Nova IA corrige redação do Enem em tempo real com nota oficial
Ferramenta com inteligência artificial, criada em parceria com o Grupo Eureka, libera hoje o primeiro de nove temas de treino para redação do Enem, com correção automática até 1000 pontos.

Inteligência Artificial
Ferramenta inovadora oferece correção automática e imediata para redações do Enem, facilitando o treino dos estudantes.
Leia também: Anthropic e OpenAI planejam dividir riqueza da IA com público
Uma nova ferramenta com inteligência artificial, desenvolvida em parceria entre um grande jornal brasileiro e o Grupo Eureka, passa a corrigir automaticamente redações do Enem a partir desta quarta-feira (21), com o lançamento do primeiro de nove temas de treino e notas calculadas segundo os critérios oficiais do exame.
Como funciona a correção automática da redação
O sistema permite que o estudante escreva o texto diretamente na plataforma, pelo celular ou computador, ou faça a redação à mão, fotografe a folha e envie a imagem. A inteligência artificial transcreve o conteúdo, mostra o texto para revisão do aluno e, só então, faz a avaliação automática.
A correção segue as cinco competências oficiais da redação do Enem: proposta de intervenção, coesão e coerência, organização das ideias, compreensão do tema e domínio da escrita formal. Cada uma recebe nota de zero a 200 pontos, somando até 1000 pontos, a mesma escala usada no exame.
Além da pontuação por competência, o aluno recebe uma devolutiva detalhada, indicando em quais aspectos precisa melhorar, como clareza dos argumentos, encadeamento das ideias e adequação à norma padrão da língua portuguesa.
Primeiro tema aborda disputa entre EUA e China
O primeiro tema liberado hoje trata da disputa entre Estados Unidos e China, com foco nos impactos da rivalidade na economia, na política e na tecnologia globais. A proposta desafia o estudante a analisar a redistribuição de poder no cenário internacional e a refletir sobre as consequências dessa tensão para outros países.
A escolha do assunto busca estimular um repertório mais robusto, exigindo que o candidato articule conhecimentos de atualidades, geopolítica e tecnologia, fugindo de visões simplistas sobre o conflito entre as duas potências.
Orientações para tirar melhor proveito da ferramenta
Para o professor Marco Saliba, do Grupo Eureka, a plataforma não substitui o estudo de conteúdo, mas pode acelerar a evolução da escrita ao oferecer retorno imediato. Ele destaca que a qualidade da argumentação continua central para uma boa nota na redação.
Saliba recomenda que o aluno selecione os pontos mais relevantes do tema e aprofunde a análise com causas, consequências, exemplos e referências culturais. Segundo ele, ampliar o repertório é fundamental para sair do lugar-comum e construir um texto consistente.
Em relação à conclusão, o professor chama atenção para a proposta de intervenção, um dos pontos que mais pesam na nota: “Na proposta de intervenção, por exemplo, não seja raso. Coloque ela de maneira clara, aprofundada, citando como fazer, quais aspectos elas têm que alcançar para que o examinador perceba o seu pleno domínio sobre o conteúdo”, afirma.
Ferramenta amplia acesso e pode mudar rotina de estudos
Ao permitir envio de redações manuscritas por foto e acesso pelo celular, a ferramenta tende a alcançar estudantes com menos familiaridade com digitação ou sem computador em casa. Na prática, basta ter conexão à internet para treinar, receber notas e acompanhar a própria evolução.
A novidade também abre espaço para que escolas, cursinhos e plataformas de ensino incorporem a correção automática em seus métodos, reduzindo a dependência de correções manuais e liberando professores para se concentrarem em dúvidas mais complexas e em orientação individualizada.
Ao mesmo tempo, especialistas apontam que a expansão de sistemas automáticos deve provocar debate sobre precisão, limites e uso responsável da inteligência artificial na educação, exigindo ajustes constantes no modelo de correção para se manter alinhado aos critérios oficiais do Enem.
Entenda o contexto
O lançamento integra o projeto Irineu, iniciativa que busca levar aplicações de inteligência artificial ao público em geral, com supervisão de jornalistas para garantir a qualidade do conteúdo. No caso da redação, o objetivo é democratizar o treino para o Enem, oferecendo temas atuais, correção ágil e orientação estruturada.
Nos próximos dias, outros oito temas serão liberados na plataforma, com propostas variadas para ampliar o repertório cultural dos estudantes e ajudá-los a praticar diferentes abordagens de argumentação, sempre dentro da estrutura exigida pelo exame.
Fonte: matéria original

