Derrota de Silvia Abravanel expõe limite da fama nas urnas
Silvia Abravanel e uma leva de celebridades tentam chegar ao Congresso nas eleições de 2026, mas ficam fora. Resultado expõe limites da fama na política.
Entretenimento
Celebridades enfrentam desafios para conquistar votos e garantir espaço no Congresso em 2026.
Silvia Abravanel, filha de Silvio Santos, tenta em 4 de outubro de 2026 transformar prestígio na TV em voto nas urnas. Sai da disputa por deputada federal em São Paulo com 22.464 votos, sem uma das 70 cadeiras do estado na Câmara dos Deputados. A derrota dela se repete entre outros nomes famosos e ajuda a redesenhar a relação entre celebridades e política no país.
Leva de famosos fica fora do Congresso
As apurações dos dias seguintes à votação confirmam um movimento claro: reconhecimento nacional não se converte automaticamente em mandato. Em São Paulo, principal colégio eleitoral do país, nenhum dos chamados “candidatos celebridades” ligados à TV, música e internet consegue se eleger, apesar do apoio de legendas robustas como PSD, MDB, PT, PSB, Republicanos e Avante.
Silvia concorre pelo PSD e faz campanha em torno da imagem construída no SBT, onde apresenta o “Sábado Animado” antes de se afastar para a corrida eleitoral. Após o resultado, adota tom de agradecimento nas redes sociais. “A política foi um novo capítulo na minha história, e eu tenho orgulho de ter colocado minha trajetória e minhas causas à disposição das pessoas. Agradeço, de coração, a cada pessoa que acreditou, caminhou comigo, me recebeu e esteve ao meu lado”, escreve.
Rachel Sheherazade, também do PSD, entra pela primeira vez em uma disputa eleitoral e vive destino parecido. A jornalista e apresentadora fecha a apuração com 22.453 votos para deputada federal por São Paulo, fora da lista de eleitos. “Perder faz parte do processo eleitoral. Por isso, reconhecer a soberania das urnas é essencial para qualquer cidadão democrata”, afirma, em publicação na internet. A situação dela no SBT, de onde se afasta para concorrer, permanece indefinida.
Votos expressivos, mas insuficientes
Outros nomes consagrados na TV aberta e em programas populares também não conseguem romper a barreira do quociente eleitoral e das coligações. José Luiz Datena, pelo PSB, soma 51.071 votos para deputado federal em São Paulo. O número é alto em comparação com candidaturas anônimas, mas insuficiente dentro da lógica do sistema proporcional, que leva em conta desempenho individual e do partido.
Sikêra Jr., candidato pelo Republicanos em São Paulo, alcança 37.047 votos. Geraldo Luís, pelo Avante, registra 10.176 votos. Na música, Manoel Gomes, o Caneta Azul, também pelo Avante, contabiliza 7.239 votos, enquanto MC Gui, do PSD, termina com 7.378 votos. Nenhum deles chega a uma das vagas para a Câmara.
Entre figuras ligadas à política e ao entretenimento, a lista de derrotas em São Paulo ainda inclui Adrilles Jorge, ex-BBB, com 26.694 votos; Netinho de Paula, do MDB, com 19.336; Jean Wyllys, agora pelo PT, com 18.073; Eduardo Xaropinho, personagem ligado ao programa de Ratinho, com 15.382; o ex-atacante Luís Fabiano, do MDB, com 9.613; e o ex-goleiro Sérgio, com 9.565 votos.
Marquito, humorista ligado ao SBT, termina com 1.595 votos. O ex-jogador Finazzi, do MDB, soma 1.069. Nomes de nicho digital, como o influenciador Baianinho de Mauá (7.452 votos) e a socialite Val Marchiori (5.025 votos), também não avançam.
Ceará, Sul e Norte repetem cenário
O fenômeno da decepção eleitoral das celebridades não se limita a São Paulo. No Ceará, Tiririca, um dos símbolos da ascensão de artistas ao Congresso na última década, tenta manter a carreira política iniciada em 2010. Candidato a deputado federal pelo PSD, fecha a eleição com 5.524 votos e fica fora da Câmara. A derrota encerra uma sequência de mandatos iniciada com votações históricas.
No Rio Grande do Sul, Matteus Amaral, vice-campeão do BBB 24, tenta a estreia na política pelo Progressistas (PP). Conquista 51.437 votos para deputado federal, número robusto para um estreante, mas insuficiente diante do desempenho das chapas rivais e da própria legenda no estado.
