Menina da Bota tem 9.610 votos e fica fora da Câmara
Influenciadora e cantora de 23 anos transforma fama em 9.610 votos para deputada federal em Minas, mas esbarra nos limites do capital digital na política.
Entretenimento
Influenciadora de 23 anos conquista milhares de votos, mas não alcança cadeira na Câmara Federal em Minas Gerais.
Maria José Mendes da Cruz, a Menina da Bota, soma 9.610 votos para deputada federal em Minas Gerais nas eleições de 2026 e fica fora da Câmara. Com 99,24% das urnas apuradas, a influenciadora de 23 anos não alcança vaga pelo União Brasil.
Uma estrela das redes diante das urnas
O desempenho da jovem mineira, popular na internet desde 2024, vira termômetro de um fenômeno em ascensão na política brasileira: a tentativa de converter fama digital em mandato. O resultado mostra que a visibilidade nas redes, por mais impressionante que pareça, ainda encontra um teto quando enfrenta a lógica tradicional das urnas.
Natural de Angelândia, no Vale do Jequitinhonha, região marcada por baixa renda e pouca presença no centro do poder, Maria José projeta a própria história como símbolo de superação. “Buscava a eleição para melhorar a própria condição e a de sua família”, diz, em declaração registrada pelo portal em.com.br. O apelo pessoal rende engajamento, mas não supera as barreiras de estrutura, dinheiro e capilaridade territorial.
Da zona rural para 1,7 milhão de seguidores
A trajetória da Menina da Bota começa longe dos grandes centros. Ela aparece em vídeos gravados na zona rural, quase sempre de bota, dançando e cantando em estradas de terra, currais e quintais simples. Em 2024, esses registros explodem nas redes. Com linguagem direta, performance espontânea e estética de interior, ela ocupa um espaço raro num ambiente dominado por influenciadores urbanos.
O clipe da música “Menina da Bota”, produzido por Gilson G7, consolida o personagem. A música circula em grupos de WhatsApp, perfis de humor e páginas de entretenimento, e transforma Maria José em fenômeno nacional. No Instagram, ela atinge cerca de 1,7 milhão de seguidores e ultrapassa a marca de 1 milhão em outras plataformas, volume que desperta o interesse de partidos em busca de nomes capazes de furar bolhas eleitorais.
O União Brasil a lança candidata a deputada federal por Minas, com o número 4411. Ela estreia na disputa nacional em 2026, ancorada no carisma e no alcance digital. A aposta é clara: se um percentual modesto dos seguidores decidir votar, a vaga se torna viável. As urnas, porém, indicam outra realidade.
Quando o engajamento não vira voto
No início da apuração, na noite deste domingo (4), a candidatura se mantém no bloco dos nomes médios, distante dos favoritos. Com mais de 60% das urnas contabilizadas, registra cerca de 5 mil votos e está matematicamente fora da disputa. O avanço da contagem apenas confirma a tendência. No fim, o placar de 9.610 votos, com 99,24% das seções apuradas, fica muito aquém do necessário para alcançar uma cadeira na Câmara.
Enquanto isso, o quadro em Minas expõe a força de políticos já conhecidos e de estruturas consolidadas. Nikolas Ferreira, do PL, lidera a votação para deputado federal com 28,79% dos votos, o que equivale a 2.045.024 eleitores. Em seguida aparecem Ana Elisa, do PT, com 4,98% (353.846 votos), e Duda Salabert, do PSOL, com 2,53% (180.052 votos). O contraste com os 9,6 mil votos da Menina da Bota ilustra a distância entre a simpatia virtual e o voto efetivo.
Especialistas em comunicação política observam há anos o movimento de celebridades digitais em direção às urnas. A eleição de 2026 reforça a tese de que a popularidade online, isolada, não basta. Falta estrutura de campanha, presença em bases locais, alianças, tempo de TV e rádio, militância física. No caso de Maria José, a origem em uma região pobre e periférica agrava o desafio.
Memes nas urnas e o teto da cultura viral
A Menina da Bota não está sozinha na tentativa de levar personagens da cultura de internet para o Congresso. A eleição reúne outros nomes com origem em memes, como Manoel Gomes, o cantor do hit “Caneta Azul”, e Inês Brasil, figura recorrente em redes sociais e programas de entretenimento.
