, o gasto com essas ferramentas cresceu dez vezes desde o início do ano e já representa cerca de 2% do custo total de engenharia em algumas empresas. “Mesmo que 2% ainda seja pequeno, esse crescimento de 10 vezes é algo que a maioria dos CFOs não planejou”, disse Nicholas Arcolano, cientista-chefe da Jellyfish. Para ele, o mercado entrou numa nova fase: “Agora é necessário otimizar o uso, fazer funcionar”.
É justamente essa pressão por mostrar retorno e segurar a curva de custos que a Anthropic tenta endereçar com a nova suíte de relatórios, voltada principalmente a grandes clientes corporativos, com forte presença nos Estados Unidos.
Qual plataforma de IA foi desenvolvida pela Anthropic?
A principal plataforma de codificação com IA da Anthropic para empresas é o Claude Code, ferramenta que gera, revisa e propõe alterações em bases de código a partir de comandos em linguagem natural, integrada a fluxos de trabalho de times de desenvolvimento.
De acordo com a Jellyfish, o Claude Code e outras soluções apoiadas em modelos da Anthropic respondem hoje por quase um terço das sugestões de código enviadas para revisão entre os clientes analisados, o que ajuda a explicar a alta retenção de receita e o interesse da empresa em tornar esse gasto mais transparente.
Como a Anthropic se posiciona no mercado de IA em comparação com outras empresas?
Mesmo com a chegada de novos modelos concorrentes, como o Astra, da OpenAI, a Anthropic mantém forte tração no mercado corporativo, em parte pelo foco em operações empresariais e pelo investimento em equipes técnicas que trabalham lado a lado com os clientes na adoção da IA.
Nikolas Albarran, líder de produto de IA da Jellyfish, avalia que a empresa construiu uma vantagem de incumbente entre grandes contas. “Anthropic estava lá com grandes movimentos empresariais, e tinha um peso incumbente — isso simplesmente funcionava bem, e muitas pessoas investiram muito para padronizar os fluxos de trabalho”, afirmou. “Estamos em um ponto em que, uma vez dentro, será cada vez mais difícil mudar porque você já investiu o esforço”, completou.
Essas novas ferramentas de relatórios funcionam como uma versão mais leve desse suporte personalizado, ajudando a consolidar a dependência dos clientes: quanto mais uma empresa organiza seus processos, orçamentos e métricas em torno do Claude Code, maior fica o custo de migrar para outro fornecedor de IA.


