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Apuração em tempo real aponta Flávio e Lula no 2º turno

Apuração das eleições de 2026 chega à reta final com Flávio Bolsonaro à frente de Lula e definição de governadores em estados-chave. Veja o cenário e o que está em jogo.

04/10/2026 21:01 9 min de leitura
Apuração em tempo real aponta Flávio e Lula no 2º turno
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Eleições 2026

Confira os números atualizados que indicam Flávio Bolsonaro e Lula como os principais candidatos para o segundo turno.

Com mais de 90% das urnas apuradas, a eleição presidencial aponta um segundo turno entre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A disputa se mostra apertada, mas com vantagem consistente para o candidato da direita, em meio a um mapa político que pende para partidos conservadores em vários estados.

Flávio abre frente e Lula tenta conter desgaste

Os dados parciais do Tribunal Superior Eleitoral indicam um cenário estável de liderança para Flávio Bolsonaro na maior parte da noite. Em um dos recortes, com 85% das urnas apuradas, o senador registra 48,5% dos votos válidos, contra 43,5% de Lula. Em outro momento, com 91,5% das seções totalizadas, o placar fica em 47,9% a 44,1%. Na faixa acima de 90% da apuração, Flávio aparece com 48,03% e o petista com 43,99%.

A diferença oscila, mas se mantém em torno de 4 a 5 pontos percentuais, o que tira da mesa qualquer possibilidade de vitória em primeiro turno e consolida o embate direto no dia 25 de outubro. O próprio comportamento da curva de apuração, sem movimentos bruscos a favor do presidente, alimenta a leitura de que Lula chega ao segundo turno em posição defensiva.

Para o analista político Creomar de Souza, o cenário atual coloca o Planalto em clara desvantagem. “O desenho se torna muito, muito difícil para o presidente Lula. Lembrando que, em termos históricos, a gente nunca viu uma virada em um segundo turno das eleições no Brasil. Nunca um segundo colocado conseguiu vencer a eleição”, afirma. Ele avalia que o resultado desta noite reflete não só a força da direita, mas também um desgaste acumulado de Lula e do PT.

Campanhas em choque: antipetismo x legado social

Creomar descreve duas estratégias que caminham em direções opostas. De um lado, uma campanha do presidente ancorada em memórias. “A estratégia do Lula foi feita olhando para o passado, naquilo que era legado, naquilo que foram as conquistas históricas, naquilo que, em algum sentido, funcionou quatro anos atrás”, diz. De outro, um adversário que mira diretamente o sentimento antipetista.

“Já a campanha de Flávio foi muito eficaz, sobretudo nos últimos sete dias, em dizer que, no fim, não era sobre Flávio Bolsonaro: era sobre desalojar Lula do poder”, afirma o analista. O discurso se apoia em temas concretos do cotidiano, como o preço da carne, do arroz e do feijão, e encontra eco em um eleitorado cansado da polarização, mas disposto a votar contra o PT.

Creomar chama atenção para uma guinada mais ampla. “Mais do que o eleitor dizer que quer Flávio, ele diz que não quer o PT e não quer aquilo que a esquerda foi se tornando ao longo dos últimos anos”, afirma. A leitura ajuda a explicar por que o desempenho presidencial está abaixo do que o comando petista projetava e por que a onda bolsonarista volta a se espalhar em cargos majoritários e proporcionais.

Medidas tardias e o desafio de falar fora da bolha

A campanha à reeleição também enfrenta críticas de dentro da academia. Para a cientista política Maria do Socorro Braga, professora da UFSCar, o governo tentou reagir tarde demais ao avanço de Flávio. “Quando eles [da campanha de Lula] viram que o resultado estava muito acirrado nas pesquisas, começaram a fazer uma série de políticas muito em cima, como a Medida Provisória das bets”, aponta.

Segundo a professora, a aposta era dialogar com um grupo específico. “Foi identificado que havia um percentual de mulheres bastante preocupadas e que a intenção de votos se resolveria fácil, entre as mulheres e mães atingidas pelas bets no Brasil”, afirma. Ela avalia, porém, que o efeito eleitoral ficou aquém do esperado. “Essa medida, além dos ajustes do Bolsa Família, foram muito em cima da eleição e isso de fato precisa de mais tempo para chegar às pessoas mais atingidas.”

O problema, na visão de Creomar, vai além do calendário. O analista lembra que Lula venceu seus pleitos anteriores ao acenar para além da militância fiel, enquanto agora falaria quase só com convertidos. Ele compara a campanha atual à primeira derrota do petista, no fim dos anos 1980, marcada por forte identificação ideológica e pouco diálogo com o centro.

Mapa dos estados indica força da direita

O movimento de pêndulo à direita aparece de forma nítida nos governos estaduais. No Paraná, com 95,3% das urnas apuradas, o ex-juiz Sergio Moro (PL) está matematicamente eleito governador, com 50,1% dos votos válidos. Ele supera com folga o segundo colocado, Sandro Alex (PSD), que soma 25,3%.

No Amapá, a vitória também vem no primeiro turno. Com 88,5% das seções totalizadas, Dr Furlan (PSD) é eleito governador com 62% dos votos, contra 37,7% de Clécio Luis (União Brasil). Em Sergipe, Fábio Mitidieri (PSD) caminha para a reeleição com 59%, e em Goiás, Daniel Vilela se mantém no cargo com 58,8%, ambos com cerca de 90% da apuração concluída.

