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Lançamentos de IA

EUA ordenam remoção urgente da IA DeepSeek por risco de vazamento

Departamento de Segurança Interna dos EUA ordena que todas as agências civis parem de comprar e removam produtos da chinesa DeepSeek, por risco de acesso de dados sensíveis por autoridades da China.

EUA ordenam remoção urgente da IA DeepSeek por risco de vazamento

Segurança Digital

Medida visa proteger dados sensíveis de agências civis contra possíveis acessos não autorizados da China.

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O Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos determinou que todas as agências civis federais interrompam imediatamente a compra de produtos e serviços da startup chinesa de inteligência artificial DeepSeek e removam as soluções já instaladas dos sistemas de TI do governo, alegando risco de que “sensível informação de usuários do governo dos EUA poderia ser acessível às autoridades chinesas”.

Por que os EUA ordenaram a remoção da DeepSeek AI dos sistemas federais?

A ordem foi motivada pelo temor de que dados de servidores públicos e sistemas governamentais americanos armazenados ou processados pela DeepSeek possam ser alcançados por órgãos de Estado da China, amparados pela legislação local de segurança e inteligência. Segundo o Departamento de Segurança Interna, o modo como a empresa lida com dados de usuários não oferece garantias suficientes contra esse tipo de acesso.

Na prática, o governo americano avalia que qualquer empresa sediada na China está sujeita a pressões legais para cooperar com autoridades em investigações e demandas de segurança nacional, o que tornaria vulneráveis informações estratégicas dos EUA. A ordem publicada nesta semana afirma que, por isso, o uso da tecnologia da DeepSeek em sistemas oficiais representa um risco direto à segurança nacional.

Além de interromper novas contratações, o texto manda que as agências rastreiem e removam tanto softwares diretamente fornecidos pela DeepSeek quanto ferramentas de terceiros que incorporem seus modelos de IA. Há possibilidade de exceções pontuais, mas apenas mediante justificativa formal e autorização específica.

Quais agências federais dos EUA foram afetadas pela ordem de remoção da DeepSeek AI?

A determinação atinge todo o conjunto de agências civis federais dos Estados Unidos, de órgãos reguladores a departamentos administrativos, passando por áreas como saúde, infraestrutura, serviços sociais e pesquisa. Até agora, restrições à DeepSeek estavam concentradas em sistemas de inteligência e segurança nacional, com base em uma lei aprovada em dezembro de 2025.

Com a nova ordem, o veto passa a valer para todo o espectro de órgãos civis, o que amplia de forma significativa o alcance das limitações. Cada agência terá de fazer um levantamento interno para identificar onde a tecnologia da empresa chinesa — inclusive embutida em soluções de parceiros — está em uso e elaborar um plano de retirada e substituição.

O processo envolve departamentos de tecnologia da informação, segurança cibernética e compras públicas, e pode afetar contratos vigentes de softwares e serviços em nuvem, exigindo migração para fornecedores alternativos.

Entenda o contexto

A ofensiva contra a DeepSeek ocorre em meio à disputa cada vez mais acirrada entre Estados Unidos e China pelo domínio da inteligência artificial. A startup chinesa ganhou projeção global depois que seu modelo de raciocínio R1, lançado em janeiro de 2025, mexeu com o mercado de IA e pressionou concorrentes americanos ao oferecer modelos de baixo custo e com peso de código aberto.

Autoridades e reguladores dos EUA já vinham mirando a empresa. O governo americano acusou a DeepSeek e outras cinco companhias chinesas, entre elas gigantes como Alibaba e a novata Moonshot AI, de usarem técnicas de distilação de modelos para extrair conhecimento de sistemas de IA desenvolvidos nos Estados Unidos.

Empresas americanas como OpenAI e Anthropic também relataram a autoridades suspeitas de que a DeepSeek teria tentado treinar seus próprios modelos a partir de saídas geradas por sistemas rivais. A OpenAI informou parlamentares nos EUA sobre tentativas identificadas de distilação de seus modelos, enquanto a Anthropic disse ter barrado coletas não autorizadas de respostas do Claude por laboratórios chineses, incluindo a startup agora alvo da proibição.

China reage e fala em defesa de empresas

O governo chinês criticou a decisão americana. Em coletiva, a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Mao Ning, afirmou que Pequim “nos opomos à ampliação indevida do conceito de segurança nacional e à politização das questões tecnológicas e comerciais”.

Ela acrescentou que a China “defenderemos resolutamente os direitos legítimos das empresas chinesas”, sinalizando que o caso da DeepSeek deve ser tratado também como disputa comercial e não apenas como tema de segurança. Para Pequim, Washington usa o argumento da proteção de dados para limitar o avanço de competidores chineses em setores estratégicos, como IA e semicondutores.

Em paralelo, autoridades chinesas estudam impor restrições próprias à exportação de 23 tecnologias ligadas à inteligência artificial, incluindo projetos de chips e modelos avançados. A medida é apresentada por Pequim como forma de mitigar riscos de segurança e de uso indevido de tecnologias sensíveis, mas também é vista como possível resposta à escalada de controles americanos.

Impacto para o mercado de IA e para a disputa EUA x China

Para a DeepSeek, a ordem americana representa a perda imediata de espaço em um mercado de alto valor e forte efeito de referência: o setor público dos EUA. A proibição atinge não só contratos diretos, mas também parcerias e integrações, o que pode desestimular empresas globais a incorporar seus modelos em produtos voltados a clientes governamentais.

Outras companhias chinesas de IA tendem a enfrentar maior escrutínio regulatório fora da China, tanto em licitações públicas quanto em contratos privados de setores considerados críticos, como energia, telecomunicações e finanças. O episódio reforça a tendência de segmentação do mercado global de tecnologia, com blocos de países restringindo o uso de soluções desenvolvidas por rivais geopolíticos.

Empresas americanas como OpenAI e Anthropic aparecem como potenciais beneficiadas no curto prazo, ganhando terreno em disputas por contratos federais e estaduais. Ao mesmo tempo, a pressão política aumenta: além de oferecer desempenho competitivo, essas companhias passam a ser cobradas por garantias mais robustas de segurança, governança de dados e transparência de modelos.

No plano internacional, a decisão americana e a reação chinesa aprofundam a rivalidade tecnológica entre as duas maiores economias do mundo. Novas barreiras comerciais e regulatórias na área de IA podem encarecer projetos de modernização digital, atrasar a adoção de inovações e dificultar iniciativas de cooperação científica entre pesquisadores dos dois lados.

Para as agências federais dos EUA, o próximo passo é operacionalizar a remoção dos sistemas ligados à DeepSeek, renegociar contratos e migrar fluxos de trabalho para novas plataformas. O processo deve consumir tempo e recursos adicionais, em um momento em que governos correm para incorporar inteligência artificial em serviços públicos sob regras cada vez mais rígidas de proteção de dados e segurança nacional.

Fonte: matéria original