Dólar cai a R$ 4,95 e Ibovespa dispara a 209 mil após 1º turno
Dólar comercial recua 5%, a R$ 4,95, e Ibovespa salta 9,1%, a 209.606 pontos, com vitória de Flávio Bolsonaro no 1º turno e aposta em ajuste fiscal em 2027.
Mercado Financeiro
Reação positiva dos mercados após o primeiro turno eleitoral impulsiona dólar e bolsa de valores.
O dólar comercial desaba mais de 5% e encosta em R$ 4,95, enquanto o Ibovespa salta 9,1% e crava recorde de 209.606 pontos, na esteira do primeiro turno presidencial que colocou o senador Flávio Bolsonaro (PL) à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa pelo Planalto.
A reação vem rápida e ampla: a moeda brasileira lidera os ganhos entre 31 divisas globais, juros futuros recuam em bloco e ações de bancos, varejo e da própria B3 disparam, em um movimento ancorado na expectativa de ajuste fiscal mais duro a partir de 2027.
Bolsa em rali histórico e real na liderança global
Logo no início do pregão desta segunda-feira, o dólar comercial rompe a barreira de R$ 5 e, na mínima às 10h40, é negociado a R$ 4,95, queda de 5% em relação ao fechamento de sexta-feira, quando havia terminado o dia em R$ 5,21. O real se torna a moeda que mais se valoriza no mundo hoje entre os principais pares.
Na Bolsa de Valores de São Paulo, o ambiente é de euforia. O Ibovespa avança 9,1% e atinge 209.606 pontos, novo patamar histórico para o principal índice de ações do país. O rali se concentra em papéis sensíveis à trajetória de juros, como varejistas, construtoras, shoppings e bancos, além da própria operadora da bolsa.
As ações da Magazine Luiza saltam 25%, enquanto C&A sobe 18,6%. A B3 dispara 27,79%, tornando-se um dos símbolos da reprecificação do risco Brasil. Entre os grandes bancos, Itaú avança 9,15%, Banco do Brasil sobe 12,39%, Bradesco tem alta de 11,29% nas ações ordinárias, e BTG Pactual ganha 14,24%. Petrobras sobe mais de 5% nas ações ordinárias e mais de 6% nas preferenciais, e Vale acumula alta de 1,83%.
No exterior, o apetite por ativos brasileiros já aparecia antes da abertura local. Um ETF atrelado à Bolsa brasileira negociado no Japão chega a subir 14% na madrugada, enquanto o iShares MSCI Brazil, principal fundo de índice de ações brasileiras em Nova York, avança mais de 12% na pré-abertura. No meio da sessão americana, o ganho supera 12%, reforçando a percepção de forte entrada de capital estrangeiro.
Eleições redesenham expectativa fiscal e de juros
O gatilho para a disparada é o resultado das urnas. Flávio Bolsonaro termina o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula, diferença de cerca de 2,2 milhões de votos. A liderança, maior do que o antecipado por parte do mercado, é lida como sinal de maior probabilidade de alternância de poder e de mudança na condução fiscal.
Marco Saravalle, estrategista-chefe da Krivo Capital, resume o sentimento. “O mercado financeiro passa a atribuir uma probabilidade maior de alternância de poder e, junto com ela, uma possibilidade maior de mudança na condução fiscal a partir de 2027”, afirma.
A antecipação de um real mais forte muda também a curva de juros. Os contratos futuros embutem agora expectativa de taxa Selic em 13% em dezembro, abaixo dos 13,75% atuais. O ajuste é tão abrupto que o Tesouro Direto, plataforma de negociação de títulos públicos para pessoas físicas, tem as operações temporariamente suspensas no meio da manhã, em razão da volatilidade das taxas.
Cathy Hepworth, chefe da equipe de dívida de mercados emergentes da PGIM, vê espaço para continuidade do movimento. “Como o segundo turno parece estar nas mãos de Flávio, os ativos brasileiros devem subir”, diz. “O real e os juros devem ter um desempenho muito bom”, acrescenta.
As projeções se apoiam também em contas de grandes bancos internacionais. Em relatório recente, o JPMorgan estimou que, em cenário de ajuste fiscal, o real poderia se valorizar 6%, os juros dos títulos públicos locais recuariam para perto de 13% ao ano e as ações subiriam até 50%. O oposto, com deterioração fiscal, significaria moeda mais fraca, juros próximos de 15,5% e queda de 21% na Bolsa.
Fortalecimento do PL e discurso pró-ajuste animam investidores
A reação dos mercados também reflete a nova correlação de forças no Congresso. O PL, partido de Flávio Bolsonaro, se consolida como a maior bancada do Senado, com 19 senadores eleitos e uma representação que chegará a 28 parlamentares a partir de fevereiro. A leitura é de que um eventual governo do PL teria base mais robusta para aprovar reformas e medidas de ajuste.
Guilherme Abbud, CEO da Persevera Asset Management, considera o desenho institucional favorável para a pauta econômica. “Do ponto de vista da governabilidade e da agenda econômica, as condições nunca foram tão favoráveis”, avalia. Para ele, “a reação deve ser muito forte, e há potencial para que a alta se prolongue por vários dias”, caso o discurso de responsabilidade fiscal se traduza em medidas concretas.
