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Inteligência Artificial

Custos bilionários de IA derrubam ações de gigantes em NY hoje

Nasdaq 100 cai 2,7% e ações de Amazon, Alphabet, Intel, AMD e Nvidia desabam com medo de gastos bilionários em IA e fraqueza nos negócios principais; petroleiras sobem.

Custos bilionários de IA derrubam ações de gigantes em NY hoje
Employees walk past a conveyor belt carrying packages at the Amazon.com Inc. LCY3 fulfillment center in Dartford, UK, on Tuesday, Nov. 22, 2022. Wall Street is starting to doubt that retailers can snap out of a yearlong stock-market slump as consumers increasingly tighten their belts heading into the crucial holiday shopping season.

Inteligência Artificial

Ações de grandes empresas caem devido a preocupações com altos investimentos em IA e desempenho fraco em seus negócios principais.

Leia também: Framework CRIAR ajuda empresas a começar na IA

As ações de tecnologia voltam a despencar nas bolsas de Nova York nesta sexta-feira, com Amazon, Alphabet, Intel, AMD, Nvidia, Dell, Roblox e Reddit entre as maiores quedas, em meio ao medo de que os gastos bilionários com inteligência artificial (IA) e o enfraquecimento dos negócios principais não sustentem as altas recentes do setor. Na direção oposta, petroleiras como ExxonMobil e Chevron avançam após lucros acima das expectativas.

Bolsa em queda e rotação entre setores

Por volta das 9h45 em Nova York, o índice Nasdaq 100 recuava 2,7%, enquanto o S&P 500 caía 1,2%. O movimento aprofunda as perdas iniciadas na quarta-feira e concentra-se nas gigantes de tecnologia, que vinham puxando a alta de Wall Street ao longo do ano.

A Amazon perdia 2,2%, pressionada pelos planos de gastos pesados em IA e pelo desempenho mais fraco do comércio eletrônico, que ofuscam o avanço consistente da área de computação em nuvem. A Alphabet, dona do Google, já havia visto suas ações despencarem 13% no fechamento de quinta-feira, após reportar vendas de publicidade e busca abaixo do esperado.

No setor de chips, a Intel desabava 29%, na maior queda diária já registrada pela companhia, depois de projetar receita abaixo das estimativas, afetada pela demanda fraca por processadores para PCs e por problemas na cadeia de suprimentos para data centers. As rivais AMD e Nvidia recuavam 9,4% e 3,4%, respectivamente, e o índice Philadelphia Semiconductor caía 5,7%. A Dell Technologies, também ligada a PCs e servidores, perdia 8,3%.

Entre empresas de tecnologia voltadas ao consumo, a Roblox caía 16%, após divulgar número de usuários ativos diários abaixo das previsões, e o Reddit desabava 25% depois de anunciar que vai restringir o acesso aos fóruns da plataforma a usuários com conta cadastrada.

Investidores punem fraqueza no “negócio de sempre”

Analistas destacam que o mercado está menos tolerante com empresas cujos negócios tradicionais — como publicidade digital e comércio eletrônico — mostram sinais de desaceleração justamente no momento em que essas companhias aceleram investimentos em infraestrutura de IA, que consome caixa e depende de endividamento.

“A fraqueza dos negócios principais dessas empresas é um novo elemento no debate sobre se o retorno dos investimentos em IA virá rápido o suficiente para justificar a euforia em torno dessa tecnologia”, afirmou Matt Maley, estrategista-chefe de mercado da Miller Tabak & Co.

Nos últimos dias, o otimismo com o setor havia sido alimentado por notícias como o pedido de abertura de capital da desenvolvedora de IA Anthropic, a captação de mais de US$ 95 bilhões pela Meta Platforms e um acordo de leasing de US$ 40 bilhões da SpaceX para financiar a compra de chips de IA. Esse ambiente, porém, vem dando lugar ao temor de que a expansão da infraestrutura necessária à IA não seja sustentável no ritmo atual.

“Uma liquidação generalizada ainda não se concretizou, mas o cenário para que isso aconteça em novembro parece mais provável”, avaliou Jonathan Krinsky, estrategista-chefe de mercado da BTIG, ao comentar o risco de vendas em massa no setor de tecnologia.

Entenda o contexto

O avanço veloz da IA generativa levou gigantes de tecnologia a anunciar planos de investimento de dezenas de bilhões de dólares em data centers, chips especializados e infraestrutura de nuvem. Esses projetos pressionam o fluxo de caixa e, na visão de parte do mercado, exigem um crescimento robusto e duradouro dos negócios para se pagar.

Os últimos balanços, porém, mostraram tropeços em áreas que historicamente sustentam as receitas: anúncios online no caso da Alphabet e varejo digital no da Amazon. Ao mesmo tempo, o segmento de semicondutores para PCs patina, atingindo grupos como Intel, AMD, Nvidia e fabricantes de equipamentos como a Dell.

Com isso, cresce o receio de que a combinação de lucros pressionados, endividamento maior e múltiplos ainda elevados acabe por estourar uma possível bolha em torno da IA. “Se os principais índices começarem a cair, os investidores provavelmente migrarão para caixa em vez de outros setores, especialmente depois de toda a conversa sobre uma possível bolha que ouviram ao longo do último ano”, disse Maley.

Setor de energia vira refúgio com lucros fortes

Enquanto a tecnologia apanha, o setor de energia se destaca entre as raras altas do dia. A ExxonMobil divulgou lucro acima das expectativas antes da abertura do mercado, impulsionado pela disparada dos preços da gasolina e do diesel, que levou a área de refino a um resultado recorde. As ações subiam 2%.

A Chevron também superou as projeções de analistas, o que fazia seus papéis avançarem 1,4%. O desempenho reforça um movimento de rotação: parte dos investidores reduz exposição às gigantes de tecnologia e busca setores vistos como mais resilientes no curto prazo, como o de petróleo e gás.

Na quinta-feira, o índice S&P 500 Equal Weight — em que todas as ações têm o mesmo peso — avançou 1,2%, com cerca de 400 papéis em alta, mostrando que, apesar da derrocada das big techs, há fôlego em outros segmentos do mercado.

Incerteza com eleições e risco de reprecificação

Com as eleições legislativas da próxima semana no radar, cresce também a incerteza sobre o ambiente regulatório e econômico para o setor de tecnologia nos Estados Unidos. Mudanças em regras de concorrência, privacidade de dados e uso de IA podem afetar ainda mais o apetite por risco nessas empresas.

O peso das gigantes de tecnologia nos principais índices americanos faz com que a queda concentrada nesses nomes corroa o desempenho geral da bolsa. Se a tendência de aversão ao risco se intensificar, gestores avaliam que pode haver não apenas uma migração para setores como energia, mas também aumento de posições em caixa até que o quadro de lucros, juros e política fique mais claro.