No Amazonas, a ex-BBB e apresentadora Vivian Amorim, do União Brasil, busca vaga de deputada estadual e termina com 10.797 votos, sem cadeira na Assembleia. No Distrito Federal, Marcelinho Carioca, ex-jogador e comentarista esportivo, também não se elege deputado distrital.
No Rio de Janeiro, a pulverização de candidaturas conhecidas atinge o ator Humberto Martins (DC) e figuras da internet e da TV como Antônia Fontenelle (PSDB), Inês Brasil (PSB), Andréa Sorvetão (DC) e Sarah Poncio (Solidariedade), todos derrotados. No futebol, Edmundo, pelo PSDB fluminense, registra 35.725 votos e não chega à Câmara.
No Tocantins, Vanderlei Luxemburgo, ídolo como técnico de futebol, tenta o Senado pelo Podemos. Fecha a apuração com 67.987 votos, também insuficientes para uma das cadeiras em disputa.
Limites da estratégia da “cara conhecida”
Os resultados de 2026 sinalizam desgaste de uma fórmula que ganha força a partir dos anos 2000: a aposta em rostos conhecidos para alavancar bancadas. Partidos de diferentes espectros investem em celebridades de TV, do esporte e da música em busca de capilaridade imediata. Saem da eleição obrigados a reavaliar a estratégia.
Na prática, o recado das urnas indica que a exposição na mídia já não basta. Em estados como São Paulo, o eleitor escolhe entre centenas de nomes e parece valorizar currículos políticos, propostas dirigidas a temas locais e atuação em movimentos específicos, mais do que fama genérica. A presença de campanhas estruturadas e tempo de TV também não resolve o descompasso entre seguidores e votos.
Para as próprias celebridades, a derrota produz um duplo impacto. No campo político, interrompe o projeto de ganhar voz institucional em temas que vão de defesa de direitos a segurança pública. No campo profissional, embaralha agendas na TV e na internet. Silvia Abravanel deixa o “Sábado Animado” para disputar a eleição e, após a votação, tem situação indefinida no SBT. Rachel Sheherazade volta ao noticiário em meio a dúvidas sobre seu futuro na emissora.
A postura pública após a derrota, porém, segue um padrão de reconhecimento do resultado. Nas mensagens de Silvia e Sheherazade, o discurso é de respeito ao processo eleitoral e de gratidão aos apoiadores, em contraste com questionamentos às urnas que marcam disputas recentes no país.
O que vem depois da onda de 2026
O desempenho fraco dos famosos em 2026 tende a repercutir nos bastidores partidários. Dirigentes ouvem o recado das urnas e devem reduzir a dependência de nomes midiáticos como principal trunfo eleitoral. A tendência, segundo analistas, é calibrar o peso da celebridade com exigência maior de enraizamento local e trabalho prévio com bases eleitorais.
A derrota de figuras como Tiririca, que já simbolizam uma geração de artistas na política, reforça a impressão de mudança de ciclo. Bancadas formadas sobre a lógica da piada ou do personagem carismático perdem espaço para perfis mais associados a pautas ideológicas ou a agendas identitárias e econômicas.
Enquanto partidos fazem contas e planos para 2030, os famosos derrotados avaliam se insistem na política ou retomam integralmente a carreira original. O futuro de Silvia Abravanel no SBT, a definição profissional de Rachel Sheherazade e os próximos passos de nomes como Caneta Azul, MC Gui e Matteus Amaral ajudam a medir até que ponto a experiência nas urnas se torna episódio pontual ou primeiro capítulo de uma trajetória política mais longa.
Caneta Azul foi eleito em 2026?
Não. Manoel Gomes, o Caneta Azul, concorre a deputado federal por São Paulo pelo Avante, recebe 7.239 votos e não conquista vaga na Câmara.
Matteus Amaral conseguiu se eleger deputado?
Também não. O vice-campeão do BBB 24 obtém 51.437 votos para deputado federal pelo Rio Grande do Sul, mas fica fora da lista de eleitos.
Silvia Abravanel ainda é candidata ou já encerra a campanha?
A campanha de Silvia termina com o primeiro turno de 4 de outubro de 2026. Ela não se elege e, após a apuração, aguarda definição sobre seu futuro no SBT.
Por que famosos com muitos seguidores não se elegem?
Seguidores e audiência dão visibilidade, mas não garantem voto. O sistema proporcional exige base organizada, quociente partidário forte e propostas que mobilizem eleitores locais.
Silvia Abravanel pode disputar outra eleição no futuro?
Pode. A derrota em 2026 não impede novas candidaturas. Uma eventual volta depende de decisão pessoal e de acordos futuros com partidos políticos.


