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Brasil

Flávio Bolsonaro pede anulação da eleição e rejeita derrota

Derrotado por Lula com 48,26% dos votos, senador chama resultado de “sacanagem”, diz ser “impossível” reconhecer derrota e anuncia pedido de anulação. TSE e PGR reafirmam lisura do pleito.

Flávio Bolsonaro pede anulação da eleição e rejeita derrota

Política

Senador questiona resultado das urnas e recusa reconhecer derrota nas eleições presidenciais.

Leia também: Lula entrega procurações e pressiona Flávio por sigilos no TSE

Derrotado no segundo turno da eleição presidencial, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou neste domingo (25), em Brasília, que é “impossível” reconhecer o resultado que reelegeu Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e anunciou que vai acionar sua equipe jurídica para pedir a anulação do pleito, que ele chamou de “sacanagem”.

Com 97% das urnas apuradas, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmou a vitória de Lula com 51,74% dos votos, contra 48,26% de Flávio. A Corte e a Procuradoria-Geral da República (PGR) reagiram rapidamente aos questionamentos do senador, reafirmando a segurança e a legitimidade de todo o processo.

Flávio ataca decisão de Zanin e fala em “impossível reconhecer” derrota

No pronunciamento após o encerramento da votação, Flávio concentrou as críticas na decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que prorrogou em duas horas o horário de votação em municípios de Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo e Santa Catarina.

“O que aconteceu hoje não foi algo normal, foi inclusive inaceitável. Um ministro da Suprema Corte, pela primeira vez na história, ex-advogado do Lula dá uma canetada a pedido de um ex-sócio dele, e muda a regra do jogo no meio do jogo, às 17:01 o ministro Zanin, que não faz parte do Tribunal Superior Eleitoral, atropelando a justiça especializada, toma uma decisão prorrogando por duas horas as eleições. Isso nunca tinha acontecido na história do Brasil”, afirmou o senador.

Ele disse considerar a situação “inexplicável” e colocou em dúvida a possibilidade de aceitar o resultado das urnas. “É inexplicável ter acontecido o que aconteceu. Inclusive, nas palavras de algum ministro aí que a própria imprensa publicou, as eleições deveriam ter sido anuladas nas condições que as coisas aconteceram nesse momento. E o que eu tenho que falar aqui agora é que é impossível, é impossível reconhecer o resultado das eleições no contexto como essas coisas aconteceram. Nós vamos usar o nosso jurídico, vamos pedir a anulação dessas eleições”, declarou.

Flávio também alegou falta de isonomia entre eleitores de diferentes estados, ao dizer que a reabertura de seções em parte do país teria distorcido a disputa. “Houve uma quebra total de isonomia entre os brasileiros de diversas cidades, de diferentes estados. Eu nunca vou saber se no estado aonde as urnas não foram reabertas, quantos votos eu poderia ter”, disse.

A prorrogação, porém, atendeu pedido feito ainda durante a tarde pela própria campanha de Flávio Bolsonaro, que solicitou extensão do horário de votação nesses mesmos estados, e foi concedida por Zanin em caráter emergencial.

TSE rebate fala sobre fiscais e defende sistema

No discurso, o senador afirmou ainda que fiscais do PL teriam sido retirados da chamada sala-cofre do TSE durante a apuração. O tribunal desmentiu a acusação. A Corte informou que o local onde ficam os equipamentos é de acesso restrito e não é aberto à visitação, e que fiscais dos partidos, incluindo o PL, acompanharam a totalização e a divulgação dos resultados em área específica destinada à fiscalização.

Logo após a confirmação da vitória de Lula, o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, destacou a confiança da Justiça Eleitoral no sistema de votação e apuração. “Tenho absoluta segurança de todo o processo eleitoral”, afirmou.

As declarações do presidente do TSE vão na direção oposta à narrativa de fraude ou irregularidade levantada por Flávio e aliados, e buscam conter o avanço de dúvidas sobre a integridade das urnas eletrônicas e da contagem de votos.

Procuradoria e Congresso falam em respeito às urnas

A Procuradoria-Geral da República também saiu em defesa do resultado. Em nota divulgada à noite, o procurador-geral da República, Paulo Gonet Branco, afirmou que o Ministério Público atuou em todo o processo para garantir a correção do pleito e a expressão da vontade do eleitor.

“A democracia se fortalece quando as regras são cumpridas e cada pessoa pode exercer seu direito de escolha de forma livre. O respeito à vontade manifestada nas urnas fortalece as instituições democráticas e garante legitimidade à representação política”, disse Gonet, que também exerce a função de procurador-geral eleitoral.

Do lado do Congresso, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), reforçou a necessidade de reconhecimento do resultado, independentemente de quem saiu vitorioso. “Não há o que se contestar. A vitória, em primeiro plano, foi da democracia. Falamos isso mais cedo, que precisávamos respeitar a vontade das urnas independente do resultado”, afirmou.

Alcolumbre acrescentou que o clima de acirramento exige responsabilidade das lideranças políticas. “O Congresso está atento ao desejo dos candidatos. Não está bom o momento de agressividade que nós estamos vivendo no Brasil e cabe ao presidente da República unir o Brasil”, completou.

Entenda o contexto

A eleição presidencial terminou em cenário de forte polarização e margem apertada de votos. Lula foi confirmado vencedor quando a totalização chegou a 97% das urnas, com 51,74% dos votos válidos, contra 48,26% de Flávio Bolsonaro.

A decisão de prorrogar o horário de votação em parte do país foi tomada por Cristiano Zanin após pedidos de campanhas, inclusive a de Flávio, que alegavam problemas logísticos e filas em seções eleitorais. A medida estendeu o encerramento em duas horas em municípios de Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo e Santa Catarina.

Com o anúncio de que buscará na Justiça a anulação das eleições, Flávio abre uma nova frente de disputa pós-urnas. O pedido, quando formalizado, deverá ser analisado pelas instâncias competentes da Justiça Eleitoral e poderá gerar recursos de ambas as partes. A tendência, contudo, é que o TSE e a PGR mantenham a defesa pública da regularidade do pleito e da validade do resultado proclamado.

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