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Inteligência Artificial

Ativistas invadem obra de data center de IA da Microsoft em Amsterdã

Mais de 100 ativistas ocuparam um canteiro de obras da Microsoft em Amsterdã, abrindo dois dias de protestos globais em 16 países contra o impacto ambiental de data centers de inteligência artificial.

Ativistas invadem obra de data center de IA da Microsoft em Amsterdã

Protestos Globais

Manifestantes protestam contra os danos ambientais causados por data centers de IA em diversas cidades ao redor do mundo.

Leia também: Vaticano cria IA católica com ética e proteção infantil clara

Mais de 100 ativistas invadiram nesta sexta-feira (6) o canteiro de obras de um data center de inteligência artificial da Microsoft em Amsterdã, na Holanda, dando início a dois dias de protestos coordenados em 16 países contra a expansão acelerada desse tipo de infraestrutura tecnológica e seus impactos ambientais.

Por que ativistas invadiram o canteiro de obras do data center da Microsoft em Amsterdã?

Os manifestantes dizem que o projeto de mais de US$ 1 bilhão ameaça sobrecarregar o uso de energia e água na região, competir com outros setores por recursos escassos e comprometer metas climáticas.

A ação em Amsterdã integra a campanha internacional Stop Dirty Data Centres, que reúne grupos ambientalistas e defensores de direitos digitais. O alvo são grandes complexos usados para rodar sistemas de inteligência artificial e serviços de computação em nuvem, vistos pelos ativistas como altamente intensivos em recursos e pouco transparentes.

Além das emissões associadas ao consumo de eletricidade, os grupos apontam para o uso de grandes volumes de água para resfriamento, o aumento da pressão sobre redes elétricas já no limite em alguns países e a competição por terrenos e infraestrutura com moradias e outros negócios.

Outro ponto de crítica é a concentração de poder nas mãos de gigantes da tecnologia. Para os organizadores, esse movimento pode significar perda de empregos em outros setores e riscos à segurança pessoal e nacional, já que dados e serviços essenciais passariam a depender de poucas empresas privadas.

Como foi o protesto em Amsterdã

No local da obra, os ativistas marcharam de braços dados até o portão e, em seguida, invadiram o canteiro. Parte do grupo subiu em guindastes, pendurou balões coloridos e dançou entre as estruturas metálicas, enquanto a polícia permaneceu ao redor, sem intervir de forma imediata.

Alguns carregavam cartazes com mensagens hostis às big techs, incluindo dizeres como “Dane-se seu data center”. A ação é pensada como ponto de partida de uma série de protestos que devem se repetir até este sábado em diferentes cidades.

A Holanda vive um boom de projetos do tipo: são cerca de 200 data centers planejados, em construção ou já em operação no país, o que amplia a tensão entre planos de desenvolvimento tecnológico e metas ambientais locais.

Qual o objetivo da manifestação dos ativistas contra o data center da Microsoft?

A campanha Stop Dirty Data Centres pede a suspensão temporária de grandes obras de data centers até que governos estabeleçam regras claras sobre consumo de energia e água, emissões de carbono, uso do território e transparência.

Os grupos insistem que não defendem o fechamento de instalações já em operação nem são contrários, em si, ao avanço da inteligência artificial. A demanda central é por limites e contrapartidas: metas de eficiência, garantia de que não haverá risco de apagões, proteção de aquíferos e sistemas de resfriamento menos intensivos em recursos naturais.

Outra reivindicação é que comunidades diretamente afetadas tenham voz real nas decisões sobre onde e como esses centros serão construídos, com audiências públicas e divulgação de estudos de impacto acessíveis à população.

Como a Microsoft e a proprietária do terreno reagiram

A Pure Data Centres, dona do terreno em Amsterdã e responsável pelo investimento de mais de US$ 1 bilhão, divulgou nota em que afirma estar aberta a conversar com moradores e ativistas. “Pedimos respeitosamente às pessoas que estão no local que saiam em segurança e dialoguem conosco sobre o projeto e quaisquer preocupações que possam ter”, declarou a empresa.

A Microsoft disse reconhecer que o projeto desperta “opiniões fortes” e declarou respeitar o direito de manifestação pacífica, mas frisou que não aceita violações à lei dentro do canteiro. Segundo a companhia, data centers são infraestrutura crítica para empresas, governos e consumidores, e essenciais para atender à demanda por inteligência artificial e computação em nuvem.

Entenda o contexto

Os protestos em Amsterdã acontecem em paralelo a atos programados em cidades como Dublin, capital da Irlanda, Varsóvia, na Polônia, e em locais que também recebem grandes projetos de nuvem e IA na Dinamarca, Espanha, Índia e Estados Unidos.

Na Europa, o tema virou dilema político. Governos e instituições querem reduzir a dependência tecnológica de Estados Unidos e Ásia, mas enfrentam pressão para manter padrões ambientais rígidos. A chefe de tecnologia da União Europeia, Henna Virkkunen, resume o impasse.

“A IA, é claro, é uma tecnologia extremamente importante e precisamos ter nossa própria capacidade”, afirmou, citando investimentos em fábricas de chips, em startups de IA e em grandes projetos industriais espalhados pela região. Ao mesmo tempo, Virkkunen faz um alerta.

“É muito importante para os cidadãos poderem confiar que suas contas de energia não vão disparar e que não haverá apagões por causa dos data centers, nem que esses projetos estejam destruindo o meio ambiente”, disse.

Casos recentes mostram o aumento da vigilância sobre o setor: um projeto do Google na Finlândia está sob investigação por desmatamento; Itália e Portugal apertam regras ambientais; e a própria Microsoft já abandonou um plano de data center no Reino Unido após impasses de infraestrutura.

Enquanto isso, investidores monitoram o avanço de regulações, especialmente nos Estados Unidos, onde a possibilidade de regras mais duras para a inteligência artificial tem pressionado ações de grandes empresas de tecnologia. O resultado é que a expansão física da IA — feita de concreto, aço, cabos e água — se torna, cada vez mais, um tema de rua, e não só de laboratório e mercado financeiro.