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Datafolha mostra Lula e Flávio Bolsonaro em empate técnico

Nova pesquisa Datafolha a dez dias do primeiro turno mostra Lula com 40% e Flávio Bolsonaro com 36%, empate técnico e cenário bem mais aberto que em 2022.

25/09/2026 09:00 6 min de leitura
Datafolha mostra Lula e Flávio Bolsonaro em empate técnico
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Pesquisa Eleitoral

Levantamento recente revela cenário competitivo entre Lula e Flávio Bolsonaro a poucos dias da votação.

A dez dias do primeiro turno, a nova pesquisa Datafolha para presidente mostra Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 40% das intenções de voto e Flávio Bolsonaro (PL) com 36%, configurando empate técnico dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.

O resultado contrasta com o cenário da eleição passada, quando Lula abria 14 pontos de vantagem sobre Jair Bolsonaro na mesma altura da campanha, com 47% contra 33%. Hoje, a disputa aparece muito mais apertada e imprevisível.

Vantagem encolhe e segundo turno ganha força

No levantamento atual, Lula e Flávio Bolsonaro também estão tecnicamente empatados em simulação de segundo turno: o presidente marca 47%, o senador atinge 45%. A diferença de dois pontos está dentro da margem de erro, o que reforça a perspectiva de uma reta final tensa e sem favorito claro.

Há quatro anos, o quadro nas pesquisas era outro. Com 50% dos votos válidos estimados pelo Datafolha a dez dias da votação, Lula alimentava a expectativa de encerrar a disputa já no primeiro turno. Nas urnas, acabou ficando abaixo desse patamar, e a definição foi para a segunda rodada. Hoje, analistas consideram baixa a possibilidade de desfecho antecipado.

A fotografia atual indica um país novamente polarizado, mas com forças mais equilibradas. O eleitorado que em 2022 parecia caminhar para um desfecho relativamente definido agora se divide quase na mesma proporção entre o petista e o herdeiro político do bolsonarismo.

Rejeição empata e bases de Lula perdem fôlego

O dado que mais se altera em relação à eleição anterior é a rejeição dos principais candidatos. Em 2022, 52% dos entrevistados diziam não votar em Jair Bolsonaro de jeito nenhum, contra 39% que rejeitavam Lula. Hoje, a situação se inverte em equilíbrio: tanto Lula quanto Flávio Bolsonaro registram 45% de rejeição.

O número sinaliza um eleitor cansado da polarização, mas ainda preso a ela. Nenhum dos dois consegue, neste momento, furar com folga a barreira do voto negativo. A igualdade nesse índice também torna mais difícil a construção de uma candidatura alternativa forte, porque o espaço para um terceiro nome continua estreito.

A comparação dos levantamentos mostra desgaste nas bases tradicionais de Lula. Entre os eleitores que ganham até dois salários mínimos, ele ainda lidera com folga e aparece hoje com 46%, contra 32% de Flávio Bolsonaro. Na pesquisa de quatro anos atrás, porém, Lula alcançava 57% nesse grupo, enquanto Jair Bolsonaro ficava em 24%. A vantagem diminui, ainda que o petista mantenha hegemonia entre os mais pobres.

Na faixa entre dois e cinco salários mínimos, a correlação de forças é desfavorável ao presidente. Na campanha passada, Lula tinha 36% e Jair Bolsonaro 43%. Agora, o petista marca 33%, e Flávio Bolsonaro chega a 41%. O eleitor de renda média se consolida como terreno mais fértil para a direita.

Entre as mulheres, Lula preserva a dianteira, mas também com menos folga do que antes. Em 2022, tinha 49% das intenções de voto femininas, contra 29% de Bolsonaro. Hoje, aparece com 42%, enquanto Flávio Bolsonaro soma 33%. A distância encolhe, mas o presidente segue apoiado por um segmento historicamente decisivo.

