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Lançamentos de IA

Dylan Field expande Figma com 20 parceiros MCP e alerta riscos

Na Config Índia, Figma anunciou 20 novos parceiros do protocolo MCP. CEO Dylan Field celebrou a abertura do ecossistema, mas alertou para falhas técnicas e riscos de abuso de dados.

Dylan Field expande Figma com 20 parceiros MCP e alerta riscos

Tecnologia

Figma amplia sua rede com novos parceiros MCP e destaca desafios técnicos e de segurança.

Leia também: Exército dos EUA testa IA autônoma que ataca redes e some

A Figma anunciou a entrada de 20 novos parceiros no suporte ao Model Context Protocol (MCP) durante sua primeira conferência Config realizada na Índia, enquanto o co-fundador e CEO Dylan Field fez questão de frisar que o protocolo aberto ainda está longe de ser ideal e traz riscos de abuso quando expõe demais os dados da plataforma.

O MCP é um padrão que permite conectar agentes de inteligência artificial a fontes externas de dados e ferramentas. Ao aderir a esse modelo, a Figma abre caminho para que desenvolvedores integrem dados de arquivos e projetos diretamente em fluxos de IA, ampliando a automação e a personalização de experiências dentro e fora do app.

Por que Dylan Field acha que o protocolo MCP não é perfeito?

Para Dylan Field, o MCP tem “muito espaço para melhorias” porque hoje favorece grandes laboratórios de ponta e não resolve bem problemas de segurança e equilíbrio no acesso a dados. Dias antes do anúncio dos novos parceiros, ele usou a rede X para criticar a Anthropic, co-criadora do protocolo, por não expor seus próprios recursos via MCP.

“I find it interesting that Anthropic (creators of MCP standard) do not expose artifacts / other cloud resources created via MCP”, escreveu o CEO, apontando o que vê como incoerência entre o discurso de abertura e a prática. Ele também reclamou que o debate em torno do protocolo costuma ficar preso à dicotomia aberto versus fechado, enquanto pontos técnicos mais sensíveis, como o compartilhamento assimétrico de contexto entre agentes e plataformas, são pouco discutidos.

Em coletiva com a imprensa na Config, Field reforçou a visão ambivalente: entusiasmo com a abertura, mas desconfiança em relação ao desenho atual do protocolo. “I’m really excited about what we’re doing in terms of opening up our ecosystem. I also think that MCP is not a perfect protocol. And I think that it is something that has tons of room for improvement”, afirmou.

Na avaliação dele, o padrão, do jeito que está, “is advantaged more to frontier labs” — ou seja, entrega mais vantagem competitiva para grandes laboratórios de IA do que para desenvolvedores e empresas menores. Ao mesmo tempo, Field reconheceu a pressão da comunidade para ter um caminho simples de acesso aos dados do Figma: “I understand everyone online who just wants a protocol that they can use when they want to use their Figma data, and I want them to use it, too”.

Quem são os novos parceiros MCP da Figma

Na Config Índia, a Figma oficializou 20 novos parceiros MCP, ampliando de forma relevante o ecossistema em torno do protocolo. Entre os nomes anunciados estão Amp, ClickUp, Dia, Junie by JetBrains, Linear, Meta Muse, Mistral, Notion, OpenCode e Sarvam Agents.

Essas integrações permitem que agentes de IA interajam com tarefas, documentos, código e fluxos de trabalho espalhados em diferentes serviços, sempre usando o MCP como camada padrão de comunicação. Para usuários de produto e times de design, isso significa que dados de projetos no Figma podem conversar de forma mais fluida com gerenciadores de tarefas, ferramentas de desenvolvimento e plataformas de IA generativa.

Field confirmou ainda que a empresa pretende oferecer suporte ao Pi, recurso que foi cobrado publicamente por um dos criadores do protocolo. A sinalização é de que a Figma quer estar presente onde estiver o MCP, mas sem abrir mão de controles próprios sobre o que é exposto e em que condições.

Entenda o contexto

O MCP foi criado para ser um protocolo aberto que padroniza como agentes de IA acessam dados e ferramentas externas, reduzindo o trabalho de integração para desenvolvedores e facilitando a interoperabilidade entre sistemas. Na prática, ele funciona como uma ponte: em vez de construir conectores proprietários para cada serviço, os agentes falam MCP, e os serviços expõem suas capacidades por esse padrão.

A Anthropic é uma das co-criadoras do protocolo e uma das principais promotoras da ideia de um ecossistema aberto de agentes. A crítica de Dylan Field a respeito de a empresa não expor seus próprios artefatos e recursos de nuvem via MCP reacende um debate conhecido no setor de tecnologia: até que ponto os atores que defendem padrões abertos estão realmente dispostos a abrir seus próprios dados e infraestruturas.

Quais são os principais desafios que Dylan Field vê para o Figma atualmente?

O principal desafio apontado por Dylan Field no curto prazo é equilibrar a vontade de abrir o ecossistema do Figma via MCP com a necessidade de proteger dados de usuários contra uso indevido. Segundo o CEO, quanto mais dados a empresa expõe por meio do protocolo, maior o risco de abuso por uma minoria mal-intencionada.

Na coletiva, Field deixou claro que a maior parte da base de usuários não busca explorar brechas ou causar dano, mas que a empresa precisa projetar seus sistemas considerando os piores cenários possíveis. Isso inclui desde vazamento de informações sensíveis de projetos corporativos até o uso não autorizado de dados para treinar modelos de IA de terceiros sem consentimento.

Outro desafio é reduzir a assimetria de poder entre grandes laboratórios de IA e desenvolvedores menores. Como o MCP, na visão de Field, hoje beneficia mais quem já tem grande capacidade técnica e infraestrutura, a Figma precisa encontrar formas de garantir que desenvolvedores independentes e empresas médias também consigam tirar proveito do protocolo em pé de maior igualdade.

Como a visão de Dylan Field sobre o MCP pode impactar o desenvolvimento do Figma?

A postura cautelosa de Field deve se traduzir em uma implementação seletiva e gradual do MCP dentro da Figma. A empresa tende a continuar adotando o protocolo, adicionando parceiros e recursos — como o suporte prometido ao Pi —, mas com camadas adicionais de governança, limites de acesso e critérios de segurança próprios.

Na prática, isso pode significar APIs MCP com escopos bem definidos, controles granulares de permissão por equipe e por projeto e, possivelmente, modelos de auditoria para monitorar como agentes de IA utilizam dados do Figma. A empresa também deve pressionar, nos bastidores e em público, por evoluções no padrão que tratem especificamente de assimetria de contexto e regras mais claras de uso e proteção de dados.

Para o ecossistema, a combinação de expansão com cautela pode desacelerar um pouco a adoção irrestrita do MCP, mas tende a atrair empresas que valorizam segurança e governança. Ao mesmo tempo, a crítica direta do CEO à Anthropic por não expor seus próprios recursos via protocolo pode estimular uma discussão mais ampla sobre a governança do MCP, sua evolução técnica e quem de fato se beneficia com sua adoção.

Enquanto isso, a Figma segue posicionando o MCP como peça central da estratégia de IA da companhia: abrir o suficiente para permitir a criação de novos produtos e fluxos inteligentes em cima dos dados da plataforma, mas sem perder o controle sobre como essas informações circulam entre agentes e serviços externos.

Fonte: matéria original