Flamengo encara Estudiantes e ameaça trono do Boca de Riquelme
Rubro-negro decide hoje, na Argentina, vaga na final da Libertadores e tenta manter hegemonia recente, já vista com respeito e preocupação pela imprensa do país vizinho.

Libertadores
Rubro-negro busca vaga na final e desafia domínio do Boca Juniors na Argentina.
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O Flamengo inicia na noite desta quinta-feira, às 21h30 (de Brasília), contra o Estudiantes em La Plata, a disputa pela vaga na final da Libertadores em que defende o título e mira um feito histórico: igualar os quatro troféus em oito anos do Boca Juniors de Riquelme, marca que hoje é o grande parâmetro de domínio continental.
Desde 2019, o rubro-negro soma três títulos, um vice e presenças constantes nas fases decisivas, o que já desperta na Argentina um misto de respeito e preocupação com o avanço brasileiro na América do Sul.
O que a imprensa argentina está dizendo sobre o Flamengo?
Jornalistas argentinos apontam o Flamengo como novo protagonista absoluto da região e veem o clube muito perto de ultrapassar os gigantes locais em protagonismo continental, sobretudo em meio à crise técnica e estrutural de vários times do país.
Diego Macias, subdiretor do diário esportivo Olé, resume o sentimento de resignação diante da força rubro-negra, principalmente quando a decisão é no Maracanã. “O Flamengo sempre foi muito respeitado na Argentina, não só atualmente. Há um resignação tipo: quando vai jogar contra um clube do Brasil, está liquidado. Se vai decidir contra o Flamengo no Maracanã, tem que aproveitar ao máximo o jogo em casa porque é muito difícil”, afirmou.
Na avaliação de Macias, o desequilíbrio de forças hoje é claro, e o momento ruim dos argentinos aumenta a sensação de ameaça. “A projeção para os times argentinos é muito preocupante. O Independiente está em um péssimo momento. Não é que está longe da oitava Libertadores, não está perto nem de se classificar para a Sul-Americana… Nessa corrida, o Brasil está muito mais forte. Hoje, acho questão de tempo para que o Flamengo passe os times argentinos”, disse o jornalista, citando o clube que lidera a lista de campeões com sete taças.
A leitura é compartilhada também por outros analistas no país, que enxergam o Flamengo como paradigma esportivo, financeiro e de gestão na região. Em 2022, por exemplo, a TV argentina chegou a rotular o time de “europeu na América do Sul” após uma goleada fora de casa, retrato do impacto que o elenco rubro-negro causa no debate local.
Por que o Flamengo está sendo comparado ao Boca Juniors de Riquelme?
A comparação nasce do recorte de oito anos em que o Boca de Riquelme dominou a Libertadores e da sequência que o Flamengo constrói desde 2019, com números até superiores em jogos, vitórias e gols, embora ainda com menos taças.
Naquele período de ouro, o Boca conquistou quatro títulos e um vice, com 90 partidas disputadas. O Flamengo, desde o início de sua sequência atual, entrou em campo 88 vezes no torneio, com 56 vitórias, 165 gols marcados, apenas 13 derrotas e 66 gols sofridos. Os argentinos, no mesmo tipo de recorte, venceram 51 jogos, balançaram as redes 156 vezes, perderam 18 partidas e levaram 79 gols.
Em uma pontuação fictícia baseada em fases alcançadas – com cinco pontos para campeão, quatro para vice, três para semifinal, dois para quartas e um para oitavas –, o Boca somaria 28 pontos, enquanto o Flamengo aparece com 23 e pode igualar a marca se levantar o troféu nesta edição. Na lista histórica, o clube carioca já está logo atrás de Independiente (sete títulos), Boca Juniors (seis) e Peñarol (cinco.
A diferença, para os argentinos, está menos nos números e mais na identidade das equipes. Catalina Sarrabayrouse, jornalista do Olé, destaca a falta de um personagem central que represente a era rubro-negra. “Estamos falando do Boca de Riquelme. Do Flamengo, poderíamos dizer ‘o Flamengo de quem’? Não há um Riquelme. Creio que são comparáveis em termos de quantidade de títulos, mas as identidades são diferentes”, analisa.
Se o Boca daquela geração se confundia com o talento e a liderança de um ídolo, o Flamengo atual é visto como um projeto de elenco profundo, com várias estrelas e rodagem de alto nível, mas sem um rosto único. Na prática, isso reforça a ideia de um time construído sobre um modelo coletivo e de gestão, em contraposição à figura do grande herói individual.
Como os torcedores argentinos veem o Flamengo na atual edição da Libertadores?
Entre os torcedores, o sentimento mistura admiração, respeito e o desejo de medir forças com quem hoje é visto como o sarrafo mais alto do continente.
Gabi Pregal, torcedor do Estudiantes e locutor do Estádio Uno, diz que enfrentar o atual campeão é motivo de empolgação, não de medo. “É uma grande expectativa quando há um jogo com uma equipe tão poderosa como o Flamengo. Para nós, não há partida mais lindas para jogar do que quando é contra um grande do Brasil”, afirma.
Para ele, encarar o time carioca é uma espécie de exame de nível para os argentinos. “Para sermos os melhores, temos que ganhar todos. É sempre bom enfrentar o Flamengo para saber em que nível estamos. Há respeito, mais do que temor. O Brasil é uma potência futebolística, e nossa história mostra que sabemos como enfrentar esse tipo de partida”, completa.
Essa visão reforça o peso simbólico do duelo desta noite em La Plata: para o Estudiantes, clube acostumado a grandes campanhas continentais, é a chance de desafiar o novo “bicho-papão” da Libertadores; para o Flamengo, é mais um passo em direção ao status de hegemonia.
Entenda o contexto
A escalada rubro-negra na Libertadores desde 2019 já reposicionou o clube no mapa dos grandes campeões do continente. São três títulos, um vice e presenças constantes nas fases agudas, com apenas duas eliminações em oitavas e uma em quartas nesse intervalo. O desempenho estabelece um novo padrão de competitividade e exige respostas dos rivais, sobretudo na Argentina.
Ao mesmo tempo, o futebol brasileiro vive fase de superioridade financeira, de estrutura e de elenco. Esse avanço potencializa o interesse de patrocinadores, direitos de transmissão e ações de marketing, enquanto pressiona pesos-pesados como Boca, Independiente e o próprio Estudiantes a repensarem seus projetos para voltar a competir em alto nível.
No centro dessa disputa está o jogo de hoje em La Plata. Se o Flamengo chegar a mais uma final e encaminhar um eventual bicampeonato consecutivo, não estará apenas atrás de uma taça: buscará consolidar uma era que obriga todo o continente a se reorganizar ao redor do novo polo de poder do futebol sul-americano.
Fonte: ge.globo.com


