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Economia

FAA libera Boeing 737 MAX 10 e Boeing destrava maior jato da família

Maior versão da família 737 MAX é aprovada pela autoridade dos EUA e pode levar até 230 passageiros. Entregas começam nos próximos meses e marcam retomada da Boeing no mercado.

FAA libera Boeing 737 MAX 10 e Boeing destrava maior jato da família

Aviação

A aprovação do maior modelo 737 MAX impulsiona a retomada da Boeing no competitivo mercado aeronáutico.

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O Boeing 737 MAX 10, maior modelo da família 737 MAX, recebeu a aprovação final da Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA), liberando o início das entregas comerciais do jato e abrindo caminho para que companhias como United Airlines, WestJet e Ryanair passem a operar a aeronave de corredor único com capacidade para até 230 passageiros.

Quais são as novidades do Boeing 737 MAX 10 aprovado para voar após 10 anos?

O Boeing 737 MAX 10 traz como principal novidade a combinação de maior capacidade, mais autonomia e menor custo por assento entre os aviões de corredor único da fabricante americana. Com até 230 lugares, o modelo supera o 737 MAX 9, de até 195 passageiros, e o MAX 7, com até 160 assentos, e mira rotas de média distância de alta demanda.

Segundo Stephanie Pope, presidente e diretora-executiva da Boeing Commercial Airplanes, o novo jato “oferece maior capacidade de passageiros, mais autonomia de voo e maior eficiência econômica por assento em sua categoria”. Na prática, isso significa mais assentos e potencial de receita por voo para as companhias aéreas, mantendo consumo de combustível por passageiro mais baixo que em gerações anteriores do 737.

A aeronave é peça central da estratégia da Boeing para disputar diretamente espaço com o Airbus A321neo, hoje o principal rival no segmento de corredor único com alta capacidade. A fabricante já acumula mais de 1.550 encomendas do MAX 10, o que representa cerca de 31% dos pedidos pendentes da família 737 MAX. Ao todo, a linha MAX soma 4.867 encomendas dentro de um total de 6.863 pedidos em aberto da família 737.

Entre os principais clientes do MAX 10 estão United Airlines, Alaska Airlines, Ryanair, Delta Air Lines e American Airlines. United e WestJet devem ser as primeiras a receber o novo jato entre o fim deste ano e o começo de 2027, enquanto a Ryanair aguarda a primeira unidade para o início do próximo ano.

Como foi o processo de aprovação do Boeing 737 MAX 10 após seis anos de atraso e crises de segurança?

A aprovação do MAX 10 pela FAA vem após um dos processos de certificação mais rigorosos da aviação recente, marcado por atrasos, revisões de projeto e forte pressão regulatória depois de duas tragédias com o 737 MAX 8 que mataram 346 pessoas e abalaram a confiança na família de aeronaves.

Os acidentes expuseram falhas no sistema de controle de voo e em sensores da linha MAX, levando a mudanças profundas exigidas pela autoridade americana antes da liberação de novos modelos. Para o MAX 10, a FAA condicionou o certificado a uma série de melhorias técnicas, como atualizações no sistema de controle de voo e a adoção de um sensor de ângulo de ataque aprimorado — componente que mede a relação entre o nariz do avião e o fluxo de ar e é crucial para evitar perda de sustentação.

Essas alterações também devem ser incorporadas progressivamente à frota já em operação, em um esforço para padronizar o nível de segurança em toda a família MAX.

Outro ponto sensível foi o sistema anti-gelo dos motores do 737 MAX, que apresentou problemas identificados em 2023 e acabou atrasando a certificação tanto do MAX 7 quanto do MAX 10. O MAX 7 só obteve aprovação da FAA após mais de oito anos de análise, em um sinal de quão mais cauteloso se tornou o processo.

Ao anunciar a liberação do MAX 10 na fábrica da Boeing em Everett, no estado de Washington, o secretário de Transportes dos EUA, Sean Duffy, destacou a extensão dos testes. “Após extensas revisões de segurança, que incluíram milhares de horas de voos de teste, a equipe da FAA está pronta para aprovar esta aeronave para a venda”, afirmou. Duffy também reforçou que o governo quer manter a competitividade da indústria americana frente a rivais europeus e chineses, sem abrir mão de padrões rígidos de segurança.

Entenda o contexto

O MAX 10 chega ao mercado com quase uma década de atraso em relação aos planos originais da Boeing. O modelo foi anunciado como resposta direta ao avanço do A321neo, mas acabou “atropelado” pela crise do 737 MAX 8, que levou à imobilização global da família e redesenho do relacionamento entre a empresa, reguladores e companhias aéreas.

Desde então, órgãos como a FAA passaram a exercer supervisão mais próxima sobre o processo de certificação e sobre a produção em série. A pressão aumentou ainda mais após o incidente em que um painel da fuselagem de um 737 MAX 9, operado pela Alaska Airlines, se desprendeu em voo, o que acendeu novo alerta sobre qualidade de fabricação.

Nesse cenário, o avanço do MAX 10 é visto internamente pela Boeing como um passo essencial na reabilitação da marca, em especial no segmento mais lucrativo da aviação comercial: os jatos de corredor único usados em voos domésticos e regionais de alta frequência. O avião é considerado chave para a recuperação de caixa, para atender à carteira robusta de pedidos e para reconquistar participação de mercado, hoje pressionada pela Airbus.

Para dar conta da demanda, a Boeing inaugurou uma nova linha de montagem do 737 em Everett, o que deve elevar a produção mensal da família para mais de 47 aeronaves. O investimento mira reduzir filas de espera, encurtar prazos de entrega e dar fôlego à receita da divisão comercial, ao mesmo tempo em que a empresa tenta destravar outros projetos atrasados, como a certificação do widebody 777-9.

Quais os impactos do atraso na liberação do Boeing 737 MAX 10 para o mercado aéreo?

O atraso prolongado na aprovação do MAX 10 ajudou a consolidar a vantagem comercial do Airbus A321neo no mercado global de aviões de corredor único mais longos, empurrando diversas companhias a reforçar frotas com o modelo europeu enquanto esperavam pela definição regulatória em torno da Boeing.

Na prática, isso significou menos opções imediatas para empresas que já operam a família 737 e planejavam ampliar capacidade com o MAX 10, especialmente em rotas de alta demanda onde o aumento de assentos por voo é estratégico. Planos de expansão e renovação de frota tiveram de ser ajustados, com leasing temporário de aeronaves, renegociação de entregas e, em alguns casos, mudanças de pedido para outros modelos.

Com a certificação agora concedida, a tendência é de um alívio gradual nessa pressão. As mais de 1.550 unidades encomendadas do MAX 10 começam a sair do papel, permitindo às companhias elevar oferta de assentos por voo mantendo familiaridade de cabine e treinamento com o restante da família 737 MAX. Fornecedores de peças, empresas de manutenção e operadores de aeroportos também sentem o efeito, com aumento previsto na movimentação de jatos dessa geração.

Reguladores de outros países acompanham de perto os desdobramentos. O próximo passo é a análise de Transport Canada e da Agência de Segurança Aérea Europeia (EASA), que devem se pronunciar nos próximos meses. Só depois dessas aprovações o MAX 10 estará, de fato, liberado para uma operação global em larga escala.

Mesmo com o avanço, a Boeing segue sob escrutínio técnico e político. A empresa ainda precisa concluir a certificação do 777-9, projeto de grande porte que acumula seis anos de atraso e cuja entrada em serviço é esperada apenas a partir de 2027, mantendo elevada a pressão por entregas confiáveis e, sobretudo, pela reconstrução da confiança na segurança de seus aviões.