Documentário sobre Theranos vira fenômeno de bilheteria nos EUA
‘You Can See Everything’, sobre Elizabeth Holmes e a Theranos, estreia com US$ 15 milhões, sessões esgotadas e 99% de aprovação, e reacende debate sobre fraudes em startups.

Tech Desk
Documentário estreia com grande sucesso e reacende discussões sobre fraudes no setor de startups.
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O documentário You Can See Everything, que acompanha a ascensão e queda de Elizabeth Holmes e da Theranos, estreia neste fim de semana com um feito raro para o cinema documental: US$ 15 milhões em bilheteria, cerca de 2.000 sessões esgotadas e 99% de aprovação em sites de avaliação.
Filme sobre Elizabeth Holmes lota salas e redefine o documentário pop
Com quase três horas de duração, You Can See Everything entra em cartaz em 855 salas nos Estados Unidos e, mesmo com esse circuito relativamente enxuto, vira sensação. Em cidades como Nova York, encontrar ingresso — especialmente em bairros como Manhattan — virou tarefa de garimpo, com poucas sessões ainda oferecendo lugares fora da primeira fila.
Os dados de bilheteria colocam a produção como a segunda maior abertura já registrada para um filme documental, resultado raro para um título do gênero. A combinação de um caso real emblemático do Vale do Silício, acesso inédito à protagonista e o envolvimento do comediante e diretor Nathan Fielder ajuda a explicar o interesse.
O longa revisita a história de Elizabeth Holmes, que fundou a Theranos prometendo revolucionar exames de sangue e acabou condenada a 11 anos de prisão por fraude contra investidores. A narrativa acompanha da fundação da startup ao colapso do império bilionário, passando pela queda em desgraça pública e pela preparação para a prisão.
Entenda o contexto
Histórias sobre Elizabeth Holmes e a Theranos já renderam livros, podcasts, séries de ficção e outros documentários. A diferença agora está no acesso que a equipe de You Can See Everything obteve: Holmes e sua família abriram as portas para os diretores no mês anterior à sua ida para a cadeia, permitindo registros íntimos da rotina e da estratégia de imagem nesse período decisivo.
O filme foi co-dirigido por Nathan Fielder, criador de The Rehearsal e conhecido pelo humor seco e pelo jeito calculadamente estranho em cena, e por Lance Oppenheim. A presença de Fielder, que também aparece no filme, dá à obra um tom híbrido, que mistura investigação, desconforto e momentos de humor discreto.
A jornalista Amanda Silberling, que já assistiu ao longa, resume a química entre os dois protagonistas diante da câmera: “Elizabeth Holmes finalmente parece ter encontrado seu par em Fielder, um comediante deadpan que é tão estranho e misterioso quanto ela”.
Impacto no mercado e comparação com rivais
O desempenho de You Can See Everything afeta diretamente outras produções que exploram o universo da tecnologia e de seus bilionários. Filmes concorrentes com temática semelhante, como The Social Reckoning e o documentário Musk, registram bilheterias bem mais modestas neste mesmo período e perdem espaço na disputa pela atenção do público.
Na prática, o sucesso comercial do longa estabelece uma nova referência para o cinema documental: mostra que obras com rigor investigativo podem, ao mesmo tempo, apostar em linguagem envolvente e elementos de humor sem afastar espectadores. Para os estúdios, é um sinal de que casos reais do mundo das startups, quando tratados com acesso exclusivo e abordagem autoral, podem sair do nicho para disputar público com ficções de grande orçamento.
Para além da bilheteria, o filme também reacende o debate sobre ética, responsabilidade e culto à personalidade em torno de fundadores de empresas de tecnologia. Ao colocar Holmes de volta em foco com acesso íntimo e registrado às vésperas da prisão, a obra promete alimentar novas discussões sobre como o Vale do Silício lida com promessas exageradas, investidores fascinados e vítimas de fraudes sofisticadas.
Onde posso assistir ao documentário You Can See Everything?
Neste fim de semana de estreia, You Can See Everything está em exibição exclusiva nos cinemas dos Estados Unidos, em 855 salas, com forte concentração em grandes centros urbanos.
As sessões estão especialmente disputadas nas principais cidades, caso de Nova York, onde relatos dão conta de pouquíssimas opções de assentos livres em horários concorridos. Para conferir horários (You Can See Everything showtimes) e disponibilidade, a recomendação é buscar diretamente nos sites das redes de cinema dos EUA ou em agregadores de ingressos, já que muitas sessões estão esgotadas.
Para o público brasileiro interessado em You Can See Everything onde assistir, ainda não há lançamento anunciado em salas do Brasil nem data confirmada de chegada ao streaming. A expectativa do mercado é que, após a temporada inicial nos cinemas norte-americanos, o longa seja licenciado por alguma plataforma, mas até agora não há confirmação oficial.
You Can See Everything está disponível em quais plataformas de streaming?
Até o momento, You Can See Everything não está disponível em nenhuma plataforma de streaming: a exibição atual é apenas em cinemas dos Estados Unidos.
O plano de lançamento segue o modelo tradicional de documentários de prestígio: estreia em festival (no caso, com sessão secreta em Telluride no mês passado), ampla discussão crítica e, agora, um circuito comercial forte de cinema. A partir do desempenho de bilheteria e da repercussão — atualmente em 99% de aprovação no Rotten Tomatoes e Metacritic —, o próximo passo provável é um acordo com alguma grande plataforma global, mas detalhes de janela, data e serviços envolvidos ainda não foram divulgados.
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