Dólar cai a R$ 4,95 e Ibovespa salta 9,1% após 1º turno
Dólar comercial recua mais de 4% e fecha abaixo de R$ 5, enquanto o Ibovespa dispara 9,1% e renova recorde histórico, em rali pós-primeiro turno de 2026.
Economia
Moeda americana recua e índice brasileiro atinge novo pico após eleições municipais.
O dólar comercial cai mais de 4% e encosta em R$ 4,95, enquanto o Ibovespa salta 9,1% e atinge 209.606 pontos nesta segunda-feira, 5 de outubro de 2026. O rali vem um dia depois do primeiro turno das eleições presidenciais, que leva Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao segundo turno e coloca o senador à frente na corrida.
Mercado celebra ajuste fiscal mais provável
A combinação de real mais forte, bolsa em recorde e juros futuros em queda reflete uma leitura imediata: investidores veem maior chance de ajuste fiscal a partir de 2027. A vantagem de Flávio Bolsonaro, com 47,03% dos votos válidos contra 45,16% de Lula, aliada à formação de um Congresso mais conservador, redesenha o mapa de risco político no país.
Entre analistas e gestores, prevalece a avaliação de que um eventual governo do PL teria discurso mais duro sobre controle de gastos. “O mercado financeiro passa a atribuir uma probabilidade maior de alternância de poder e, junto com ela, uma possibilidade maior de mudança na condução fiscal a partir de 2027”, afirma Marco Saravalle, estrategista-chefe da Krivo Capital.
A leitura contrasta com a desconfiança em relação à trajetória das contas públicas no atual governo. A dívida bruta chega a 82,9% do PIB, maior nível da série histórica, após alta de cerca de dez pontos percentuais em quatro anos. Gastos extras e flexibilizações de regras fiscais alimentam esse incômodo.
Do choque nas urnas ao rali na B3
O movimento começa cedo. Logo na abertura, o dólar comercial aprofunda a queda em relação à sexta-feira, quando havia encerrado a R$ 5,21. Na mínima do dia, recua 5% e chega a R$ 4,95. O dólar futuro para novembro acompanha a tendência na B3 e cai 4,38%, a R$ 5,023.
Na Bolsa, o Ibovespa dispara 9,1% e vai a 209.606 pontos, o maior patamar da história do índice. A reação supera expectativas de consultorias internacionais, que projetavam ganhos entre 3% e 5% para o dia. A surpresa com a frente de Flávio Bolsonaro e o desempenho da direita nas eleições legislativas amplifica o otimismo.
As ações mais sensíveis à queda de juros e à melhora da confiança lideram. Varejistas, que vinham pressionadas por crédito caro e consumo fraco, viram a chave. Magazine Luiza dispara 25% e C&A sobe 18,6%. “Na Bolsa, impacto maior em empresas de menor qualidade: small caps, empresas endividadas e com resultados fracos”, resume Fernando Siqueira, head de Research da Eleven, ao descrever o movimento de alívio em papéis mais penalizados nos últimos anos.
O setor financeiro acompanha o rali. Itaú avança 9,15%, Banco do Brasil sobe 12,39%, Bradesco ordinárias ganham 11,29% e BTG Pactual salta 14,24%. A própria B3 dispara 27,79%, numa leitura de que maior apetite a risco e possível agenda pró-mercado podem ampliar o giro de negócios.
Entre as gigantes ligadas a commodities e energia, o pregão também é de alta. As ações ordinárias da Petrobras sobem 5,63%, e as preferenciais, 6,45%. A Vale avança 1,83%. Analistas apontam que, além do fator eleitoral, pesam a demanda global por energia e o apetite por proteção em petróleo. Dalton Gardimam, analista da Ágora, vê o petróleo como peça central nesse cenário, em meio a tensões geopolíticas, consumo em alta e falta de investimentos na oferta.
Flávio fala em “fim da era PT”; Lula promete reação
O resultado de domingo rompe o cenário de empate técnico traçado pelas pesquisas na reta final e reforça a sensação de guinada política em Brasília. O PL se consolida como maior partido do Senado e amplia espaço na Câmara, criando, na visão de gestores, condições mais favoráveis para uma agenda de reformas.
Flávio Bolsonaro tenta capturar esse impulso. Ao comentar as urnas, afirma que o resultado marca “o fim da era PT” e promete abrir mão da reeleição caso vença, dizendo que um mandato basta para resolver os problemas do país. O discurso mira o eleitorado cansado de impasses fiscais e sucessivas mudanças de regra.
Lula reage logo na noite de domingo. O presidente diz que inicia imediatamente uma nova campanha para virar o jogo até 25 de outubro, data do segundo turno. A promessa de confronto direto mantém a incerteza política e ajuda a explicar por que, mesmo em alta, o mercado não descarta reversões parciais do rali nas próximas semanas.
Capital estrangeiro entra, exportadores sentem pressão
O reflexo da virada política brasileira chega também a Nova York. O ETF EWZ, que reúne ações brasileiras listadas nos Estados Unidos, sobe 12,65% no pregão americano, sinal de entrada de capital estrangeiro em ativos do país. Entre as 31 moedas mais negociadas do mundo, o real figura entre as que mais se valorizam no dia.
