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Bolt ativa chip da GPU Zeus e mira US$ 100 mi para lançar em 2028

Startup Bolt Graphics liga primeiro chip de teste da GPU Zeus, abre escritório em Taipei e inicia captação de cerca de US$ 100 milhões para levar placa ao mercado a partir de 2028.

Bolt ativa chip da GPU Zeus e mira US$ 100 mi para lançar em 2028

Tecnologia

Startup Bolt Graphics inicia captação de US$ 100 milhões para lançar GPU Zeus em 2028, expandindo operações em Taipei.

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A Bolt Graphics, startup californiana de chips gráficos, ativou nesta semana o primeiro chip de teste da GPU Zeus, abriu um escritório em Taipei para ficar perto da fabricação e se prepara para captar cerca de US$ 100 milhões para levar a placa ao mercado, com produção em volume prevista para 2028.

O que é a GPU Zeus da Bolt Graphics?

A Zeus é uma GPU voltada inicialmente para estúdios, engenheiros e cientistas, com hardware dedicado para simulação eletromagnética e renderização avançada por path tracing. A proposta é acelerar simulações usadas em projetos de radares, antenas e lentes, além de efeitos visuais de cinema e TV, oferecendo desempenho muito acima das GPUs atuais nesses cenários.

Segundo a Bolt, a arquitetura combina núcleos RISC-V, baseados em um padrão aberto, com blocos proprietários de aceleração de física e de path tracing. A empresa afirma que a Zeus poderá ser até 10 vezes mais rápida que placas atuais em tarefas de renderização e até 300 vezes mais veloz em simulação eletromagnética, reduzindo custos computacionais em até 17 vezes. Esses números ainda não foram verificados de forma independente.

Em um segundo momento, a startup mira também o mercado de jogos e de inteligência artificial, o que colocaria a Zeus em concorrência direta com Nvidia e AMD. Para isso, porém, a empresa terá de construir um ecossistema de software robusto, especialmente em compatibilidade com games, hoje dominado pelas concorrentes.

Como a Bolt Graphics testou a primeira GPU Zeus?

O primeiro passo físico do projeto veio com um chip de teste de 6 mm², fabricado em processo de 12 nm pela TSMC. O componente consome 1,4 watt, contra os 35 watts do FPGA usado antes pela Bolt para prototipar a arquitetura.

Esse chip não é ainda a GPU Zeus final, mas um veículo de teste focado principalmente no bloco de simulação eletromagnética. Ele trouxe para o silício, em versão reduzida, os aceleradores de física que estarão presentes na placa comercial.

De acordo com o fundador e CEO Darwesh Singh, o protótipo comprova que a empresa conseguiu levar para hardware um tipo de cálculo que hoje costuma rodar em software sobre CPUs e GPUs tradicionais. “O chip mostra que a Bolt pode rodar ‘um algoritmo de física altamente complexo, acelerado em hardware, que ninguém fez antes’”, afirmou Singh. A empresa diz que o desempenho ficou acima das próprias estimativas internas, mas não divulgou números detalhados.

Entenda o contexto

Enquanto o chip de teste usa um processo de 12 nm, a Zeus comercial será fabricada no nó N5P da TSMC, uma tecnologia mais avançada. A Bolt diz ter escolhido esse processo para fugir da disputa mais acirrada por wafers nos nós mais modernos, tentando garantir capacidade de produção quando a placa for para escala em 2028.

As placas PCIe da Zeus devem combinar memória LPDDR5X soldada com slots DDR5 SO-DIMM, permitindo expansão até 384 GB de RAM na própria placa. A ideia é atender cargas de trabalho que exigem grandes volumes de dados, como simulações de alta resolução e cenas complexas de path tracing.

A empresa afirma ter mais de 14 mil usuários e companhias em seu programa de acesso antecipado, incluindo desenvolvedores, estúdios e laboratórios de pesquisa. Segundo a Bolt, a linha de produtos em desenvolvimento já representa um potencial de receita superior a US$ 500 milhões, embora a lista de clientes interessados não tenha sido revelada.

Quando será lançada a GPU Zeus da Bolt Graphics?

A produção em volume da Zeus está planejada para 2028, o que significa que a GPU ainda está a alguns anos do lançamento comercial em larga escala. Até lá, a Bolt deve passar por novas rodadas de protótipos, testes com parceiros e validação de software.

Hoje, a GPU não está disponível para compra pelo público em geral. O que existe é o programa de acesso antecipado, focado em clientes que querem acompanhar o desenvolvimento, testar ferramentas e influenciar requisitos técnicos. A empresa não informou quando as primeiras unidades de pré-produção serão entregues.

Qual o impacto da GPU Zeus no mercado de placas gráficas?

Se cumprir o que promete, a Zeus pode mexer principalmente com o nicho de GPUs especializadas para engenharia, ciência e produção audiovisual, oferecendo ganhos de até 300 vezes em simulações e até 10 vezes em renderização. Isso interessa a estúdios de efeitos visuais, laboratórios e empresas que hoje dependem de clusters caros de servidores para rodar seus cálculos.

No médio prazo, a entrada da Bolt nesse segmento pressiona as líderes tradicionais, como Nvidia e AMD, a acelerar inovações em hardware dedicado de física e ray tracing. O uso de núcleos RISC-V e de uma arquitetura proprietária também pode estimular novas ferramentas e bibliotecas otimizadas para esse padrão aberto, mudando parte da cadeia de desenvolvimento.

Ao mesmo tempo, o plano de produção em 2028 e a dependência da manufatura asiática — ponto que motivou a abertura do escritório em Taipei — expõem a startup a riscos de logística e geopolítica. A captação de cerca de US$ 100 milhões, em uma rodada que avalia a empresa em torno de US$ 700 milhões, será decisiva para transformar o avanço técnico do chip de teste em um produto escalável, capaz de disputar espaço real no mercado de GPUs.