Voto útil e crise institucional empurram polarização

A nova rodada do Datafolha confirma a migração antecipada de eleitores para os dois polos principais, um movimento que costuma se intensificar apenas às vésperas do segundo turno. Tanto lulistas quanto bolsonaristas têm ampliado o discurso do voto útil, mirando principalmente os simpatizantes de candidaturas menores.

Na esquerda, a pressão recai sobre nomes como Samara (UP) e Rui Costa Pimenta (PCO). Nas redes sociais, militantes defendem que esses votos se concentrem em Lula já na primeira votação, sob o argumento de evitar riscos em um eventual segundo turno apertado.

Na direita, o fenômeno é semelhante. O diretor de relações institucionais do Instituto Democracia em Xeque, Beto Vasques, afirma que a decisão antecipada favorece os dois líderes e corrói adversários periféricos. “O eleitor tem adiantado para o primeiro turno uma escolha que normalmente só faz no segundo. Isso ocorre mais na direita, onde os candidatos menores já mostram uma pequena queda nas pesquisas, mas não o suficiente para que a eleição termine na primeira votação”, diz.

Esse aperto atinge postulantes como Augusto Cury (Avante), que aparece com 5%, Ronaldo Caiado (PSD), com 4%, Renan Santos (Missão), com 3%, e Romeu Zema (Novo), com 1%. Somados, eles ainda ocupam uma fatia relevante do eleitorado, mas longe de representar, por ora, uma terceira via robusta.

O ambiente político contribui para a incerteza. Para o cientista político Renato Dorgan Filho, a atual crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal funciona como catalisador de insatisfação e abre brechas para discursos de ruptura. “O ambiente lembra 2018, quando crises como a Lava Jato e o impeachment de Dilma abriram espaço para candidaturas disruptivas. A crise do STF, hoje, cumpre papel parecido”, afirma.

Metodologia e o que pode mudar até a votação

A pesquisa Datafolha mais recente é feita presencialmente com 2.002 eleitores de 16 anos ou mais em 125 municípios, com margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos e nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o código BR-00304/2026. Em 2022, na mesma fase da campanha, o instituto havia ouvido 6.754 eleitores em 343 cidades.

Os números reforçam a leitura de uma eleição mais aberta do que a anterior, com polarização intensa, rejeições elevadas e pouco espaço para surpresas fora do eixo Lula–Flávio Bolsonaro. Ainda assim, o tamanho das bases em disputa indica que variações pequenas na reta final podem alterar a ordem de chegada, sobretudo em um eventual segundo turno decidido por diferença mínima.

Os próximos dias tendem a ser marcados por ofensivas cruzadas, novas apostas em voto útil e tentativas de reduzir a rejeição em segmentos-chave, como mulheres, eleitores de baixa renda e classe média urbana. A campanha entra na fase em que cada ponto percentual pode decidir não só quem lidera a chegada ao segundo turno, mas também quem larga na frente na etapa decisiva.

O que a pesquisa Datafolha mostra sobre a eleição presidencial de 2026?

A nova pesquisa Datafolha, feita com 2.002 eleitores em 125 municípios, mostra Lula com 40% e Flávio Bolsonaro com 36% das intenções de voto, um empate técnico dentro da margem de erro de dois pontos, com rejeição igual de 45% para ambos e baixa probabilidade de definição já no primeiro turno.

Como o cenário atual se compara ao da eleição presidencial anterior?

A dez dias do primeiro turno passado, Lula tinha 47% contra 33% de Jair Bolsonaro, vantagem de 14 pontos e 50% dos votos válidos estimados; hoje, o petista marca 40% e Flávio Bolsonaro 36%, com empate técnico também no segundo turno e bases lulistas mais frágeis, embora ainda fortes entre pobres e mulheres.

Há chance real de a eleição terminar no primeiro turno?

Com Lula em 40%, Flávio Bolsonaro em 36% e outros candidatos somando cifras relevantes, a chance de decisão no primeiro turno é considerada baixa, já que o líder está bem abaixo dos 50% dos votos válidos e a migração de voto útil, embora crescente, ainda não é suficiente para garantir desfecho imediato.


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