Integrantes das equipes econômicas dos dois lados tratam de ancorar expectativas. Daniella Marques, coordenadora da agenda econômica de Flávio Bolsonaro, insiste na necessidade de disciplina nas contas públicas. “Autocontenção de gastos virá com diálogo entre Poderes”, afirma, numa tentativa de sinalizar compromisso com limites orçamentários.
Do lado do governo atual, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad Durigan, sustenta que já há resposta em curso. “O gasto obrigatório vai crescer menos no Orçamento de 2027. Isso é resposta efetiva”, diz, ao defender que o cenário fiscal pode melhorar independentemente de quem vença o segundo turno.
Os números, porém, cobram um ajuste mais duro. A dívida pública chega a 82,9% do Produto Interno Bruto, maior nível da série histórica recente, após alta de cerca de dez pontos percentuais em quatro anos. Esse pano de fundo ajuda a explicar por que parte significativa do mercado vê na mudança de orientação econômica uma condição para sustentar o rali de hoje.
Quem ganha, quem perde e o que vem pela frente
A valorização rápida do real tende a aliviar pressões inflacionárias ao baratear importados e insumos dolarizados, o que beneficia indústrias, varejistas e empresas de bens de consumo. Juros mais baixos no futuro, se confirmados, reduzem o custo de financiamento de companhias endividadas e barateiam o crédito para famílias, potencialmente estimulando o consumo e a atividade econômica.
Exportadores, por outro lado, sentem o peso de um câmbio mais apreciado sobre a competitividade internacional, em especial em segmentos de margens apertadas. Investidores em renda fixa atrelada à Selic também podem ver retornos menores, caso a trajetória de queda de juros se firme. A própria interrupção temporária do Tesouro Direto é um lembrete de que a transição entre regimes de juros costuma ser turbulenta.
Para além da disputa eleitoral entre Flávio Bolsonaro e Lula, os próximos dias devem trazer correções e períodos de volatilidade, à medida que pesquisas de intenção de voto forem atualizadas e programas econômicos forem detalhados. O segundo turno, marcado para 25 de outubro, é o grande divisor de águas para a direção dos ativos brasileiros.
Um cenário de vitória de Flávio, com avanço efetivo da agenda de ajuste, é visto hoje como a combinação mais favorável para a continuidade da valorização do real, queda consistente dos juros e prolongamento da alta do Ibovespa. Um desfecho que sinalize manutenção da trajetória fiscal atual ou conflito prolongado entre governo e Congresso tende a reverter parte dos ganhos, reacendendo a busca por proteção em dólar e elevando o custo de financiamento do país.
O pregão desta segunda-feira marca, assim, mais do que uma euforia pontual. Os preços de dólar, juros e ações passam a embutir um novo cenário base para o Brasil, ainda em disputa nas urnas, mas já precificado pelos investidores que tentam se antecipar à próxima década da economia brasileira.
Como o resultado do 1º turno das eleições impactou o dólar hoje?
O dólar comercial cai 5% hoje, chegando à mínima de R$ 4,95 às 10h40, porque o resultado do 1º turno, com Flávio Bolsonaro à frente, aumenta a aposta em ajuste fiscal a partir de 2027, eleva a confiança em menor risco-país e atrai capital estrangeiro para ativos brasileiros, fortalecendo o real.
Por que o dólar caiu mais de 4% após o avanço da extrema direita nas eleições?
O dólar recua mais de 4%, batendo R$ 4,95 na mínima, porque a vitória expressiva de Flávio Bolsonaro e o fortalecimento do PL no Senado são lidos por investidores como sinal de maior compromisso com responsabilidade fiscal, redução do déficit e reformas, o que reduz o prêmio de risco e valoriza a moeda brasileira.
Qual a relação entre o desempenho do Ibovespa e a cotação do dólar hoje?
O Ibovespa sobe 9,1%, a 209.606 pontos, enquanto o dólar cai a R$ 4,95 porque ambos reagem ao mesmo choque de confiança: expectativa de ajuste fiscal, juros futuros mais baixos e entrada de capital estrangeiro, o que puxa ações sensíveis a juros e fortalece o real ao mesmo tempo.
Como a aposta em responsabilidade fiscal influenciou a queda do dólar hoje?
A perspectiva de responsabilidade fiscal derruba o dólar a R$ 4,95 porque indica menor necessidade de endividamento futuro, reduz o risco de inflação mais alta e de juros domésticos muito elevados, tornando títulos e ações brasileiras mais atraentes e incentivando estrangeiros a trocar dólares por reais para investir aqui.
Qual foi a cotação do dólar após o 1º turno das eleições?
O dólar comercial é negociado hoje, primeiro pregão após o 1º turno, com mínima de R$ 4,95, queda de 5% ante os R$ 5,21 de sexta-feira, em meio à leitura de que a liderança de Flávio Bolsonaro e o fortalecimento do PL no Senado aumentam a probabilidade de ajuste fiscal e de melhora das contas públicas.
Como a alta da Petrobras em Nova York afetou o mercado financeiro e o dólar hoje?
As ações da Petrobras sobem mais de 5% no Brasil e acompanham a forte valorização dos recibos em Nova York, reforçando o rali de papéis brasileiros e a entrada de capital estrangeiro; esse fluxo adicional de dólares para comprar ações locais aumenta a demanda por reais, contribui para o avanço do Ibovespa e ajuda a pressionar o câmbio para R$ 4,95.


