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Lançamentos de IA

Ballistic Ventures mira US$ 490 mi em novos fundos de cibersegurança

Gestora de San Francisco protocolou captação de US$ 490 milhões em dois fundos focados em cibersegurança, em meio à explosão de startups que combinam defesa digital e inteligência artificial.

Ballistic Ventures mira US$ 490 mi em novos fundos de cibersegurança

Investimentos Tech

Gestora de San Francisco busca captar US$ 490 milhões para fundos que investem em startups de defesa digital e IA.

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A gestora Ballistic Ventures, especializada em cibersegurança e sediada em San Francisco, protocolou nesta semana na comissão reguladora do mercado de capitais dos Estados Unidos o plano de levantar US$ 490 milhões em dois novos fundos, apostando no avanço da inteligência artificial em ataques e na defesa digital.

Dois novos fundos e foco em IA

De acordo com os registros, a Ballistic busca US$ 360 milhões para seu terceiro fundo principal, repetindo o tamanho do veículo levantado no ano passado, e mais US$ 130 milhões para um fundo separado batizado de Ballistic Ventures Fund B. Nenhum dos dois registrava captações efetivas no momento da comunicação aos reguladores.

A estratégia é reforçar a atuação em startups de cibersegurança que usam inteligência artificial tanto para detectar quanto para responder a ameaças mais sofisticadas. A gestora já opera com essa tese desde a criação e mantém um histórico de veículos anteriores, incluindo um fundo inaugural e um fundo paralelo chamado Fund A, ambos de porte semelhante aos que agora tenta repetir.

Procurada, a empresa manteve discrição sobre os novos planos. “Ballistic Ventures declined to comment on its fundraising plans”, informou a gestora.

Quem está por trás da gestora

A Ballistic Ventures foi fundada por nomes veteranos da segurança digital e do capital de risco. O sócio mais conhecido é Ted Schlein, ex-parceiro da tradicional Kleiner Perkins, referência no Vale do Silício. Com ele estão Barmak Meftah, ex-presidente da AT&T Cybersecurity, e Roger Thornton, que cofundou as empresas de segurança Fortify Software e AlienVault.

Desde o lançamento, a firma construiu um portfólio que já inclui casos de saída relevantes. Entre os investimentos estão a Talon Cyber Security, adquirida pela Palo Alto Networks, e a Pangea, comprada pela CrowdStrike. Também fazem parte da carteira startups como Armadin, GetReal, Nudge Security e Oligo Security, todas focadas em diferentes camadas da proteção digital.

Entenda o contexto

A ofensiva da Ballistic acontece em um mercado de cibersegurança aquecido pelo uso crescente de IA em ataques e defesas. Um relatório recente de um grande banco americano aponta que startups de cibersegurança nos Estados Unidos captaram US$ 11,5 bilhões no ano passado, o maior volume desde o início deste ciclo de alta. Segundo o documento, “AI-enabled companies accounted for about 72% of U.S. cybersecurity venture deals through May this year, compared with 36% in 2019”.

Do lado das ameaças, a pressão é crescente. No seu relatório anual Digital Defense, a Microsoft alerta que “hackers are increasingly using AI for activities ranging from phishing and social engineering to malware development”. A companhia destaca que a tecnologia permite ataques em escala maior e em velocidade superior, mesmo quando as técnicas básicas permanecem parecidas com as de anos anteriores.

Impacto para startups e investidores

Na prática, os US$ 490 milhões que a Ballistic Ventures tenta levantar tendem a irrigar startups muito especializadas em defesa digital com IA embarcada. São empresas que buscam antecipar comportamentos suspeitos em redes corporativas, automatizar respostas a incidentes ou proteger identidades e aplicações em nuvem com apoio de modelos avançados.

Para essas jovens companhias, o capital novo significa fôlego para pesquisa, contratação de talentos escassos em segurança e aceleração do time-to-market, a velocidade com que um produto chega ao cliente. Já negócios de cibersegurança que não incorporam IA correm o risco de perder espaço nas rodadas de investimento, em um cenário em que os fundos especializados, como Ballistic, Forgepoint Capital e Ten Eleven Ventures, disputam os ativos mais promissores do setor.

A expectativa no mercado é que, depois da conclusão da captação, a Ballistic intensifique a busca por tecnologias consideradas disruptivas, não apenas por meio de rodadas em estágio inicial, mas também via aquisições em parceria com grandes empresas de software de segurança interessadas em consolidar o setor. A pressão descrita em relatórios como o da Microsoft indica que a demanda por soluções de proteção apoiadas em IA deve seguir em alta, mantendo fundos dedicados de cibersegurança no centro da corrida pela segurança digital global.