Segundo o site Tribuna do Sertão, “Menina da Bota, candidata a Deputada Federal em Minas Gerais, foi a mais votada entre os memes: foram quase 10 mil votos”. Manoel Gomes, candidato a deputado federal em São Paulo, obtém pouco mais de sete mil votos, cerca de 0,03% do total do estado. Inês Brasil, que tenta vaga de deputada estadual no Rio de Janeiro, fica em torno de três mil votos, o equivalente a 0,04% do eleitorado fluminense.
Somados, os três passam de 20 mil votos, número expressivo como curiosidade de campanha, mas irrelevante diante do universo de eleitores de cada estado. O resultado responde, na prática, às perguntas que circulam em redes e mecanismos de busca — “caneta azul foi eleito?”, “Manoel Gomes foi eleito?” — com um não categórico. Nenhum deles consegue ultrapassar a linha de corte para transformar o engajamento em capital político concreto.
O que o resultado revela sobre a política digital
A votação da Menina da Bota funciona como estudo de caso para marqueteiros e consultores eleitorais. A leitura imediata, entre profissionais do setor, é que a fase da aposta ingênua em “um post que resolve a eleição” se esgota. O futuro da comunicação política passa por integrar presença digital com organização de base, filiação partidária ativa e inserção em pautas concretas da comunidade.
Para o União Brasil, o desempenho abre espaço para reavaliar o equilíbrio entre candidaturas ancoradas em redes sociais e nomes com histórico eleitoral e estruturas locais. A legenda ganha visibilidade com a figura da influenciadora, mas não converte esse alcance em mandato. Em estados competitivos como Minas, o recado das urnas é direto: o voto tende a privilegiar figuras já testadas ou apoiadas por máquinas partidárias robustas.
Para Maria José, o resultado pode marcar menos um fim e mais um ponto de inflexão. Aos 23 anos, ela ainda está no início da trajetória pública. A experiência de 2026 pode levá-la a buscar mandatos locais, secretarias municipais ou projetos sociais ligados ao Vale do Jequitinhonha, onde a relação com o eleitor é mais direta e a presença física pesa tanto quanto a virtual.
A candidatura, mesmo derrotada, recoloca no debate a presença da juventude e de moradores de regiões periféricas e rurais na política institucional. Também pressiona por discussões sobre regulação do marketing político digital e transparência em campanhas que se apoiam fortemente em influenciadores. A próxima leva de candidatos saídos das redes tende a chegar mais preparada para o jogo pesado das urnas.
O cenário que se desenha para as próximas eleições é menos de abandono e mais de ajuste. A influência digital não desaparece, mas precisa caminhar ao lado de partidos, movimentos locais e agendas concretas. O que a votação da Menina da Bota mostra, neste domingo, é que o like ainda está longe de valer um voto — mas pode ser o primeiro passo de quem decide aprender a disputar o poder.
Quantos votos a Menina da Bota recebeu?
Com 99,24% das urnas apuradas em Minas Gerais, a Menina da Bota recebeu 9.610 votos para deputada federal em 2026 e não foi eleita.
Votação da Menina da Bota foi considerada alta?
O desempenho é expressivo para uma estreante sem estrutura tradicional, mas insuficiente em um estado competitivo como Minas, onde líderes somam mais de 2 milhões de votos.
Menina da Bota tem algum problema de saúde?
Não há, nas informações oficiais e reportagens usadas como base, qualquer menção a problemas de saúde envolvendo a Menina da Bota.
Manoel Gomes, o Caneta Azul, foi eleito?
Não. Manoel Gomes, candidato a deputado federal em São Paulo, teve pouco mais de sete mil votos, cerca de 0,03% do total, e não se elegeu.
Caneta Azul foi candidato em qual cargo?
Manoel Gomes disputou uma vaga de deputado federal por São Paulo nas eleições de 2026, apoiado na fama do hit “Caneta Azul”.
Inês Brasil conseguiu se eleger?
Não. Inês Brasil concorreu a deputada estadual no Rio de Janeiro, obteve cerca de três mil votos, o equivalente a 0,04% do estado, e ficou fora da Assembleia.