A valorização da moeda traz efeitos imediatos para a economia real. Um dólar em queda reduz o custo de produtos importados e barateia insumos em setores como indústria, tecnologia e varejo, aliviando parte da pressão de custos e, em tese, da inflação. Consumidores que pretendem viajar ao exterior ou comprar bens em moeda estrangeira também se beneficiam.
Para empresas exportadoras, porém, o real mais forte funciona como freio. Receitas em dólar valem menos quando convertidas, o que reduz margens e pode tirar competitividade no exterior. A alta de Petrobras e Vale no pregão desta segunda reflete muito mais a combinação de cenário global e expectativa regulatória do que ganhos com câmbio.
Mesmo com o humor benigno, gestores evitam euforia. Parte da arrancada é atribuída a um ajuste de posições depois de semanas de cautela, em que grandes fundos preferiram derivativos e estratégias de proteção à exposição direta em ações brasileiras. A dúvida agora é se o movimento se consolida como reprecificação estrutural ou se fica restrito a um rali eleitoral.
Risco fiscal segue no centro do jogo
Projeções de bancos internacionais mostram o peso do ajuste prometido pelos candidatos. O JPMorgan calcula que, em um cenário de aperto fiscal consistente, o real poderia se valorizar cerca de 6% adicionais, os juros dos títulos públicos cairiam para perto de 13% ao ano e a Bolsa teria espaço para saltar até 50%. Numa deterioração das contas, o quadro se inverte: moeda mais fraca numa magnitude parecida, juros longos em torno de 15,5% e queda potencial de 21% nas ações.
Os juros futuros já reagem nesta segunda, com quedas superiores a 6% nos vencimentos intermediários e longos. A curva mais baixa sinaliza que investidores enxergam maior chance de o próximo governo, qualquer que seja o eleito, ser empurrado a enfrentar o desequilíbrio das contas públicas, sob pena de punição rápida dos mercados.
No pano de fundo, o cenário externo contribui. Dados de emprego nos Estados Unidos reforçam a percepção de estabilidade nos juros básicos americanos, o que reduz a pressão sobre moedas emergentes. A combinação de renda fixa menos atraente no exterior e ativos brasileiros em liquidação relativa cria espaço para uma correção de preços, potencializada pelo choque político doméstico.
Historicamente, o dia seguinte ao primeiro turno costuma ser de fortes oscilações na B3. Em 2022, o índice já havia subido 5,54% após a votação. O salto de 2026, porém, quebra a série, com a maior alta em duas décadas e um recado direto ao próximo governo: sem sinal claro de responsabilidade fiscal e previsibilidade na política econômica, o entusiasmo pode se esvaziar na mesma velocidade em que surgiu.
Os próximos dias devem ser marcados por ajustes finos nas campanhas, detalhamento de propostas econômicas e, sobretudo, pela leitura da composição final do Congresso. Investidores vão mirar não apenas promessas de corte de gastos, mas a capacidade real de aprovação de reformas. A dúvida que guia as telas de dólar e Ibovespa hoje é simples e decisiva: o rali desta segunda inaugura um novo patamar para os ativos brasileiros ou será lembrado apenas como o suspiro mais forte de uma eleição ainda indefinida?
Por que o dólar caiu após o primeiro turno das eleições 2026?
Porque investidores passaram a ver maior chance de alternância de poder e de ajuste fiscal a partir de 2027, com Congresso mais conservador e Flávio Bolsonaro à frente, o que reduz a percepção de risco do Brasil.
Como o resultado do primeiro turno das eleições impactou o Ibovespa e o dólar hoje?
O Ibovespa subiu 9,1%, a 209.606 pontos, recorde histórico, puxado por varejo, bancos e Petrobras. O dólar comercial recuou cerca de 5%, negociado a R$ 4,95 na mínima do dia.
Qual foi a cotação do dólar hoje após o resultado do primeiro turno das eleições?
O dólar comercial caiu de R$ 5,21 na sexta-feira para R$ 4,95 na mínima desta segunda-feira, uma desvalorização de 5%. O dólar futuro de novembro ficou em R$ 5,023.
Como a Petrobras influenciou a alta do Ibovespa hoje?
As ações da Petrobras acompanharam o rali: os papéis ordinários subiram 5,63% e os preferenciais, 6,45%, ajudando a impulsionar o índice, que é fortemente ponderado por estatais e grandes exportadoras.
Qual a relação entre o avanço do bolsonarismo nas eleições e o comportamento do dólar e da bolsa hoje?
O avanço de Flávio Bolsonaro e de partidos de direita no Congresso reforçou a leitura de agenda econômica mais conservadora e pró-ajuste fiscal, o que fortaleceu o real e estimulou a compra de ações brasileiras.
Como acompanhar a cotação do dólar ao vivo no dia pós-eleição?
É possível acompanhar em tempo real em sites de finanças, plataformas de corretoras, aplicativos de banco e no próprio site da B3, que atualizam dólar à vista e futuro ao longo do pregão.


