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Economia

Azul investiga decolagem atípica de avião em Congonhas no dia 11

Azul abriu investigação interna após um Embraer E195-E2 usar quase toda a pista de Congonhas antes de decolar, passando em baixa altitude sobre o sistema de escape EMAS.

Azul investiga decolagem atípica de avião em Congonhas no dia 11

Aviação

Companhia aérea analisa procedimento incomum durante a decolagem no aeroporto de Congonhas para garantir segurança.

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A Azul abriu uma investigação interna para apurar por que o voo AD4797, operado por um Embraer E195-E2, só levantou voo perto do fim da pista do Aeroporto de Congonhas, na zona sul de São Paulo, passando em baixa altitude sobre a área de escape EMAS no domingo, 11 de outubro de 2026.

O que aconteceu na decolagem do avião da Azul em Congonhas?

O voo AD4797 partiu de Congonhas com destino a Belo Horizonte na tarde de 11 de outubro e percorreu praticamente toda a pista antes de sair do chão. A aeronave decolou depois do ponto em que, nas operações habituais, já deveria estar no ar, e cruzou em baixa altura sobre o sistema EMAS, instalado logo após o limite da pista para conter aviões que não consigam parar a tempo.

A cena chamou atenção de profissionais do setor porque reduziria a margem para interromper a decolagem e frear o jato em caso de emergência. Em condições normais, a operação é planejada para que o avião esteja voando antes de se aproximar da área de escape.

Em nota, a Azul afirmou que “opera de acordo com padrões nacionais e internacionais de segurança, que classifica como seu valor primordial” e que abriu uma apuração interna para esclarecer o que ocorreu na decolagem do Embraer E195-E2.

Por que a decolagem do avião da Azul foi considerada perigosa?

A decolagem chama atenção porque o avião deixou o solo muito próximo do fim da pista, o que, na prática, reduz a folga para uma abortagem segura da manobra caso surja um problema de última hora, como falha de motor ou indicação de pane em alta velocidade.

Especialistas lembram que, do ponto de vista de regra, usar toda a pista é permitido, desde que os cálculos de desempenho mostrem que há distância suficiente para acelerar, decolar ou frear com segurança. Mas, quando a aeronave só sai do chão quase na cabeceira oposta, o cenário passa a exigir explicações.

“Toda a extensão da pista pode ser utilizada para a decolagem. É um procedimento correto, diante de algumas circunstâncias que desconhecemos. Pode ser considerada uma decolagem anormal, mas não incorreta porque utilizou a pista disponível. Lógico que foi diferente e os fatores que levaram a isso devem ser estudados e esclarecidos”, afirma o especialista em segurança de voo Roberto Peterka.

O piloto Henrique Hacklaender, diretor do Sindicato Nacional dos Aeronautas, reforça que é cedo para cravar falhas: “É importante uma investigação aprofundada antes de se chegar a conclusões sobre ocorrências desse tipo”.

Entenda o contexto

Congonhas opera com pista curta para o volume de voos que recebe e está cravado em área densamente ocupada da capital paulista, o que aumenta a atenção de autoridades e companhias sobre procedimentos de decolagem e pouso.

Em maio de 2024, outra aeronave da Azul realizou uma decolagem semelhante no mesmo aeroporto, também muito próxima do fim da pista. O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) classificou aquele episódio como incidente, categoria que abrange ocorrências que afetam ou podem afetar a segurança da operação, mesmo sem danos graves.

O caso mais recente reacende o debate sobre a aderência aos limites de peso, os cálculos de desempenho e o rigor na execução das manobras em aeroportos com restrições físicas, como Congonhas.

O que é uma área de escape em pistas de aeroporto e qual sua importância em decolagens?

A área de escape EMAS em Congonhas é um campo de segurança de 70 metros de comprimento por 45 metros de largura, construído logo após o fim da pista com blocos de concreto especiais projetados para se deformar sob o peso de um avião, absorvendo energia e freando a aeronave que ultrapassa o limite da pista.

Esse tipo de sistema é usado em aeroportos onde não há espaço físico para uma faixa de escape tradicional. Em uma decolagem ou pouso em que o piloto não consiga parar dentro da pista, o EMAS funciona como última barreira para evitar que o avião avance sobre vias públicas ou áreas ocupadas ao redor do aeroporto.

O Aeroporto de Congonhas foi o primeiro da América Latina a receber a tecnologia EMAS, adotada há anos em terminais dos Estados Unidos, Europa e Ásia. A operação do voo da Azul, tão próxima dessa área de escape, ajuda a mostrar por que o sistema é considerado uma camada extra crucial de proteção.

Quais riscos uma decolagem perto do fim da pista pode causar?

O principal risco de uma decolagem tão próxima do fim da pista é não haver espaço suficiente para interromper a corrida e frear o avião com segurança se algo der errado pouco antes da rotação, momento em que o piloto puxa o manche para levantar o nariz da aeronave.

Quando a distância restante é pequena, qualquer decisão de abortar a decolagem fica mais crítica: a tripulação tem menos pista para desacelerar, e a dependência de sistemas de contenção, como o EMAS, aumenta. Em aeroportos urbanos como Congonhas, cercados por avenidas e prédios, isso tem impacto direto na segurança de passageiros, tripulantes e pessoas em solo.

Por isso, mesmo quando não há danos nem feridos, episódios como o do voo AD4797 são acompanhados de perto por companhias e órgãos de investigação, que podem, a partir das conclusões, ajustar procedimentos operacionais, limites de peso, treinamento de tripulações e regras de uso da pista.

Como a Azul está investigando a decolagem tardia em Congonhas?

A investigação interna da Azul tende a envolver a análise detalhada dos dados de voo registrados pelos sistemas do Embraer E195-E2, dos planos de decolagem preparados pela área de despacho operacional e dos relatórios dos pilotos e da equipe de solo que atuou na partida do voo AD4797.

A companhia deve revisar fatores como peso da aeronave — incluindo número de passageiros, bagagens, carga e combustível —, temperatura e vento no momento da decolagem, além da técnica de pilotagem empregada. Esses elementos determinam a velocidade e a distância de pista necessárias para que um jato consiga sair do chão em segurança.

Dependendo das conclusões, o caso pode levar a recomendações internas de treinamento, ajustes em procedimentos em Congonhas e, se houver indícios relevantes, comunicação formal às autoridades aeronáuticas. O Cenipa, responsável por investigar ocorrências na aviação brasileira com foco na prevenção, também pode abrir apuração própria para avaliar riscos e propor melhorias sistêmicas.

Fontes: matéria original 1 · matéria original 2