Em outros estados, o desfecho fica para 25 de outubro. No Acre, com 99,9% das urnas apuradas, Mailza Assis (PP) e Alan Rick (Republicanos) avançam ao segundo turno. No Rio Grande do Norte, com 94% da apuração, a disputa será entre Allyson (União) e Cadu de Lula (PT). No Espírito Santo, com 99,6% das urnas computadas, Lorenzo Pazolini (Republicanos) e Ricardo Ferraço (MDB) se enfrentam na rodada final.

Brasília, redutos petistas e o novo Congresso

No Distrito Federal, a disputa é apertada e simboliza o embate nacional. A governadora Celina Leão (PP) chega perto da vitória em primeiro turno, com 49,93% dos votos válidos, mas será obrigada a enfrentar o petista Leandro Grass, que alcança 34,48%. A diferença reforça a vantagem do campo conservador na capital federal, mas mantém o PT competitivo.

Entre os redutos tradicionais da esquerda, o Piauí consolida a força petista. Com 84,3% das urnas apuradas, Rafael Fonteles (PT) é reeleito com 70% dos votos, contra 28,2% de Joel Rodrigues (PP). O resultado mostra que o partido conserva nichos robustos de apoio regional, mesmo sob o desgaste da sigla em âmbito nacional.

No Senado, nomes identificados com o bolsonarismo ampliam espaço. No Paraná, com 99,17% das urnas apuradas, Filipe Barros (PL) e Deltan Dallagnol (Novo) conquistam as vagas, com 27,31% e 25,19%, respectivamente. Em Santa Catarina, Carol de Toni e Carlos Bolsonaro, ambos do PL, são eleitos senadores com 33,42% e 25,19%, enquanto Esperidião Amin (PP) fica fora.

A Câmara dos Deputados também sente o peso da onda à direita. Lucas Pavanato (PL-SP) e Nikolas Ferreira (PL-MG) rompem a marca de 2 milhões de votos, com 2,7 milhões e 2,6 milhões em apurações parciais. Entre os dez deputados mais votados até o início da noite, seis são ligados a partidos de direita e quatro a legendas de esquerda, em uma correlação de forças que tende a pressionar qualquer futuro governo.

TSE fala em segurança; país entra em nova fase de tensão

O Tribunal Superior Eleitoral informa que a votação transcorre sem incidentes relevantes e sem indícios de interferência internacional. As urnas eletrônicas funcionam dentro da normalidade esperada, e a totalização ocorre em ritmo acelerado desde o fechamento das seções, às 17h, no horário de Brasília.

O reconhecimento da lisura do processo, porém, não elimina o clima de tensão que acompanha o país desde a eleição anterior. Flávio Bolsonaro chega ao segundo turno amparado por uma base mobilizada, pela rejeição ao PT e por uma narrativa que promete “desalojar” Lula do Palácio do Planalto. Ao mesmo tempo, convive com suspeitas de corrupção e com o legado político do pai, condenado por tentar reverter o resultado de 2022.

Lula, do outro lado, enfrenta o desafio de sair da defensiva. Para se manter no cargo, precisará dialogar com eleitores que hoje o veem com desconfiança ou fadiga, especialmente no centro urbano e no eleitorado de renda média. A campanha terá menos de três semanas para redesenhar sua mensagem, neutralizar o antipetismo e costurar alianças com lideranças que emergem fortalecidas das urnas estaduais.

O segundo turno se desenha como um plebiscito sobre o rumo do país nos próximos quatro anos. A depender de quem sair vitorioso, a agenda econômica, as políticas sociais e a relação entre Executivo, Congresso e Judiciário podem tomar caminhos muito distintos. Enquanto a apuração se aproxima do fim nesta noite, o Brasil volta a se dividir entre duas visões de mundo que já se enfrentam há mais de uma década — e que agora entram em mais um capítulo decisivo.

Qual é o cenário da disputa presidencial após o primeiro turno?

Com mais de 90% das urnas apuradas, o cenário presidencial de 2026 é de segundo turno entre Flávio Bolsonaro (PL), com cerca de 48% dos votos válidos, e o presidente Lula (PT), que gira em torno de 44%, configurando uma vantagem consistente para o candidato da direita e uma reeleição difícil para o petista.

Quais governadores já estão eleitos e onde haverá segundo turno?

Sergio Moro (PL) é eleito no Paraná com 50,1% dos votos válidos, Dr Furlan (PSD) vence no Amapá com 62%, enquanto Acre, Rio Grande do Norte, Espírito Santo e Distrito Federal levam a decisão para 25 de outubro, com cenários em geral favoráveis à direita, mas ainda com presença competitiva do PT em algumas disputas.

O que a apuração indica sobre o avanço da direita nas eleições de 2026?

Os resultados de 2026 indicam forte avanço da direita, com Flávio Bolsonaro liderando a disputa presidencial, vitórias de nomes como Sergio Moro, Carol de Toni e Carlos Bolsonaro e bancadas robustas no Congresso, enquanto o PT preserva redutos regionais, mas enfrenta rejeição elevada e mais dificuldade para pautar a agenda nacional.


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