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Inteligência Artificial

Flávio Bolsonaro propõe trocar servidor aposentado por IA

Campanha do candidato do PL defende substituir parte dos servidores que se aposentarem por sistemas de inteligência artificial, reduzindo concursos, custos e ministérios.

Flávio Bolsonaro propõe trocar servidor aposentado por IA

Inteligência Artificial

Proposta visa modernizar a administração pública com uso de IA para reduzir gastos e diminuir a necessidade de concursos.

Leia também: Anthropic e OpenAI planejam dividir riqueza da IA com público

A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) defende substituir gradualmente parte dos servidores públicos que se aposentarem por sistemas de inteligência artificial, evitando novos concursos para essas vagas e prometendo reduzir custos, cortar ministérios e modernizar a máquina federal.

O que propõe a campanha de Flávio Bolsonaro

A ideia foi detalhada pela coordenadora da área econômica da campanha, Daniella Marques, em entrevistas recentes e aparece alinhada ao plano de governo registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A proposta prevê que, à medida que servidores deixarem seus cargos por aposentadoria, parte dessas funções seja assumida por sistemas automatizados, e não por novos concursados.

No desenho apresentado pela economista, setores administrativos e de tarefas repetitivas seriam os principais alvos da substituição tecnológica. Áreas consideradas essenciais e de maior interação humana continuariam dependendo de servidores, embora o plano não especifique quais carreiras seriam preservadas.

O ponto mais concreto, até agora, é o princípio de não repor integralmente os aposentados por meio de concursos. Com menos contratações, a campanha afirma ver espaço para reduzir a folha de pagamento, direcionar recursos para investimentos e valorizar salários de quem permanecer em cargos estratégicos.

Declarações nas entrevistas e promessa de “tesourão”

Daniella Marques apresentou a proposta pela primeira vez ao podcast G4, em 30 de setembro, ao questionar se o governo precisa repor automaticamente servidores aposentados. Em 19 de outubro, no programa Pânico, ela voltou ao tema e associou o uso de inteligência artificial ao combate à corrupção. Segundo a coordenadora, o uso intensivo de tecnologia poderia combater a “roubalheira”.

Nas mesmas entrevistas, a economista vinculou a automação à estratégia mais ampla de enxugamento da máquina federal. Ela afirmou que, caso Flávio Bolsonaro seja eleito, o plano é enviar ao Congresso Nacional, antes da posse, uma proposta de emenda à Constituição para reduzir o número de ministérios e cortar despesas. “Caso Flávio seja eleito, o candidato pretende apresentar ao Congresso Nacional, antes da posse, uma proposta de emenda à Constituição para reduzir o número de ministérios e cortar despesas. A iniciativa foi descrita como um ‘tesourão’”, disse.

O plano de governo entregue ao TSE também trata da reorganização administrativa. Páginas 25, 26 e 69 do documento discutem modernização, digitalização de serviços e contenção de gastos, em linha com o discurso de substituir parte da estrutura atual por soluções tecnológicas. Não há, porém, cálculos oficiais de impacto fiscal nem metas numéricas de redução de cargos.

Entenda o contexto

A proposta surge em meio ao debate sobre o peso da folha de pagamento federal e a necessidade de ampliar a digitalização de serviços públicos. A campanha de Flávio Bolsonaro apresenta a automação como caminho para reduzir despesas, diminuir brechas para fraudes e redesenhar o Estado em torno de carreiras consideradas essenciais.

Na prática, a substituição de servidores por inteligência artificial impactaria diretamente concursos públicos, hoje porta de entrada para grande parte do funcionalismo. Setores administrativos e burocráticos tendem a ser os primeiros na fila da automação, enquanto atividades que exigem julgamento complexo, contato direto com a população ou atuação em campo têm menor espaço para substituição integral por sistemas.

Especialistas em administração pública e entidades de servidores apontam, contudo, riscos de perda de qualidade no atendimento se a automação avançar sem investimentos pesados em infraestrutura digital, segurança de dados e supervisão humana. Também alertam para o impacto sobre a renovação dos quadros, já que concursos menos frequentes reduzem a entrada de novos profissionais.

Repercussão entre servidores e próximos passos

Desde que Daniella Marques retomou o tema, a reação tem sido dividida. Apoiadores da campanha defendem nas redes que o uso de inteligência artificial pode aumentar a eficiência e liberar recursos para pagar salários mais altos a servidores de carreiras-chave. Já representantes do funcionalismo cobram detalhes sobre quais áreas seriam automatizadas, quantas vagas deixariam de existir e que garantias a população teria de continuidade e qualidade dos serviços.

Até o momento, a campanha não apresentou um cronograma de implementação nem estimativas sobre o número de postos potencialmente substituídos por tecnologia. Também não há definição pública de quais carreiras seriam classificadas como essenciais ou estratégicas para efeito de preservação de quadros e eventual valorização salarial.

Se eleito, Flávio Bolsonaro dependerá do Congresso para aprovar o “tesourão” por meio de PEC e de regulamentações específicas para uso de inteligência artificial na administração pública. Sindicatos de servidores e entidades da área devem ter papel central nas negociações, que tendem a se tornar um dos pontos mais sensíveis do debate sobre o tamanho e o formato do Estado nos próximos anos.

Fonte: matéria original